O consagrado “Rei do pop”, conhecido mais por seus escândalos que por suas virtudes, faleceu em 25 de junho, às vésperas de voltar aos palcos com uma turnê de 50 shows. É uma perda difícil de digerir – mas que pode incentivar uma pesquisa aprofundada em sua longeva produção musical.
Você tem duas opções para guardar a imagem de Michael Jackson em sua memória: uma delas é aquela fomentada pela imprensa marrom e pelos escândalos por ele protagonizados – a do homem excêntrico, louco até, nascido negro e morto branco, afeiçoado por criancinhas, animais bizarros e pelo sonho de vender 100 milhões de unidades de um único disco. Ou então fugir dos clichês e mergulhar fundo em um dos artistas mais complexos do século XX, conhecendo a fundo suas qualidades, seus altos e baixos. E, acima de tudo, sua trajetória musical.
A melhor opção é a segunda – se tudo o que você conhece de Michael se resume aos clipes de “Thriller”, “Black or white” e às imagens que povoaram emissoras de todo o mundo em junho passado, está na hora de se atualizar. Pode até ser mórbida, essa mania de correr atrás dos discos depois que o cara morreu, mas para alguma coisa a morte há de servir, certo? Nem que seja para resolver uma dívida histórica que tenhamos para com ele.
De menino-prodígio a jovem astro

Definir o “marco zero” da carreira de Michael é, por si só, um trabalho de desmistificação. Não que pouca gente saiba que “Off the wall” não é o primeiro álbum do cantor, mas a tendência em apagar tudo o que venha antes de 1979 da memória coletiva de fato existe. A verdade é que olhar para trás e ver aquele garotinho negro e de olhos penetrantes, vestindo calças boca-de-sino e levando adolescentes aos gritos no interior dos Estados Unidos com o Jackson 5, é uma surpresa, mesmo para os fãs mais experientes. É quase como enxergar um abismo entre o menino-prodígio e o jovem astro que estourou na MTV anos depois.
Irmão de oito garotos e garotas de inexplicável talento musical, criado sob rotina rígida na cidade de Gary, no estado de Indiana, Michael viveu sob as rédeas do pai Joe Jackson até atingir a maturidade. Junto a alguns de seus irmãos, o garoto tímido e de poucas palavras foi levado ainda pequeno até a gravadora Motown e posto nos moldes – leia-se: vestido e produzido como um “jovem artista negro para brancos”. A fórmula musical era simples: soul, bebop – um tipo muito peculiar de jazz –, disco, funk e até uma pitada de rock, tudo sob o comando da voz potente e naturalmente afinada do garoto. No palco, ele era um mini-astro, sorridente e seguro de si, como rezava a cartilha da Motown, e comandava os irmãos com energia natural. Era tudo que o mercado americano queria àquela época de intensas mudanças culturais.
Com o Jackson 5, Michael emplacou alguns sucessos entre a segunda metade da década de 1960 e o ano de 1974. Canções como “I want you back”, “ABC”, “I´ll be there”, “Mama´s pearl”, “Dancing machine” e “The love you save”, é verdade, têm certo fundo de megaprodução artificial, mas mesmo assim demonstram o que iria resultar daquela forçação de barra de Joe Jackson: em segundo plano, o grupo The Jacksons, criado com a saída de dois dos irmãos e a rescisão do contrato com a Motown; e, em primeiro, Michael, livre para fazer o que bem entendesse em carreira solo e exercitar um de seus muitos defeitos-qualidades: o obsessivo desejo de auto-superação.
Na verdade, Michael já havia há muito decidido fazer sucesso sem os irmãos. Pela própria Motown, ele havia lançado “Got to be there” (1971), “Ben” (1972), “Music and me” (1973) e “Forever, Michael” (1975), uma sequência de quatro discos instável, mas que bem evidencia as qualidades artísticas do cantor. Com as faixas-título “Ben” e “Got to be there”, o artista conquistou os Estados Unidos e chegou, também, a alguns países europeus. O sucesso, no entanto, ficou quase que circunscrito ao território norte-americano – “Foverer Michael”, por exemplo, rendeu dois compactos nos EUA, mas sequer chegou às lojas europeias.
“Music and me”, um dos melhores desta fase embrionária, abre com uma bela canção, “With a child´s heart”, um soul que em nada deve às influências de Michael à época. Apesar do jeito Motown de ser, já dava para sentir o climão diferenciado do mais talentoso dos Jackson em faixas como “All the things you are, are mine” e “Johnny raven”. Aquela voz aguda e constante, que, futuramente, casaria tão bem com o visual e os passos meticulosamente calculados do cantor, transparecia uma segurança incomum em garotos adolescentes como ele.
A chegada ao topo

Durante uns três anos, o Michael Jackson capaz de conquistar as mais variadas gerações e sair do conforto do mercado pop dos Estados Unidos foi sendo montado. A tão celebrada parceria com o produtor Quincy Jones começou logo após o cantor concretizar um sonho de infância: o de atuar. A proeza, registrada no musical para cinema “The wiz”, de 1978, foi a única coisa da obra a ser elogiada pela crítica, o que fez Jackson alimentar por décadas a vontade – jamais concretizada – de ser rei, também, nas telonas.
A verdade sobre “Off the wall” (1979), o primeiro resultado da parceria Michael-Quincy na gravadora Epic, é que ele nunca poderia ter soado tão genial sem a dedicação doentia dos dois à obra. E, também, sem a colaboração do time de compositores escalados para compor as dez faixas do disco: Paul McCartney, Stevie Wonder e Rod Temperton, além do cantor e seu produtor. São canções que, certamente, transpareciam a busca do artista por uma verve inovadora.
Soul, funk americano, disco, influências dele desde os tempos de Jackson 5, unem-se a uma pegada menos acústica e mais intensa que vai da faixa de abertura, “Don´t stop ´til you get enough” – sabe a vinheta de abertura do “Video show”, da TV Globo? Pois é... – até “Get on the floor”, “Off the wall” e “Burn this disco out”, todas claramente orientadas à pista de dança. E, para evitar olhares desconfiados, o ar romântico reaparece em “Rock with you”, “Girlfriend” e “She´s out of my life”, hits imediatos do disco.
Os louros colhidos pelo trabalho são vários: posições recorde em solo americano e europeu (o Reino Unido, sempre antenado, logo abraçou o artista como se fosse seu), o primeiro Grammy – pela faixa de abertura – e a chance de emplacar o primeiro recorde de vendas. Até hoje, quase 30 milhões de cópias deste disco foram vendidas – impulsionadas, em especial, por uma versão lançada em 2001, com faixas-bônus e depoimentos de Quincy Jones no final do CD. Os olhos do mundo já estavam sobre Michael.
Mesmo assim, o cantor se manteve junto aos irmãos no The Jacksons, lançando um álbum em 1980, e tentou se meter em um projeto mirabolante junto a Steven Spielberg, participando da narração de “E.T. – o extraterrestre”. A ideia foi logo impedida pela Sony, que entrou na Justiça, no intuito de acelerar o lançamento do novo disco. O motivo era simples: “Thriller”, o sucessor de “Off the wall” que viria a se tornar o álbum musical mais vendido da história – hoje, dizem por aí, já passou das 130 milhões de cópias vendidas – e a obra-prima da música pop, estava demorando demais para sair no mercado.
O cuidado em torno do trabalho é visível. Ao lado de Quincy, Michael voltou a buscar compositores de renome – além dos próprios, que escreveram quatro faixas – e lapidou uma sonoridade mais crua e intensa, algo que se vê logo em “Wanna be startin´ somethin´”, que traz em seu arranjo de baixo sintético os ares da década de 1980. “This girl is mine”, parceria com Paul McCartney em que o ex-Beatle até canta, não rendeu tanto como single, mas é certamente a “baladinha” mais inspirada de Michael. O dueto dos dois é emocionante, no sentido mais puro da palavra.
O resto do disco é tudo aquilo que você deve ter visto estrear na TV – se já era nascido à época – ou passar nas dezenas de programas-tributo posteriores à morte do cara. “Thriller”, com seu saboroso groove de baixo e sintetizador e seu clipe megalomaníaco-cinematográfico dirigido por John Landis, fez Michael ser o primeiro jovem negro a estourar na MTV. “Billie jean”, que imortalizou o moonwalk, aquele passo famosíssimo do cantor que até deu nome a filme e autobiografia, foi a segunda canção mais tocada nas rádios brasileiras em 1983. E “Beat it”, com sua guitarra hard rock tocada por Van Halen, acabou premiada pela MTV como melhor canção do ano. As três figuram, até hoje, como as faixas mais importantes da carreira de Michael. Quer prova maior da qualidade de “Thriller” que vê-las em sequência no setlist de um único disco?
“Bad”, Neverland, “Dangerous” e o sumiço

Passado o turbilhão, a incerteza em torno do próximo álbum era grande. Tanto para a crítica quanto para Michael – a essa época, já atormentado pela mídia por suas excentricidades e trejeitos bizarros. O incômodo com a pele negra, junto a um acidente no nariz (que quebrou em um show ao início da década) e à vitiligo – doença de pele que causa despigmentação –, fizeram com que o cantor iniciasse uma série de intervenções para mudar sua fisionomia. A coisa foi vista com estranheza tanto por sua família quanto pela imprensa, que se valeu de teorias e “fontes secretas” para reforçar a imagem de quase-louco do então jovem adulto Michael. Foi assim, logo ao completar 28 anos de idade, já com os cabelos modificados, as feições andróginas e a pele clara, que ele lançou no mercado “Bad” (1987), um trabalho muito criticado pelo flerte pouco ousado com a música oitentista, mas que mesmo assim vendeu como água e rendeu sua primeira turnê mundial em carreira solo.
O peso de ter chegado ao topo pouco transparece por aqui, na verdade; o disco continua sendo uma fábrica de hits nos moldes de “Off the wall” e “Thriller”. Fora a faixa de abertura – que, ao contrário do que disseram à época, é, sim, muito ousada –, há “The way you make me feel”, “Smooth criminal”, “Man in the mirror” e “Dirty diana” para comprovar isso. Todas saíram como singles e alcançaram boas posições ao redor do planeta. A coesão do trabalho, o último em parceria com Quincy Jones, é resultado de um trabalho cuidadoso em torno das melodias, que conservaram o jeitão do funk e do soul, porém com o uso ostensivo de sintetizadores, e das letras, cada vez mais elaboradas. “Man in the mirror”, com seus versos desafiadores, foi um sucesso e em muito casou com a política de caridade defendida por Michael na década seguinte. Era o reflexo de um artista amadurecido, enfim.
Maturidade que, infelizmente, só transparecia na música. Cada vez mais recluso, Michael se mudou para Neverland, um rancho de custo quase inestimável feito sob medida que, para a imprensa, era uma verdadeira fonte de renda. Bizarra, a residência em que o cantor se enfurnou por 17 anos era praticamente inacessível para “gente grande” (vivia sendo visitada por crianças) e mais parecia um parque de diversões, com incontáveis referências à literatura infanto-juvenil – o nome foi tirado da clássica saga de Peter Pan – e ao mundo lúdico de Walt Disney. As entrevistas e coletivas à imprensa, já raríssimas, encerraram de vez. Enquanto muito se especulava aqui fora, os dilemas internos de Michael afloraram em Neverland. Cada vez mais frustrado – para ele, “Bad” ter vendido “só” 30 milhões de cópias àquela época era sinal de fracasso – e nervoso, ele ficou obcecado com a ideia de seu novo CD ser um sucesso absoluto e inquestionável.
Não se sabe até que o ponto ele ficou satisfeito, mas o fato é que “Dangerous” ultrapassou as vendas do anterior e, em questão de dois anos, já era o segundo mais vendido de sua carreira. Pouco citado nos revivals de Jackson, este disco é mais lembrado por sua turnê – a maior da história, interrompida depois de ele ser acusado pela primeira vez de abusar de um menor de idade – que por sua bem sacada incursão no som da década de 1990. O fim da parceria com Quincy Jones é visível: o produtor Teddy Riley deixou Michael à vontade para mexer com o que quisesse, contanto que fosse novidade. O resultado é um CD de ares contemporâneos que parece ter sido gravado na semana passada.
Muito embora ainda estivessem em ascensão, gêneros como o rhythm n´blues e o hip hop norte-americanos figuram desde a primeira faixa do CD, “Jam”. A boa lapidação das composições segue com “Why you wanna trip on me”, “In the closet”, “Remember the time”, “Give in to me”, “Will you be there”, “Heal the world” – uma balada pop como há tempos não se via, que pôs à prova a ainda surpreendente capacidade vocal do cantor – e “Black or white”, provavelmente o último megahit de Jackson.
Uma estética ousada, mesclada com referências históricas e uma superprodução a la “Thriller” marcaram o clipe desta canção, que saiu à época em que o CD era entregue nas lojas americanas e logo se tornou uma das estreias mais assistidas da história das emissoras musicais. O investimento em vídeos seguiu com “Give in to me” – que teve a participação de Slash, do Guns n´Roses – e “Heal the world”, dois materiais essenciais para quem quiser conhecer a fundo a carreira de Michael. Esta última canção, por sinal, serviu para que ele desse título à sua campanha de caridade na “Heal the world foundation”, responsável por arrecadar milhões de dólares e embolsar mais alguns do próprio cantor, que não teve medo em investir sua fortuna em projetos de apoio a crianças de todo o mundo.
O “adeus” de “Invincible”
Nos próximos dez anos, pouco se ouviu falar sobre a música de Michael Jackson, à exceção da época da vultosa campanha de divulgação de “HIStory: past, present and future – Book I” (1995), um CD duplo de vendagem absurda (30 milhões de cópias, novamente – e Michael ainda estava inseguro de seu sucesso) que tinha, entre suas trinta faixas, alguns sucessos remasterizados e canções inéditas. Do álbum, saíram alguns sucessos como “Earth song”, “They don´t care about us” – aquela cujo clipe foi filmado no Brasil, no Rio de Janeiro e em Salvador – e a excelente “Scream”, um dueto-duelo entre Michael e sua irmã mais nova Janet de sonoridade (e videoclipe) moderníssimos. No mais, o CD ainda motivou uma longa turnê de ingressos esgotados na Europa, que superou até mesmo a “Dangerous tour”, com um total de 4,5 milhões de espectadores.
Somente seis anos depois de “HIStory” os fãs teriam acesso a material 100% inédito com “Invincible” (2001), o último lançamento de Jackson (em vida, diga-se de passagem; tem coisa vindo por aí). O problema é que, após anos de porradaria com o alto staff da Sony, Michael acabou tendo a divulgação do disco prejudicada, o que o fez ter uma vendagem considerada fraca para seus padrões: “só” 17 milhões. Canções vazaram na internet, cantor e gravadora não entraram em acordo sobre que single lançar primeiro, Michael se negou a gravar clipes para os primeiros compactos; enfim, tudo deu errado. E este álbum, que certamente não é o melhor de sua carreira, mas ostenta várias qualidades, acabou indo parar na sombra.
Superados os problemas, uma audição atenta mostra que “Invincible” tinha tudo para dar certo. Em dez anos, Michael resolveu ousar: gravou sozinho o instrumental de várias canções, entre elas “Unbreakable” – que abre o CD – e a ótima “You rock my world”, sucesso relativo à época de seu lançamento. Nas parcerias de composição, o trabalho é, regra geral, interessante: em “2000 Watts”, o R&B americano dá as caras com uma falta de sutileza que surpreende. “Invincible” segue na mesma linha, com seus arranjos crus que dão ênfase à rouquidão do cantor em sua fase madura.
Mas uma coisa é verdade: em faixas como “Cry”, “Butterflies”, “Break of dawn” e “The lost children”, já não consta a atmosfera quase etérea das gravações comerciais anteriores de Michael. Eram apenas músicas de rádio, iguais às que dezenas de outros cantores e cantoras da indústria americana lançavam de mês em mês. É por isso, talvez, que a qualidade de “Invincible” tenha sido tão questionada – mesmo a Rolling Stone, que nunca economizou nos elogios ao cantor, deu “apenas” três estrelas ao CD. Os efeitos do fim precoce da divulgação, após a ruptura com a Sony, resultou em vendas decrescentes: o álbum só chegou à primeira posição em treze países. No Brasil, nunca passou do oitavo lugar.
A morte

A decadência daqui em diante você, leitor, provavelmente conhece. Mais escândalos envolvendo abusos sexuais – nunca comprovados – surgiram, obrigando o cantor a atravessar meses e mais meses enfurnado no rancho Neverland, longe dos flashes da imprensa. Dívidas e mais dívidas resultantes de suas quebras de contrato e compras excêntricas fizeram-no desistir de alguns projetos milionários – Neverland incluído, logo após o fim do processo criminal.
Um documentário lançado em 2003 chamado “Living with Michael Jackson”, feito pelo jornalista Martin Bashir, mostrou ao mundo o agravo das condições psicológicas do cantor. Suas feições estavam ainda mais deformadas, resultado das intervenções cirúrgicas e dos problemas de saúde decorrentes do estresse; seus filhos só faziam aparições públicas com máscaras cobrindo seus rostos. Suas frases não tinham mais a profundidade de antes. Era um reflexo de que o astro pop, em sua maturidade, já não se reconhecia naquela carcaça. Ou então odiava tanto o que via que tentava, a todo custo, negar a própria identidade e, dela, afastar os próprios filhos.
Mesmo assim, em 2006, Michael foi agraciado com oito premiações no Guinness, entre elas o recorde de vendas de “Thriller” – que já passavam das 104 milhões de unidades – e os postos de primeiro artista a ganhar mais de cem milhões de dólares em um ano, a vender mais de 100 milhões de álbuns fora dos Estados Unidos e a acumular uma fortuna aproximada de 8 bilhões de dólares. Também compareceu a uma premiação de música no Japão e foi premiado como o artista-mor daquele País. Dois anos depois, ao completar seus 50 anos, ganharia de presente uma coletânea interativa – os fãs escolhiam que faixas deveriam entrar – lançada em vários países, “King of pop”. O mundo ainda o admirava.
O projeto de retornar à mídia seria concretizado em breve – só não se sabia quando. Michael andava compondo e gravando material novo em estúdios desde que fora absolvido de seu último escândalo sexual, em 2005. Dizia ter 30, 40, 50 possíveis faixas em mãos. Recentemente, havia aparecido com um aspecto mais saudável, menos esquálido e com o rosto menos avariado. Por isso sua morte em junho passado gerou tanta surpresa, tanto clamor popular, tantas manifestações e tributos em Londres, em Tóquio, em Nova Iorque, em Paris, até no Brasil. Ninguém esperava, ninguém queria.
Era neste ano de 2009 – mais precisamente em 10 de agosto –, que “Off the wall”, a estreia oficial de Michael no mundo pop, faria 30 anos. Não por coincidência, era também agora que o cantor pretendia sair do ostracismo e excursionar, após uma década sem presentear os fãs dessa forma. Havia impressionantes 50 shows marcados somente em Londres, e a expectativa era que outra penca de datas surgisse na Europa, na América e – quem sabe? – no Brasil. Seria uma turnê fenomenal, como nunca antes em sua carreira. Poderia vir acompanhada de um novo CD.
Foi triste ver que, para ele, o sonho acabou assim, provavelmente à base de um monte de remédios controlados e sob o estresse dos preparativos de uma turnê desde já estafante, naquele 25 de junho em Los Angeles. Dezenas de milhões de fãs, de todas as gerações, etnias, credos e nacionalidades possíveis, entram nesta segunda metade de ano com uma lacuna em suas referências musicais. Lacuna que só poderia ser preenchida por Michael Jackson, o tal “Rei do pop” que, nas palavras de um crítico da Rolling Stone, subiu como nenhum outro artista subiu na história da música. E afundou como ninguém o fez – e provavelmente fará.
Discografia
Álbuns solo (lançados pela Motown)
1. Got To Be There (1971)
2. Ben (1972)
3. Music and Me (1973)
4. Forever, Michael (1975)
5. The Best Of (1975)
6. One Day in your Life (1981)
7. Farewell my Summer Love (1984)
Álbuns solo
1. Off the Wall (1979)
2. Thriller (1982)
3. Bad (1987)
4. Dangerous (1991)
5. Invincible (2001)
Coletâneas, semi-coletâneas e edições especiais
1. Remember The Time (1992)
2. Anthology (1995)
3. HIStory: Past, Present and Future – Book I (1995)
4. Blood On The Dance Floor (1997)
5. The Millennium Collection (2000)
6. Greatest Hits: History - Vol I (2001)
7. Number Ones (2003)
8. The Ultimate Collection (2004)
9. The Essential (2005)
10. Visionary: The Video Singles (2006)
11. Thriller: 25th Aniversary Edition (2008)
12. King Of Pop (2008)
Dois discos essenciais
“Off the wall” (1979)
Classificação: *****
Por que ouvi-lo: Ao invés de recorrer a coletâneas e seleções informais na internet, você pode encontrar algumas das melhores faixas de Michael neste CD – sua estreia como artista livre das rédeas do pai.
Melhores faixas: “Don´t stop ´til you get enough”, “Rock wih you”, “Off the wall”.
“Thriller” (1982)
Classificação: *****
Por que ouvi-lo: É o grande clássico do cantor. Fora isso, um disco que diz muito sobre a época áurea da música pop, com arranjos visionários e que ditavam moda, ao invés de segui-la.
Melhores faixas: “Beat it”, “Billie jean”, “Thriller”














