<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329</id><updated>2012-02-04T09:33:29.549-03:00</updated><title type='text'>Cera de Ouvido</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>150</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4760015320964523431</id><published>2012-02-02T22:13:00.007-03:00</published><updated>2012-02-04T09:33:29.554-03:00</updated><title type='text'>Não podia ser mais brasileira</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span&gt;(Falta de) escrúpulos, infidelidade, família, amizade e afeto compõem trama de Euclydes Marinho que discutiu, sem afetação, a corrupção e a política no Brasil de hoje&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://comercial2.redeglobo.com.br/programacao/PublishingImages/20111018%20-%20O%20Brado%20Retumbante%20-%20jpc%20025.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 462px; height: 215px;" src="http://comercial2.redeglobo.com.br/programacao/PublishingImages/20111018%20-%20O%20Brado%20Retumbante%20-%20jpc%20025.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um político mulherengo, mas boa gente, com o maior jeitão de anti-herói, é alçado ao maior posto do poder executivo após um acidente que tira as vidas do presidente e do vice-presidente do Brasil. Em poucas semanas, sofre um atentado organizado pela oposição, reencontra o filho transexual, briga com um genro mau-caráter, perde a esposa para outro homem, vive a tensão de uma ameaça de conflito armado com outro país, é acusado de corrupção e descobre, da pior maneira, estar (quase) sozinho numa guerra contra um bando de criminosos de colarinho branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem teve a oportunidade de assistir a &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Brado_Retumbante"&gt;“O Brado Retumbante” (2012)&lt;/a&gt;, minissérie exibida na Globo nas últimas duas semanas de janeiro, ficou um pouco surpreso com a avalanche de histórias paralelas, escândalos e dramas que surgiram da mente do autor Euclydes Marinho; é, enfim, uma trama que, ao retratar o submundo da política, acabou mergulhando fundo, muito fundo em questões familiares e socioculturais igualmente relevantes para a sociedade brasileira. O resultado é uma das séries mais instigantes da emissora desde &lt;a href="http://naformadalei.globo.com/platb/programa/"&gt;“Na Forma da Lei”&lt;/a&gt; – e uma boa continuidade no horário que, semanas antes, abrigava a também excelente &lt;a href="http://dercydeverdade.globo.com/platb/dercy-de-verdade/"&gt;“Dercy de Verdade”&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em oito episódios, o espectador mergulha na personalidade e nos muitos conflitos de Paulo Ventura (Domingos Montagner, em boa performance), advogado e político que, por uma série de manobras e acasos, vai parar na Presidência e decide lutar contra sua maior inimiga nos tempos de Câmara: a corrupção. Casado com Maria Antônia (Maria Fernanda Cândido), Paulo está longe de ser o cara ideal em casa: não conta mais nos dedos suas amantes e mantém relacionamento conturbado com seus dois filhos, os problemáticos Júlio/Julie (Murilo Armacollo) e Marta (Juliana Schalch).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida, porém, em que decide fazer uma limpeza geral no governo, lidando com assessores, ministros e colegas corruptos, esquemas fraudulentos e até familiares que desejam obter um cargo às escondidas, Paulo passa a adquirir inimizades que porão em risco sua vida. Paralelamente, a exposição na mídia torna ainda mais conturbadas suas relações familiares – que a oposição, sob a liderança do inescrupuloso Floriano Pedreira (José Wilker), buscará usar para manchar sua imagem de homem íntegro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do que a própria emissora explorou nas chamadas e menções à série, “O Brado Retumbante” buscou, desde o início, se desvincular do estereótipo denuncista que comumente é atribuído a produções de ficção que falam do mundo político. Certamente, a narrativa quase policial dirigida por Ricardo Waddington critica e “homenageia” certas figuras e práticas do Executivo – e o faz muito bem; mais que isso, porém, as vivências de Paulo Ventura promovem uma imersão cuidadosa pelo universo da família e do comportamento humano – daquelas que algumas telenovelas das 21h, por exemplo, costumam ostentar de tempos em tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além do texto de Marinho – que não poupa palavrões, tampouco lugares-comuns da narrativa policial –, muito bem conduzido pelo elenco, a construção das cenas e ambientes em que se passa a trama é cuidadosa, deixando pouco espaço para os mais implicantes questionarem a graça da história. As sequências na Câmara dos Deputados, quase sempre protagonizadas por um Floriano, digamos, cheio de floreios (quase um Odorico Paraguaçu dos infernos, muito mais perigoso), não parecem muito diferentes das transmissões da imprensa oficial, cheias de estresses e discursos acalorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o eixo se desloca para as cenas íntimas, o resultado é ainda melhor. O “reencontro” de Paulo e seu filho/filha Julie e a descoberta da traição de sua esposa, por exemplo, não pareceriam estranhas no cinema. Da mesma forma, as sequências de ação – como as do episódio “Fronteiras”, em que Ventura se vê à beira de um conflito armado, por conta do enfrentamento do narcotráfico internacional – em nada devem às famosas e já batidas séries americanas de ação. O que não se revela negativo, no final das contas: são influências necessárias para uma série que, no final das contas, se propôs a falar muito – e em pouco tempo – sobre temas nada suaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sequência final da minissérie, como de praxe, deixa abertura a possíveis sequências: após decidir, com o apoio da família e de seus poucos aliados, lutar para vencer nas eleições presidenciais, Ventura fixa os olhos na câmera, durante um debate com o adversário (Floriano, como era de se esperar), e diz, contundente, contar com a indignação de cada um dos brasileiros para obter votos. O personagem é ficcional e mítico, infelizmente, mas deixa um recado pertinente – e o faz por meio de uma narrativa que joga lenha na fogueira sem soar panfletária ou ensimesmada. Que venha a segunda temporada – ou, quem sabe, um DVD, para permitir a mais gente (re)conhecer seus próprios vícios, virtudes e responsabilidades nessa boa trama de ficção que é a cara do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja vídeos, sinopse e ficha técnica da série &lt;a href="http://obradoretumbante.globo.com/platb/o-brado-retumbante/"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4760015320964523431?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4760015320964523431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4760015320964523431&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4760015320964523431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4760015320964523431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/02/nao-podia-ser-mais-brasileira.html' title='Não podia ser mais brasileira'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-7634319573035036353</id><published>2012-01-28T01:27:00.005-03:00</published><updated>2012-01-28T01:45:04.488-03:00</updated><title type='text'>Michael Jackson</title><content type='html'>&lt;span &gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;O consagrado “Rei do pop”, conhecido mais por seus escândalos que por suas virtudes, faleceu em 25 de junho, às vésperas de voltar aos palcos com uma turnê de 50 shows. É uma perda difícil de digerir – mas que pode incentivar uma pesquisa aprofundada em sua longeva produção musical.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.noteaqui.com/wp-content/uploads/2011/09/Michael+Jackson.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 533px;" src="http://www.noteaqui.com/wp-content/uploads/2011/09/Michael+Jackson.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="text-align: left; "&gt;Não é exagero afirmar que o dia 25 de junho de 2009 ficará marcado na história da música. Pode ser até que esqueçamos da data daqui a alguns anos – em que dia, afinal, morreram John Lennon, Elvis Presley, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Renato Russo, Cazuza? –, mas do astro que, nela, deixou o mundo... ah, disso lembraremos. Talvez nem sempre por suas qualidades artísticas, e sim por sua extravagância, por suas infindáveis polêmicas. Mas o fato é que, seja você fã ou não de Michael Jackson, o cantor-dançarino-produtor-compositor que faleceu sob circunstâncias duvidosas em sua casa, às vésperas de iniciar uma megaturnê, vai ser trabalhoso passar os próximos anos sem ouvir menções, homenagens, comentários e alusões à sua obra. Não restam dúvidas que o so-called “Rei do pop” ficará eternizado no hall da fama, lado a lado com estrelas do quilate dos falecidos que citei acima – por seus recordes, por seus excessos. Nada mais justo para um homem que viveu da – e para a – música.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Você tem duas opções para guardar a imagem de Michael Jackson em sua memória: uma delas é aquela fomentada pela imprensa marrom e pelos escândalos por ele protagonizados – a do homem excêntrico, louco até, nascido negro e morto branco, afeiçoado por criancinhas, animais bizarros e pelo sonho de vender 100 milhões de unidades de um único disco. Ou então fugir dos clichês e mergulhar fundo em um dos artistas mais complexos do século XX, conhecendo a fundo suas qualidades, seus altos e baixos. E, acima de tudo, sua trajetória musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor opção é a segunda – se tudo o que você conhece de Michael se resume aos clipes de “Thriller”, “Black or white” e às imagens que povoaram emissoras de todo o mundo em junho passado, está na hora de se atualizar. Pode até ser mórbida, essa mania de correr atrás dos discos depois que o cara morreu, mas para alguma coisa a morte há de servir, certo? Nem que seja para resolver uma dívida histórica que tenhamos para com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;De menino-prodígio a jovem astro&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.tvtelinha.com/wp-content/uploads/2010/12/jackson5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 441px;" src="http://www.tvtelinha.com/wp-content/uploads/2010/12/jackson5.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Definir o “marco zero” da carreira de Michael é, por si só, um trabalho de desmistificação. Não que pouca gente saiba que “Off the wall” não é o primeiro álbum do cantor, mas a tendência em apagar tudo o que venha antes de 1979 da memória coletiva de fato existe. A verdade é que olhar para trás e ver aquele garotinho negro e de olhos penetrantes, vestindo calças boca-de-sino e levando adolescentes aos gritos no interior dos Estados Unidos com o Jackson 5, é uma surpresa, mesmo para os fãs mais experientes. É quase como enxergar um abismo entre o menino-prodígio e o jovem astro que estourou na MTV anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irmão de oito garotos e garotas de inexplicável talento musical, criado sob rotina rígida na cidade de Gary, no estado de Indiana, Michael viveu sob as rédeas do pai Joe Jackson até atingir a maturidade. Junto a alguns de seus irmãos, o garoto tímido e de poucas palavras foi levado ainda pequeno até a gravadora Motown e posto nos moldes – leia-se: vestido e produzido como um “jovem artista negro para brancos”. A fórmula musical era simples: soul, bebop – um tipo muito peculiar de jazz –, disco, funk e até uma pitada de rock, tudo sob o comando da voz potente e naturalmente afinada do garoto. No palco, ele era um mini-astro, sorridente e seguro de si, como rezava a cartilha da Motown, e comandava os irmãos com energia natural. Era tudo que o mercado americano queria àquela época de intensas mudanças culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o Jackson 5, Michael emplacou alguns sucessos entre a segunda metade da década de 1960 e o ano de 1974. Canções como “I want you back”, “ABC”, “I´ll be there”, “Mama´s pearl”, “Dancing machine” e “The love you save”, é verdade, têm certo fundo de megaprodução artificial, mas mesmo assim demonstram o que iria resultar daquela forçação de barra de Joe Jackson: em segundo plano, o grupo The Jacksons, criado com a saída de dois dos irmãos e a rescisão do contrato com a Motown; e, em primeiro, Michael, livre para fazer o que bem entendesse em carreira solo e exercitar um de seus muitos defeitos-qualidades: o obsessivo desejo de auto-superação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Michael já havia há muito decidido fazer sucesso sem os irmãos. Pela própria Motown, ele havia lançado “Got to be there” (1971), “Ben” (1972), “Music and me” (1973) e “Forever, Michael” (1975), uma sequência de quatro discos instável, mas que bem evidencia as qualidades artísticas do cantor. Com as faixas-título “Ben” e “Got to be there”, o artista conquistou os Estados Unidos e chegou, também, a alguns países europeus. O sucesso, no entanto, ficou quase que circunscrito ao território norte-americano – “Foverer Michael”, por exemplo, rendeu dois compactos nos EUA, mas sequer chegou às lojas europeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Music and me”, um dos melhores desta fase embrionária, abre com uma bela canção, “With a child´s heart”, um soul que em nada deve às influências de Michael à época. Apesar do jeito Motown de ser, já dava para sentir o climão diferenciado do mais talentoso dos Jackson em faixas como “All the things you are, are mine” e “Johnny raven”. Aquela voz aguda e constante, que, futuramente, casaria tão bem com o visual e os passos meticulosamente calculados do cantor, transparecia uma segurança incomum em garotos adolescentes como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;A chegada ao topo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.trash80s.com.br/wp-content/uploads/2010/06/michael-jackson-thriller1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 440px; height: 299px;" src="http://www.trash80s.com.br/wp-content/uploads/2010/06/michael-jackson-thriller1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Durante uns três anos, o Michael Jackson capaz de conquistar as mais variadas gerações e sair do conforto do mercado pop dos Estados Unidos foi sendo montado. A tão celebrada parceria com o produtor Quincy Jones começou logo após o cantor concretizar um sonho de infância: o de atuar. A proeza, registrada no musical para cinema “The wiz”, de 1978, foi a única coisa da obra a ser elogiada pela crítica, o que fez Jackson alimentar por décadas a vontade – jamais concretizada – de ser rei, também, nas telonas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade sobre “Off the wall” (1979), o primeiro resultado da parceria Michael-Quincy na gravadora Epic, é que ele nunca poderia ter soado tão genial sem a dedicação doentia dos dois à obra. E, também, sem a colaboração do time de compositores escalados para compor as dez faixas do disco: Paul McCartney, Stevie Wonder e Rod Temperton, além do cantor e seu produtor. São canções que, certamente, transpareciam a busca do artista por uma verve inovadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soul, funk americano, disco, influências dele desde os tempos de Jackson 5, unem-se a uma pegada menos acústica e mais intensa que vai da faixa de abertura, “Don´t stop ´til you get enough” – sabe a vinheta de abertura do “Video show”, da TV Globo? Pois é... – até “Get on the floor”, “Off the wall” e “Burn this disco out”, todas claramente orientadas à pista de dança. E, para evitar olhares desconfiados, o ar romântico reaparece em “Rock with you”, “Girlfriend” e “She´s out of my life”, hits imediatos do disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os louros colhidos pelo trabalho são vários: posições recorde em solo americano e europeu (o Reino Unido, sempre antenado, logo abraçou o artista como se fosse seu), o primeiro Grammy – pela faixa de abertura – e a chance de emplacar o primeiro recorde de vendas. Até hoje, quase 30 milhões de cópias deste disco foram vendidas – impulsionadas, em especial, por uma versão lançada em 2001, com faixas-bônus e depoimentos de Quincy Jones no final do CD. Os olhos do mundo já estavam sobre Michael.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, o cantor se manteve junto aos irmãos no The Jacksons, lançando um álbum em 1980, e tentou se meter em um projeto mirabolante junto a Steven Spielberg, participando da narração de “E.T. – o extraterrestre”. A ideia foi logo impedida pela Sony, que entrou na Justiça, no intuito de acelerar o lançamento do novo disco. O motivo era simples: “Thriller”, o sucessor de “Off the wall” que viria a se tornar o álbum musical mais vendido da história – hoje, dizem por aí, já passou das 130 milhões de cópias vendidas – e a obra-prima da música pop, estava demorando demais para sair no mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cuidado em torno do trabalho é visível. Ao lado de Quincy, Michael voltou a buscar compositores de renome – além dos próprios, que escreveram quatro faixas – e lapidou uma sonoridade mais crua e intensa, algo que se vê logo em “Wanna be startin´ somethin´”, que traz em seu arranjo de baixo sintético os ares da década de 1980. “This girl is mine”, parceria com Paul McCartney em que o ex-Beatle até canta, não rendeu tanto como single, mas é certamente a “baladinha” mais inspirada de Michael. O dueto dos dois é emocionante, no sentido mais puro da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto do disco é tudo aquilo que você deve ter visto estrear na TV – se já era nascido à época – ou passar nas dezenas de programas-tributo posteriores à morte do cara. “Thriller”, com seu saboroso groove de baixo e sintetizador e seu clipe megalomaníaco-cinematográfico dirigido por John Landis, fez Michael ser o primeiro jovem negro a estourar na MTV. “Billie jean”, que imortalizou o moonwalk, aquele passo famosíssimo do cantor que até deu nome a filme e autobiografia, foi a segunda canção mais tocada nas rádios brasileiras em 1983. E “Beat it”, com sua guitarra hard rock tocada por Van Halen, acabou premiada pela MTV como melhor canção do ano. As três figuram, até hoje, como as faixas mais importantes da carreira de Michael. Quer prova maior da qualidade de “Thriller” que vê-las em sequência no setlist de um único disco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;“Bad”, Neverland, “Dangerous” e o sumiço&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://tiffanysilver.opensrs.cn/upload/uploadfile/2011/2011110947850933.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 471px; height: 704px;" src="http://tiffanysilver.opensrs.cn/upload/uploadfile/2011/2011110947850933.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Passado o turbilhão, a incerteza em torno do próximo álbum era grande. Tanto para a crítica quanto para Michael – a essa época, já atormentado pela mídia por suas excentricidades e trejeitos bizarros. O incômodo com a pele negra, junto a um acidente no nariz (que quebrou em um show ao início da década) e à vitiligo – doença de pele que causa despigmentação –, fizeram com que o cantor iniciasse uma série de intervenções para mudar sua fisionomia. A coisa foi vista com estranheza tanto por sua família quanto pela imprensa, que se valeu de teorias e “fontes secretas” para reforçar a imagem de quase-louco do então jovem adulto Michael. Foi assim, logo ao completar 28 anos de idade, já com os cabelos modificados, as feições andróginas e a pele clara, que ele lançou no mercado “Bad” (1987), um trabalho muito criticado pelo flerte pouco ousado com a música oitentista, mas que mesmo assim vendeu como água e rendeu sua primeira turnê mundial em carreira solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O peso de ter chegado ao topo pouco transparece por aqui, na verdade; o disco continua sendo uma fábrica de hits nos moldes de “Off the wall” e “Thriller”. Fora a faixa de abertura – que, ao contrário do que disseram à época, é, sim, muito ousada –, há “The way you make me feel”, “Smooth criminal”, “Man in the mirror” e “Dirty diana” para comprovar isso. Todas saíram como singles e alcançaram boas posições ao redor do planeta. A coesão do trabalho, o último em parceria com Quincy Jones, é resultado de um trabalho cuidadoso em torno das melodias, que conservaram o jeitão do funk e do soul, porém com o uso ostensivo de sintetizadores, e das letras, cada vez mais elaboradas. “Man in the mirror”, com seus versos desafiadores, foi um sucesso e em muito casou com a política de caridade defendida por Michael na década seguinte. Era o reflexo de um artista amadurecido, enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maturidade que, infelizmente, só transparecia na música. Cada vez mais recluso, Michael se mudou para Neverland, um rancho de custo quase inestimável feito sob medida que, para a imprensa, era uma verdadeira fonte de renda. Bizarra, a residência em que o cantor se enfurnou por 17 anos era praticamente inacessível para “gente grande” (vivia sendo visitada por crianças) e mais parecia um parque de diversões, com incontáveis referências à literatura infanto-juvenil – o nome foi tirado da clássica saga de Peter Pan – e ao mundo lúdico de Walt Disney. As entrevistas e coletivas à imprensa, já raríssimas, encerraram de vez. Enquanto muito se especulava aqui fora, os dilemas internos de Michael afloraram em Neverland. Cada vez mais frustrado – para ele, “Bad” ter vendido “só” 30 milhões de cópias àquela época era sinal de fracasso – e nervoso, ele ficou obcecado com a ideia de seu novo CD ser um sucesso absoluto e inquestionável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe até que o ponto ele ficou satisfeito, mas o fato é que “Dangerous” ultrapassou as vendas do anterior e, em questão de dois anos, já era o segundo mais vendido de sua carreira. Pouco citado nos revivals de Jackson, este disco é mais lembrado por sua turnê – a maior da história, interrompida depois de ele ser acusado pela primeira vez de abusar de um menor de idade – que por sua bem sacada incursão no som da década de 1990. O fim da parceria com Quincy Jones é visível: o produtor Teddy Riley deixou Michael à vontade para mexer com o que quisesse, contanto que fosse novidade. O resultado é um CD de ares contemporâneos que parece ter sido gravado na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora ainda estivessem em ascensão, gêneros como o rhythm n´blues e o hip hop norte-americanos figuram desde a primeira faixa do CD, “Jam”. A boa lapidação das composições segue com “Why you wanna trip on me”, “In the closet”, “Remember the time”, “Give in to me”, “Will you be there”, “Heal the world” – uma balada pop como há tempos não se via, que pôs à prova a ainda surpreendente capacidade vocal do cantor – e “Black or white”, provavelmente o último megahit de Jackson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma estética ousada, mesclada com referências históricas e uma superprodução a la “Thriller” marcaram o clipe desta canção, que saiu à época em que o CD era entregue nas lojas americanas e logo se tornou uma das estreias mais assistidas da história das emissoras musicais. O investimento em vídeos seguiu com “Give in to me” – que teve a participação de Slash, do Guns n´Roses – e “Heal the world”, dois materiais essenciais para quem quiser conhecer a fundo a carreira de Michael. Esta última canção, por sinal, serviu para que ele desse título à sua campanha de caridade na “Heal the world foundation”, responsável por arrecadar milhões de dólares e embolsar mais alguns do próprio cantor, que não teve medo em investir sua fortuna em projetos de apoio a crianças de todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O “adeus” de “Invincible”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos dez anos, pouco se ouviu falar sobre a música de Michael Jackson, à exceção da época da vultosa campanha de divulgação de “HIStory: past, present and future – Book I” (1995), um CD duplo de vendagem absurda (30 milhões de cópias, novamente – e Michael ainda estava inseguro de seu sucesso) que tinha, entre suas trinta faixas, alguns sucessos remasterizados e canções inéditas. Do álbum, saíram alguns sucessos como “Earth song”, “They don´t care about us” – aquela cujo clipe foi filmado no Brasil, no Rio de Janeiro e em Salvador – e a excelente “Scream”, um dueto-duelo entre Michael e sua irmã mais nova Janet de sonoridade (e videoclipe) moderníssimos. No mais, o CD ainda motivou uma longa turnê de ingressos esgotados na Europa, que superou até mesmo a “Dangerous tour”, com um total de 4,5 milhões de espectadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente seis anos depois de “HIStory” os fãs teriam acesso a material 100% inédito com “Invincible” (2001), o último lançamento de Jackson (em vida, diga-se de passagem; tem coisa vindo por aí). O problema é que, após anos de porradaria com o alto staff da Sony, Michael acabou tendo a divulgação do disco prejudicada, o que o fez ter uma vendagem considerada fraca para seus padrões: “só” 17 milhões. Canções vazaram na internet, cantor e gravadora não entraram em acordo sobre que single lançar primeiro, Michael se negou a gravar clipes para os primeiros compactos; enfim, tudo deu errado. E este álbum, que certamente não é o melhor de sua carreira, mas ostenta várias qualidades, acabou indo parar na sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Superados os problemas, uma audição atenta mostra que “Invincible” tinha tudo para dar certo. Em dez anos, Michael resolveu ousar: gravou sozinho o instrumental de várias canções, entre elas “Unbreakable” – que abre o CD – e a ótima “You rock my world”, sucesso relativo à época de seu lançamento. Nas parcerias de composição, o trabalho é, regra geral, interessante: em “2000 Watts”, o R&amp;amp;B americano dá as caras com uma falta de sutileza que surpreende. “Invincible” segue na mesma linha, com seus arranjos crus que dão ênfase à rouquidão do cantor em sua fase madura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma coisa é verdade: em faixas como “Cry”, “Butterflies”, “Break of dawn” e “The lost children”, já não consta a atmosfera quase etérea das gravações comerciais anteriores de Michael. Eram apenas músicas de rádio, iguais às que dezenas de outros cantores e cantoras da indústria americana lançavam de mês em mês. É por isso, talvez, que a qualidade de “Invincible” tenha sido tão questionada – mesmo a Rolling Stone, que nunca economizou nos elogios ao cantor, deu “apenas” três estrelas ao CD. Os efeitos do fim precoce da divulgação, após a ruptura com a Sony, resultou em vendas decrescentes: o álbum só chegou à primeira posição em treze países. No Brasil, nunca passou do oitavo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mg43mpmW208/TrNALKmHEYI/AAAAAAAACQg/gOOnpaSoR3M/s1600/invincible_003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 500px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-mg43mpmW208/TrNALKmHEYI/AAAAAAAACQg/gOOnpaSoR3M/s1600/invincible_003.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A decadência daqui em diante você, leitor, provavelmente conhece. Mais escândalos envolvendo abusos sexuais – nunca comprovados – surgiram, obrigando o cantor a atravessar meses e mais meses enfurnado no rancho Neverland, longe dos flashes da imprensa. Dívidas e mais dívidas resultantes de suas quebras de contrato e compras excêntricas fizeram-no desistir de alguns projetos milionários – Neverland incluído, logo após o fim do processo criminal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um documentário lançado em 2003 chamado “Living with Michael Jackson”, feito pelo jornalista Martin Bashir, mostrou ao mundo o agravo das condições psicológicas do cantor. Suas feições estavam ainda mais deformadas, resultado das intervenções cirúrgicas e dos problemas de saúde decorrentes do estresse; seus filhos só faziam aparições públicas com máscaras cobrindo seus rostos. Suas frases não tinham mais a profundidade de antes. Era um reflexo de que o astro pop, em sua maturidade, já não se reconhecia naquela carcaça. Ou então odiava tanto o que via que tentava, a todo custo, negar a própria identidade e, dela, afastar os próprios filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, em 2006, Michael foi agraciado com oito premiações no Guinness, entre elas o recorde de vendas de “Thriller” – que já passavam das 104 milhões de unidades – e os postos de primeiro artista a ganhar mais de cem milhões de dólares em um ano, a vender mais de 100 milhões de álbuns fora dos Estados Unidos e a acumular uma fortuna aproximada de 8 bilhões de dólares. Também compareceu a uma premiação de música no Japão e foi premiado como o artista-mor daquele País. Dois anos depois, ao completar seus 50 anos, ganharia de presente uma coletânea interativa – os fãs escolhiam que faixas deveriam entrar – lançada em vários países, “King of pop”. O mundo ainda o admirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O projeto de retornar à mídia seria concretizado em breve – só não se sabia quando. Michael andava compondo e gravando material novo em estúdios desde que fora absolvido de seu último escândalo sexual, em 2005. Dizia ter 30, 40, 50 possíveis faixas em mãos. Recentemente, havia aparecido com um aspecto mais saudável, menos esquálido e com o rosto menos avariado. Por isso sua morte em junho passado gerou tanta surpresa, tanto clamor popular, tantas manifestações e tributos em Londres, em Tóquio, em Nova Iorque, em Paris, até no Brasil. Ninguém esperava, ninguém queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era neste ano de 2009 – mais precisamente em 10 de agosto –, que “Off the wall”, a estreia oficial de Michael no mundo pop, faria 30 anos. Não por coincidência, era também agora que o cantor pretendia sair do ostracismo e excursionar, após uma década sem presentear os fãs dessa forma. Havia impressionantes 50 shows marcados somente em Londres, e a expectativa era que outra penca de datas surgisse na Europa, na América e – quem sabe? – no Brasil. Seria uma turnê fenomenal, como nunca antes em sua carreira. Poderia vir acompanhada de um novo CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi triste ver que, para ele, o sonho acabou assim, provavelmente à base de um monte de remédios controlados e sob o estresse dos preparativos de uma turnê desde já estafante, naquele 25 de junho em Los Angeles. Dezenas de milhões de fãs, de todas as gerações, etnias, credos e nacionalidades possíveis, entram nesta segunda metade de ano com uma lacuna em suas referências musicais. Lacuna que só poderia ser preenchida por Michael Jackson, o tal “Rei do pop” que, nas palavras de um crítico da Rolling Stone, subiu como nenhum outro artista subiu na história da música. E afundou como ninguém o fez – e provavelmente fará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;Discografia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Álbuns solo (lançados pela Motown)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.   Got To Be There (1971)&lt;br /&gt;2.   Ben (1972)&lt;br /&gt;3.   Music and Me (1973)&lt;br /&gt;4.   Forever, Michael (1975)&lt;br /&gt;5.   The Best Of (1975)&lt;br /&gt;6.   One Day in your Life (1981)&lt;br /&gt;7.   Farewell my Summer Love (1984)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Álbuns solo&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.   Off the Wall (1979)&lt;br /&gt;2.   Thriller (1982)&lt;br /&gt;3.   Bad (1987)&lt;br /&gt;4.   Dangerous (1991)&lt;br /&gt;5.   Invincible (2001)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Coletâneas, semi-coletâneas e edições especiais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.   Remember The Time (1992)&lt;br /&gt;2.   Anthology (1995)&lt;br /&gt;3.   HIStory: Past, Present and Future – Book I (1995)&lt;br /&gt;4.   Blood On The Dance Floor (1997)&lt;br /&gt;5.   The Millennium Collection (2000)&lt;br /&gt;6.   Greatest Hits: History - Vol I (2001)&lt;br /&gt;7.   Number Ones (2003)&lt;br /&gt;8.   The Ultimate Collection (2004)&lt;br /&gt;9.   The Essential (2005)&lt;br /&gt;10.  Visionary: The Video Singles (2006)&lt;br /&gt;11.  Thriller: 25th Aniversary Edition (2008)&lt;br /&gt;12.  King Of Pop (2008)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dois discos essenciais&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Off the wall” (1979)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Classificação: &lt;span&gt;&lt;b&gt;*****&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por que ouvi-lo: Ao invés de recorrer a coletâneas e seleções informais na internet, você pode encontrar algumas das melhores faixas de Michael neste CD – sua estreia como artista livre das rédeas do pai.&lt;br /&gt;Melhores faixas: “Don´t stop ´til you get enough”, “Rock wih you”, “Off the wall”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;“Thriller” (1982)&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Classificação: &lt;span&gt;&lt;b&gt;*****&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por que ouvi-lo: É o grande clássico do cantor. Fora isso, um disco que diz muito sobre a época áurea da música pop, com arranjos visionários e que ditavam moda, ao invés de segui-la.&lt;br /&gt;Melhores faixas: “Beat it”, “Billie jean”, “Thriller”&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span&gt;Nota de esclarecimento: A coluna desta semana é "reprise". Traz um texto que fiz, ao final de 2009, para a revista online Excesso de Magenta, sobre a trajetória de Michael Jackson. Espero que gostem. Caso queiram ler a revista, que está em processo de renovação e deve ter sua quinta edição lançada em breve, é só &lt;a href="http://issuu.com/excesso_de_magenta/docs/em04"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-7634319573035036353?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/7634319573035036353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=7634319573035036353&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7634319573035036353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7634319573035036353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/01/michael-jackson.html' title='Michael Jackson'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-mg43mpmW208/TrNALKmHEYI/AAAAAAAACQg/gOOnpaSoR3M/s72-c/invincible_003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-2878631779513420439</id><published>2012-01-19T11:56:00.010-03:00</published><updated>2012-01-21T00:05:18.830-03:00</updated><title type='text'>O remake faz sucesso - de novo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;Com história simples e cativante, versão 1993 de "Mulheres de Areia" alcança bons índices de audiência nas tardes da Globo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://i0.ig.com/bancodeimagens/8e/l6/pw/8el6pwuh92sufg9fym0538uzk.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 452px; height: 298px;" src="http://i0.ig.com/bancodeimagens/8e/l6/pw/8el6pwuh92sufg9fym0538uzk.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dualismos, gêmea boa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;versus&lt;/span&gt; gêmea má, “quem matou?”, poluição ambiental, vida caiçara e paisagens praianas. A fórmula parece boba, mas, escrita e conduzida nas mãos certas, conseguiu se transformar em um curioso sucesso nas tardes semanais da Globo. Posta no “Vale a pena ver de novo” com a intenção de comemorar 60 anos da telenovela no Brasil, &lt;a href="http://tvg.globo.com/novelas/mulheres-de-areia/"&gt;“Mulheres de Areia”&lt;/a&gt;, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;remake&lt;/span&gt; da obra de Ivani Ribeiro exibido em 1993, voltou a se tornar fenômeno – frequentemente, suas personagens e tramas vão parar nos tópicos mais falados do Twitter, do mesmo jeito que dominaram as conversas cotidianas à época de sua primeira exibição. A audiência se aproxima até mesmo de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Clone"&gt;“O Clone”&lt;/a&gt;, fenômeno de Glória Perez reprisado no mesmo horário no ano passado. Tem motivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto num olhar de leigo quanto em um esforço crítico mais cuidadoso, a resposta é sim. E boa parte da justificativa vem da autoria: se a sinopse e o argumento de “Mulheres de Areia” parecem não empolgar à primeira leitura, basta assistir à obra para se convencer de que, mais uma vez, o melodrama “vence” o bom senso – ou seria o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;preconceito&lt;/span&gt;? – e se prova capaz de divertir o espectador sem recorrer a truques baixos do folhetinesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história, simples (mas não simplória) como toda boa novela das 18h, está centrada nas figuras de Ruth e Raquel (Glória Pires), irmãs gêmeas de personalidades distintas que se envolvem com Marcos (Guilherme Fontes). Após conhecer Ruth, o lado “bom”, Marcos é enganado e se apaixona por Raquel, que está interessada em seu dinheiro e mantém encontros com o mau-caráter Wanderley (Paulo Betti), mesmo após casar com ele. Outros personagens, como o prefeito Breno (Daniel Dantas) e seu inescrupuloso vice (e pai de Marcos) Virgílio (Raul Cortez), o escultor deficiente Tonho da Lua (Marcos Frota) e o problemático casal Alaôr (Humberto Martins) e Malu (Viviane Pasmanter), também servem para dar consistência à narrativa, que se passa na fictícia cidade de Pontal D´Areia, próxima à cidade do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para inserir tramas paralelas na história – cuja &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mulheres_de_Areia"&gt;versão original fora exibida na TV Tupi, em 1973&lt;/a&gt;, com Eva Wilma como protagonista –, Ivani recorreu a outra obra sua, “O Espantalho” (1977); é dela que vêm as polêmicas envolvendo a poluição das praias de Pontal e as brigas entre Virgílio e os moradores locais, por exemplo. Cruzando referências, a “Mulheres de Areia” dos anos 1990 se tornou superior à original; um romance com tons melodramáticos, certamente, mas conduzido de forma envolvente pela direção de Wolf e pelo texto de Ivani – uma das mais queridas autoras dos tempos de ouro da ficção de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.vagalume.com.br/mulheres-de-areia-novela/images/g42992.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 450px; height: 289px;" src="http://www.vagalume.com.br/mulheres-de-areia-novela/images/g42992.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O elenco também teve papel fundamental. Glória Pires, por exemplo, fez um trabalho quádruplo impressionante ao interpretar tanto Ruth e Raquel quanto Raquel fingindo-se Ruth e vice-versa; a postura singular e inconfundível de cada personagem é comparável, apenas, às gêmeas interpretadas por Eva Wilma na “Mulheres de Areia” original. Outros destaques são Raul Cortez como Virgílio Assunção e o famigerado Tonho da Lua, de Marcos Frota (&lt;span style="font-style:italic;"&gt;foto&lt;/span&gt;) – a um tempo só afetado e natural, histérico e cativante, na pele de um jovem e talentoso portador de deficiência intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande diferencial de “Mulheres de Areia”, porém, é justamente não ter as mesmas qualidades de outros clássicos tarimbados da TV brasileira: a saber, a verve politizada/engajada, a aposta na verossimilhança, a exuberância das paisagens ou a megalomania dos cenários e tramas. Este pequeno clássico de Ivani Ribeiro é a prova de que o clichê &lt;span style="font-style: italic;"&gt;menos é mais&lt;/span&gt; cabe perfeitamente à ficção seriada; tem como principal trunfo não o excesso, mas a simplicidade. Afinal, todo mundo – crianças, adultos, homens mulheres – dá umas boas risadas e se diverte com as estripulias de uma Raquel, a inocência de uma Ruth e os trejeitos de um Tonho da Lua. Real não é, mas diverte. E é isso que importa.&lt;br /&gt;&lt;span style="display: block;" id="formatbar_Buttons"&gt;&lt;span class="" style="display: block;" id="formatbar_CreateLink" title="Link" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" onmouseout="ButtonHoverOff(this);" onmouseup="" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 8);ButtonMouseDown(this);"&gt;&lt;img src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" alt="Link" class="gl_link" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: arial;"&gt;Veja cenas de "Mulheres de Areia" &lt;a href="http://www.youtube.com/results?search_query=mulheres+de+areia&amp;amp;oq=mulheres+de+areia&amp;amp;aq=f&amp;amp;aqi=&amp;amp;aql=&amp;amp;gs_sm=e&amp;amp;gs_upl=0l0l0l240l0l0l0l0l0l0l0l0ll0l0"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-2878631779513420439?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/2878631779513420439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=2878631779513420439&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2878631779513420439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2878631779513420439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/01/o-remake-faz-sucesso-de-novo.html' title='O remake faz sucesso - de novo'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-470297624043463177</id><published>2012-01-06T11:36:00.005-03:00</published><updated>2012-01-14T17:32:10.672-03:00</updated><title type='text'>O primeiro passo em falso</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;No instável “Mylo Xyloto”, Coldplay sinaliza crise de identidade ao alternar canções memoráveis a incursões pop de gosto duvidoso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://m.i.uol.com.br/musica/2011/08/12/capa-do-disco-mylo-xyloto-da-banda-coldplay-2011-1313155485974_300x300.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://m.i.uol.com.br/musica/2011/08/12/capa-do-disco-mylo-xyloto-da-banda-coldplay-2011-1313155485974_300x300.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Candidato natural a ocupar o posto de maior grupo de pop e rock do século XXI quando o U2 anunciar sua aposentadoria, o quarteto inglês Coldplay tem lutado para emplacar hits e lançar álbuns que vendem como água. Não é tarefa difícil para Chris Martin (vocal, guitarra, teclado), Guy Berryman (baixo), Jon Buckland (guitarra) e Will Champion (bateria): inicialmente comparados a Oasis, Radiohead e outros grupos nascidos na esteira do britpop, os músicos acabaram por criar uma sonoridade sofisticada e agradável aos ouvidos que, além de comercialmente bem sucedida, se tornou sinônimo do pop rock dos anos 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era de surpreender, portanto, que o sucessor de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Viva_la_Vida_or_Death_and_All_His_Friends"&gt;“Viva la Vida or Death and All His Friends” (2008)&lt;/a&gt; fosse cercado de imensa expectativa; quatro discos depois, já na virada da década, o Coldplay pretendia fazer o que consigo mesmo? Chutar o pau da barraca ou arriscar no repetido – e já aceito? A resposta, não tão empolgante quanto Martin prometera a seus fãs, está em “Mylo Xyloto”, lançado em 2011 e produzido por Brian Eno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, o álbum está longe de quebrar paradigmas sonoros do Coldplay: os refrões épicos, os falsetes de Martin, os riffs claramente inspirados em U2 e as letras densas, mas inteligíveis – tudo está aqui. A grande diferença está na forma, e não no conteúdo: com uma sonoridade marcada por timbres sintetizados e efeitos de gosto questionável para os fãs mais conservadores, o disco parece ter ido um pouco além da conta – além do que &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/X%26Y"&gt;“X &amp;amp; Y” (2005)&lt;/a&gt;, um trabalho de extremo bom gosto, ainda que distante do rock, teve coragem de apresentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso fica claro desde os singles &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1G4isv_Fylg&amp;amp;ob=av2e"&gt;“Paradise”&lt;/a&gt; e “Just like Heaven”: são belas canções, certo, mas... pessimamente arranjadas em estúdio, com destaque para os efeitos vocais na segunda e para a bateria sintetizada na primeira. Não à toa, soam, ao vivo, como canções inéditas – e muito superiores às de “Mylo Xyloto”. No mesmo rumo, “Princess of China”, a incursão pseudoétnica com participação da popstar Rihanna, mais parece tirada de um disco da própria que uma composição do Coldplay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há, no entanto, muita coisa boa em meio aos caprichos estéticos do quarteto. Com arranjos inspirados e uma sonoridade que remete aos melhores momentos de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Rush_of_Blood_to_the_Head"&gt;“A Rush of Blood to the Head” (2002)&lt;/a&gt;, “Major Minus”, “Don´t Let it Break Your Heart” e “Charlie Brown” são, no mínimo, memoráveis: bons exemplos de que, ao contrário do que se andou falando, o Coldplay não perdeu por completo sua verve criativa. Sozinhas, já valem todo o restante do álbum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, “Mylo Xyloto” deixa a impressão de que, caso desejem ser os carros-chefe do pop rock nas próximas décadas, Martin, Berryman, Buckland e Champion terão que, antes de tudo, se preocupar em consolidar suas referências e fazer discos estáveis, que reflitam uma forma específica de pensar (e fazer) música. Parece exagero, mas “Princess of China” e “Major Minus” simplesmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não deveriam estar no mesmo disco&lt;/span&gt;. O Coldplay passa por uma crise de identidade que Grammys, críticas favoráveis, 50 milhões de discos vendidos e shows em estádios lotados não são capazes de disfarçar. E “Mylo Xyloto” é a prova viva disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Nota:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; 7,5&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:100%;" &gt;Destaques:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; “Major minus”, “Paradise”, “Charlie Brown”&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Baixe&lt;/span&gt; &lt;a href="http://www.4shared.com/zip/NYK6mJBM/mylo_xyloto.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-470297624043463177?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/470297624043463177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=470297624043463177&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/470297624043463177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/470297624043463177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/01/o-primeiro-passo-em-falso.html' title='O primeiro passo em falso'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8999242722597596454</id><published>2012-01-03T12:23:00.005-03:00</published><updated>2012-01-07T21:28:53.348-03:00</updated><title type='text'>O bom e (nada) velho Strokes</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;Após cinco anos sem lançamentos, grupo que reavivou o rock de garagem aposta em múltiplas sonoridades com “Angles”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cougarmicrobes.com/wp-content/uploads/2011/04/The-Strokes-Angles.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://www.cougarmicrobes.com/wp-content/uploads/2011/04/The-Strokes-Angles.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pode-se afirmar, sem muito medo de soar exagerado, que poucos grupos representam tão bem o espírito dos anos 2000 quanto o The Strokes. Criado em Nova Iorque, o quinteto estreou com “&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Is_This_It"&gt;Is This It&lt;/a&gt;” (2001), disco que reavivou o rock de garagem e o pôs no centro das atenções com décadas de atraso. O visual bagunçado, as letras simples, os instrumentais pegajosos e os vocais nitidamente inspirados nos anos 1960 e 1970 eram coisa que não se via junta – e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;prestando&lt;/span&gt; – há tempos; os lançamentos seguintes, “&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Room_on_Fire"&gt;Room on Fire&lt;/a&gt;” (2003) e “&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/First_Impressions_of_Earth"&gt;First Impressions of Earth&lt;/a&gt;” (2006), reiteraram a impressão de que se estava diante de um grupo que, ao invés de olhar para o passado, iria influenciar gerações seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o tempo passa – e, com ele, as modinhas da indústria fonográfica. O rótulo indie logo se provou uma armadilha e os grupos que pegaram carona nele, por sua vez, se revelaram superestimados; somente alguns, como os Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand, conseguiram dar continuidade a seu trabalho sem soar como cópias de si mesmos. É aí que reside a importância de “Angles” (2011), primeira incursão do Strokes na década de 2010: provar ao ouvinte que Julian Casablancas (voz), Albert Hammond Jr. (guitarra), Nick Valensi (guitarra), Nikolai Fraiture (baixo) e Fabrizio Moretti (bateria) ainda são capazes de se reinventar. E que, mesmo após cinco anos de expectativa, o disco consegue soar tão atual e promissor quanto “Is This It”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do álbum anterior e sua animada "You Only Live Once", “Angles” começa em tom experimental com “&lt;a href="http://www.blogger.com/www.youtube.com/watch?v=lZOYg2Qy7HM"&gt;Macchu Picchu&lt;/a&gt;”, que mescla uma sonoridade étnica ao típico som sujo e minimalista das guitarras de Valensi e Hammond Jr. Na sequência, porém, vêm dois hits naturais, característicos do grupo: “&lt;a href="http://www.blogger.com/www.youtube.com/watch?v=_l09H-3zzgA"&gt;Under Cover Of Darkness&lt;/a&gt;”, espécie de pastiche modernizado dos tempos de “Is This It”, e a divertida “Two Kinds of Happiness”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esse início, poderia se esperar um álbum dedicado a relembrar as qualidades de seus antecessores – mas os minutos seguintes quebram essa impressão. Resultado das experiências de carreira solo de Julian e Albert, além de projetos paralelos dos demais membros (que finalmente começaram a colaborar nas composições), as canções de “Angles” são, como o título do álbum sugere, representantes de direcionamentos cada vez mais divergentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma ainda mais explícita que nos tempos de “Room on Fire”, a matriz oitentista do Strokes marca presença em faixas como “Taken for a Fool” – provavelmente a melhor do álbum – e “Games”, repleta de sons sintetizados; “Gratisfaction”, por sua vez, apela para uma simplicidade quase infantil e se sai bem, com um dos refrões mais interessantes que o Strokes já compôs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar a mistura de referências, há canções mais suaves, como “Call me back” e “Life is Simple in the Moonlight”, que, na segunda metade dos 35 minutos de música, servem para acalmar os ânimos e identificar uma verve melódica nos músicos – sobretudo em Julian, que, tanto aqui como em seu trabalho solo, se revela um vocalista e letrista bem superior àquele dos tempos de “Last Nite”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma entrevista, às vésperas do lançamento de “Angles”, o guitarrista Nick Valensi afirmou que, a despeito de suas qualidades, o álbum não era capaz de corresponder às expectativas do público. Tão difícil concordar com ele quanto contradizê-lo – afinal, cinco anos não são fáceis de aguentar, e, depois de tantos atrasos e especulações, o que se quer é um trabalho, no mínimo, revolucionário. Certamente “Angles” não o é – mas chega perto, o que já é muito em tempos de poucas novidades e muitas auto-referências e jargões sonoros. Ouça sem medo de se decepcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote  style=" color: rgb(102, 102, 102); font-weight: bold;"&gt;&lt;span &gt;Nota: 9,5&lt;br /&gt;Destaques: “Macchu Picchu”, “Taken for a Fool”, “Life is Simple in the Moonlight”&lt;br /&gt;Baixe &lt;a href="http://www.4shared.com/rar/lbAQkxHQ/Angles.htm"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8999242722597596454?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8999242722597596454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8999242722597596454&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8999242722597596454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8999242722597596454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/01/o-bom-e-nada-velho-strokes.html' title='O bom e (nada) velho Strokes'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-277664401747970429</id><published>2012-01-02T08:24:00.007-03:00</published><updated>2012-01-02T08:58:27.644-03:00</updated><title type='text'>A arte que fala - sem clichês ou exotismos - da Amazônia</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com atividades no cinema, no teatro e na literatura, Adriano Barroso completa 25 anos de carreira com projetos que, cada qual à sua maneira, propõem um novo olhar sobre o cotidiano local&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://diariodopara.diarioonline.com.br/imagensdb/085303copia_de_barroso.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 532px;" src="http://diariodopara.diarioonline.com.br/imagensdb/085303copia_de_barroso.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que o melhor jeito de se fazer um trabalho sólido no campo artístico é se dedicar, de maneira exclusiva (e quase obsessiva), a um único ramo. Para Adriano Barroso, porém, a lógica é inversa: ao longo de mais de 25 anos de carreira, o paraense tem transitado pelo teatro, pelo cinema e pela literatura com naturalidade. Tudo com a intenção de, sem muita afetação ou apelo ao exotismo, enunciar a região amazônica e propor novos olhares sobre sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A julgar pelas obras que tem desenvolvido, seja como ator, diretor, dramaturgo ou roteirista, a empreitada tem dado certo. No currículo de Adriano, estão curtas premiados, como “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=BwOC2uQffjc"&gt;Matinta&lt;/a&gt;” (2010), de Fernando Segtowick, e “Ribeirinhos do Asfalto” (2011), de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=iEPnSHaJ9CQ"&gt;Jorane Castro&lt;/a&gt;, além de longas-metragens como “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZsjP2caczp4"&gt;Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios&lt;/a&gt;” (2011), de Beto Brant e Renato Ciasca, protagonizado por Camila Pitanga e rodado no Oeste do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Premiados e exibidos em festivais Brasil afora, os filmes apresentam, cada qual à sua maneira, as vivências cotidianas, embates sociais e lendas populares do Norte com uma linguagem universal. Enunciação que, sob a ótica das artes visuais e da resistência cultural, também se repete no livro “&lt;a href="http://www.orm.com.br/projetos/oliberal/interna/default.asp?modulo=248&amp;codigo=570143"&gt;A paixão segundo o Gruta&lt;/a&gt;”, de autoria de Adriano, que narra os 43 anos de atividade do grupo de teatro icoaraciense Gruta, e em diversos espetáculos, como “Aldeotas”, em cartaz ao longo de 2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista ao &lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(255, 102, 0);"&gt;Cera de Ouvido&lt;/span&gt;, Barroso fala de seus atuais projetos e defende que a linguagem artística pode conferir visibilidade ao Pará e à Amazônia sem soar regionalista. “Não quero fazer cinema ou teatro paraense, quero fazer cinema ou teatro brasileiro”, exemplifica. “Os rótulos, prefiro deixá-los para quem quiser se comportar assim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Completaste 25 anos de carreira no teatro, no cinema e na literatura. Acreditas estar, agora, vivendo uma espécie de auge?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso dizer que estou vivendo um momento muito especial. Tenho viajado muito, consegui quebrar a barreira da distância que é trabalhar em nosso Estado. No Nordeste, estou filmando "O Periscópio"; também estou no teatro em cartaz com "Aldeotas", do Gero Camilo, e já fechei mais duas produções de longa metragem para 2012.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O filme “Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios” foi rodado no Oeste do Estado. Que retrato achas que a obra faz da região em que foi filmada? Apesar de ser um filme de relacionamento, psicológico, também deve trazer algo sobre a realidade daquele local...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto o Beto Brant como o Renato Ciasca são muito respeitosos. Eles fazem cinema com seriedade, talento e sensibilidade, fizeram questão de se misturar com as pessoas do lugar. No roteiro (e no livro do Marçal Aquino, que baseia a obra), havia um clima de insegurança no ar por causa da briga entre a comunidade e o pessoal do garimpo. Mas, quando o Beto e o Renato chegaram a Santarém, perceberam havia uma briga local entre os índios e os madeireiros, porque eles estavam invadindo as terras e desmatando sem controle. Em um dos embates, a coisa saiu de controle e um grupo de índios acabou tocando fogo em uma balsa cheia de toras de madeira. Ato que rendeu aos lideres do movimento indígena (Dadá e Dinael) um processo judicial, pois os madeireiros estimaram a perda em mais de R$ 2 bilhões de reais. Os dois foram jurados de morte e andam com proteção policial. Quando o Beto soube do acontecido, meteu a mão no roteiro e colocou o imbróglio no filme. Está lá, no filme, toda a briga e até mesmo a reconstituição do ato das balsas. Isso e outras ações pequenas dos diretores demonstram o quanto eles atuaram com respeito à região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Leste a obra do Marçal Aquino? Como foi tua preparação para viver teu personagem? O que achaste, de forma geral, da adaptação? Por teres vínculo tanto com cinema/teatro quanto com literatura, deve ser interessante trabalhar com as duas coisas e ver esse processo de transposição...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ser convidado para fazer o filme eu já era um leitor do Marçal Aquino. Em meu escritório, os livros dele figuram em um lugar especial, aquele dos mais lidos e relidos. Também já era fã do Beto Brant, em meu top 10 do cinema figuram dois filmes do Beto (“O Invasor” e “Ação entre amigos”), então quando eles me convidaram achei que foi um presente dos céus, em uma única tacada estaria trabalhando com dois dos meus ídolos do cinema e da literatura. Aprendi muito com todo o processo, o que o Beto e Renato fizeram com o livro foi lindo demais. Aprendi, sobretudo, que adaptar uma obra literária precisa de uma certa liberdade, pois são duas linguagens diferentes e duas obras singulares. Quando vi o filme pronto, caí pra trás. A montagem propõe aos expectadores que vivam junto o filme, preencham as lacunas. Nada é dado de graça. É cinema vivo e partilhado com o público, para que os dois tenham experiências vivas. Certamente esse foi o trabalho que mais tirei dividendos. Foi uma reunião de artistas. Todos os atores do elenco dividiram experiências, trocaram projetos futuros. De lá também nasceu música, além de projetos de teatro que juntarão no ano que vem também a Camila Pitanga e o Gustavo Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_g5dqbsyn5aA/TPvgixwp_QI/AAAAAAAAEnI/TVMB2m7_XUo/s1600/Matinta%2BDira%2BAdriano.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_g5dqbsyn5aA/TPvgixwp_QI/AAAAAAAAEnI/TVMB2m7_XUo/s1600/Matinta%2BDira%2BAdriano.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Outros trabalhos de relevância rodados na nossa região foram “Ribeirinhos do Asfalto” e “Matinta” (foto acima). Qual foi o papel destas duas obras em te ajudar a conquistar visibilidade como artista? E quais retornos já conquistaste a partir delas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fernando Segtowick e a Jorane Castro são os dois grandes cineastas dessa cidade, o trabalho deles vem amadurecendo ao longo do tempo. Fiquei feliz de poder participar desse amadurecimento. Com o Fernando, já é o terceiro filme de nossa parceria; com a Jorane foi meu primeiro trabalho, e espero que haja muito mais. Os dois filmes estão fazendo excelentes carreiras em festivais pelo Brasil, e é lá que as coisas acontecem – muitos contatos, trocas e, claro, mostrar nossa cara com filmes de respeito como esses dá um gás legal. Foi por meio destes filmes que consegui obter convites para as produções que estou fazendo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;De forma geral, vês alguma vantagem na linguagem de curta-metragem à hora de retratar universos culturais ainda “exóticos” pra muita gente do País – como a Amazônia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, desse papo de exotismo não gosto muito, não. Tanto o “Ribeirinhos” como o “Matinta” são filmes diferentes, mostram nossa região sem esse tom exagerado de regionalismo barato. Apesar de o “Matinta” ser um filme mais mitológico, a historia que contamos é universal, bem como essas histórias de vampiros e bruxas que o cinema comercial explora bastante. Contamos uma lenda que o público nacional pode alcançar sem precisar conhecer a região. No “Ribeirinhos”, apresentamos uma Belém urbana com todos os problemas e as vantagens disso, mas sobretudo contamos uma história em que a cidade é o cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Achas que o audiovisual e o teatro locais estão cumprindo um papel interessante no sentido de apresentar imagens menos estereotipadas do cotidiano do Pará? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos fazendo cinema, de verdade. Não há a preocupação de grifar o exótico da região. A preocupação está sempre na fábula que vamos contar e na técnica de filmar isso bem. Com o advento do cinema digital, nosso trabalho em termos financeiros foi facilitado, estamos produzindo bem mais. Mas é claro que não posso deixar de falar dos incentivos que ainda são bem precários por essas bandas. O poder publico – estadual e municipal – precisa fazer sua parte, porque estamos fazendo a nossa. Não quero fazer cinema ou teatro paraense, quero fazer cinema ou teatro brasileiro. Os rótulos, prefiro deixá-los para quem quiser se comportar assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Recentemente, lançaste o “A paixão segundo o Gruta”, livro que conta a trajetória do grupo homônimo, nascido na segunda metade do século XX em Icoaraci. De onde veio o interesse por sua história?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro fala de um grupo de teatro que vem resistindo ao tempo contra todas as dificuldades. É o segundo grupo de teatro de maior longevidade do Brasil – o primeiro é um grupo de santa Catarina – em atividade. Então reuni esforços para contar como esse grupo se iniciou, no final da década de 60, e como ele vem se organizando até os dias de hoje. É um grupo que foi perseguido pela censura na década de 1970, excomungado pela igreja católica na década de 1980, foi para as ruas protestar pela falta de políticas culturais no Estado, em 1990, e entrou nos anos 2000 antenado com todas as realidades por que passava a sociedade da virada do século. É no mínimo, uma boa história a ser contada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lançaste o livro em formato digital, ainda sem editora. Acreditas que este formato vai ajudar na divulgação e na obtenção de patrocínio para lançá-lo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro nasceu como um E-book porque o mercado editorial brasileiro não está tão aberto assim a novos escritores. Acredito que ter disponibilizado parte da obra pela internet não atrapalhará em nada – quem gosta de ler jamais abrirá mão do objeto livro. Seu cheiro, seu peso, sua capacidade de manuseamento são imbatíveis. Minha ideia é tentar captar em leis de incentivo para lançá-lo no ano que vem em uma edição do autor. Se um empresário se interessar e quiser fazer parte dessa história, estou às ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Como é o novo trabalho que estás filmando em Pernambuco? E que outros projetos tens em vista para 2012?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-96w4W1dwn3o/TdQLkDBGrtI/AAAAAAAAF40/r42CsI7vqUQ/s1600/aldeotas_foto_MarceloLelis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 448px; height: 299px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-96w4W1dwn3o/TdQLkDBGrtI/AAAAAAAAF40/r42CsI7vqUQ/s1600/aldeotas_foto_MarceloLelis.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse novo filme tem uma linguagem bem peculiar – trata de uma comunidade de pescadores que tem sua rotina modificada pela chegada de um estrangeiro sobrevivente de um acidente aéreo, tudo é visto sob o ponto de vista de um solitário habitante de um submarino. Estamos filmando em uma ilha deserta, em Barra de Serinhaém. Depois desse filme, volto a Belém para mais uma temporada do espetáculo “Aldeotas”, que faço junto ao Ailson Braga (foto acima), e logo em seguida começo a preparação para as filmagens do longa “Órfãos do Eldorado”, que é um filme baseado no romance homônimo do Milton Hatoum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-277664401747970429?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/277664401747970429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=277664401747970429&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/277664401747970429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/277664401747970429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2012/01/arte-que-fala-sem-cliches-ou-exotismos.html' title='A arte que fala - sem clichês ou exotismos - da Amazônia'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_g5dqbsyn5aA/TPvgixwp_QI/AAAAAAAAEnI/TVMB2m7_XUo/s72-c/Matinta%2BDira%2BAdriano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5260432306071851245</id><published>2011-12-24T10:02:00.004-03:00</published><updated>2011-12-24T10:14:39.114-03:00</updated><title type='text'>Suspense e terror nas mãos de Almodóvar</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com história bizarra, que aborda a vingança e a luta pela identidade, cineasta espanhol investe em novos gêneros narrativos em “A Pele que Habito”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.cinemaqui.com.br/wp-content/uploads/2011/12/a-pele-que-habito-http://www.blogger.com/img/blank.gifstill-2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 420px; height: 313px;" src="http://www.cinemaqui.com.br/wp-content/uploads/2011/12/a-pele-que-habito-still-2.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Seja para os críticos mais ferrenhos, seja para o público que vai, desavisado, assistir a um de seus filmes à espera de um dramalhão latino, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Almodóvar"&gt;Pedro Almodóvar&lt;/a&gt; é o tipo de cineasta que preza por escapar do óbvio. Mesmo com base em seus traços mais comuns - a obsessão por histórias femininas, as cores estouradas, a sexualidade explosiva das personagens etc. - sempre há algo novo no que sai de sua mente; prova disso é sua filmografia, que alterna a comédia, a ação, o romance e o drama sem dilemas existenciais. E é investindo num dos mais arriscados extremos da narrativa de cinema - o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;suspense&lt;/span&gt; - que o espanhol presenteia seus fãs com "A Pele que Habito", uma de suas mais inovadoras obras desde "&lt;a href="http://www.contracampo.com.br/66/tudosobreminhamae.htm"&gt;Tudo Sobre Minha Mãe&lt;/a&gt;" (1999).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente de seu antecessor "&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Los_abrazos_rotos"&gt;Abraços Partidos&lt;/a&gt;" (2009), "A Pele que Habito" não tem como fundo central uma história de vida marcada por tragédias - seu foco está em apontar, precisamente, suas piores consequências no presente. Para isso, ninguém melhor que a figura de Robert Ledgard (Antonio Banderas), badalado cirurgião plástico que, com apoio da governanta Marília (Marisa Paredes), mantém uma jovem paciente como refém em sua bucólica mansão no interior da Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paciente, aliás, é eufemismo: Vera (Elena Anaya) é uma cobaia. Desde a morte de sua esposa, que teve a pele dilacerada por queimaduras em um acidente e cometeu suicídio ao ver seu reflexo, Robert tem uma obsessão: desenvolver uma pele perfeita, sensível ao toque, mas resistente a qualquer agressão. De alguma forma, Vera foi a "escolhida" e chegou à situação em que se encontra - presa em um cômodo, vestida com um collant cor de pele, filmada e vigiada enquanto pratica &lt;span style="font-style:italic;"&gt;yoga&lt;/span&gt; e lê livros fornecidos pelo médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás de anos de convivência e experimentos, porém, Robert, Vera e Marília têm vínculos e histórias que vão muito além dos primeiros 30 minutos de filme. Almodóvar, aos poucos, escancara ao espectador uma terrível narrativa de vingança e obsessão - que culminará na libertação tardia de Vera, um ser em constante luta contra a perda de sua consciência e sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como muita gente, fui assistir a "A Pele que Habito" à espera de uma história policialesca, mas com toques de humor. Marca registrada do diretor espanhol, os momentos que tendem ao riso são, porém, mais raros, o que confere à obra uma dupla responsabilidade: flertar com o suspense, o terror e até a ficção científica sem cair na breguice e, ao mesmo tempo, convencer o espectador de que a história de Robert, Vera e Marília faz sentido - mesmo que de uma forma um tanto acidentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, Almodóvar desenvolveu um roteiro - baseado no famoso romance policial "&lt;a href="http://www.lalivrophile.net/mygale-de-thierry-jonquet.html"&gt;Mygale&lt;/a&gt;", de Thierry Jonquet - repleto de reviravoltas. Inicialmente um monstro interessado em desumanizar sua cobaia, Robert tem sua personalidade detalhada na segunda metade do filme; ao invés de recair em psicologismos, porém, busca-se mostrar que a relação do médico com sua paciente, mais que uma releitura de Frankestein para o século XXI, diz respeito a um antigo desejo de retomar, para si, aquilo que jamais havia sido seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com inspirações do cinema noir e um afastamento das cores fortes e vivas, o visual de "A Pele que Habito" faz jus à proposta de revisitar uma história de horror; paralelamente, as atuações firmes - e, quando necessário, assustadoras - de Banderas, Paredes e da sensual Elena Anaya reforçam as dubiedades morais do trio e preparam o espectador para o trágico desfecho da trama, em que, sabe-se lá como, tudo volta a seu estado original - ao menos aquilo que está dentro do corpo de Vera, e vivo em seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas, "A Pele que Habito" é o típico caso em que uma história de suspense acaba se revelando mais profunda e instigante do que o rótulo sugere: mais que um filme sobre a escalada maníaco-obsessiva de um cientista, trata-se de uma narrativa de identidade das mais surpreendentes que Almodóvar já pôde fazer. Uma obra, enfim, tocante, mesmo quando tenta se apresentar como mera literatura policial dos anos 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coluna de 24/12 do jornal "Amazônia". Leia o original &lt;a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=569819"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja o trailer do filme &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HCdt4M0hkQQ"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5260432306071851245?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5260432306071851245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5260432306071851245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5260432306071851245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5260432306071851245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/12/suspense-e-terror-nas-maos-de-almodovar.html' title='Suspense e terror nas mãos de Almodóvar'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6104808423269148526</id><published>2011-12-17T11:14:00.007-03:00</published><updated>2011-12-17T11:45:49.660-03:00</updated><title type='text'>Convite à melancolia</title><content type='html'>Em mais uma investida sombria, “Melancolia”, de Lars Von Trier, discute posturas humanas diante da ameaça do fim dos tempos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-SQ7VwvI8A1g/TjqUu9EVu-I/AAAAAAAABKM/_X9hzGaR494/s1600/melancolia.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 452px; height: 308px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-SQ7VwvI8A1g/TjqUu9EVu-I/AAAAAAAABKM/_X9hzGaR494/s1600/melancolia.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos de slow motion ao som de Wagner. Uma noiva, bela e irremediavelmente melancólica, tenta caminhar, mas está presa a galhos que a puxam ao solo. Pássaros mortos caem ao seu redor. Uma mãe e um filho tentam fugir, inutilmente. Uma paisagem solitária, verde; um planeta se aproxima e está prestes a atingir a Terra. O mundo inteiro e até a natureza parecem temê-lo - menos a jovem. Quando finalmente ocorre a colisão, voltamos à realidade: trata-se de um filme, e um filme em atos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afetação é pouco, mas, quando contemplado sem que se busquem significados ou entrelinhas, o prólogo de 'Melancolia', direção de Lars Von Trier, que fica em cartaz até amanhã (18), no Cine Oi Estação, se apresenta como uma obra de arte independente – mais que abertura de filme, a sequência sintetiza a proposta de base do cineasta ao anunciar sua visão do fim dos tempos em forma de cinema: nada de finais felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o início perturbador, a narrativa se desdobra e começamos a entender quem são as personagens. Tudo gira em torno de duas figuras – aparentemente – opostas. A noiva da primeira cena é Justine (Kirsten Dunst, em um desempenho impressionante), jovem que está prestes a se casar, mas não consegue controlar seus impulsos depressivos. A única pessoa capaz de ajudá-la é sua irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), que mora em uma grande propriedade junto ao marido e decide presenteá-la com a cerimônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não bastasse a tendência de Justine enxergar tudo com um desânimo patológico, um fenômeno arriscado está prestes a acontecer: um planeta, sugestivamente chamado Melancholia, está se aproximando da Terra – e há risco de que ele colida, ao invés de apenas passar perto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira metade do filme, então, se concentra no dia do matrimônio, em que Justine, Claire e o restante da família ainda ignoram o risco de morte em – falso – clima de festa. A segunda, nos dias que se antecedem ao evento que decidirá o futuro da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cineasta dos mais 'malditos', sempre mal interpretado por suas declarações – a última brincou com um suposto lado bom do nazismo (!) e rendeu polêmica em Cannes –, Von Trier é, de fato, um cara que não aprecia gracejos. Suas obras, em geral, têm uma carga pesada e buscam retratar arquétipos negativos em suas personagens, como se vê em 'Anticristo' (2009) e 'Dogville' (2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, porém, o cineasta se superou: é desafiador assistir a 'Melancolia' e não sentir, ali, a profunda angústia do autor, um depressivo há anos em luta contra a própria mente; aquela que todos nós sentimos, vez ou outra, quando diante de uma rotina inescapavelmente frágil e sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As irmãs Justine e Claire protagonizam posturas humanas opostas diante do fim. Ao invés de lutar e sofrer com a aproximação de Melancholia, Justine fica fascinada pelo planeta. Para ela, não há sentido em brigar contra ele; nem mesmo seu casamento e um emprego estável justificam a vida. Já Claire é seu contrário: embora finja transmitir controle absoluto sobre tudo, mal consegue dormir com a ideia de que seu filho não irá usufruir do que a vida tem para lhe oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A execução impecável do filme é capaz de criar uma expectativa enorme, apesar de o prólogo anunciar um final trágico. A condução cadenciada das cenas e da caracterização das tramas em nenhum momento tira a atenção, pelo contrário: de maneira engenhosa, Von Trier oferece paisagens fotográficas e diálogos extremamente inteligentes que desconstroem a aparência de ordem emocional nas vidas de Justine e Claire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final, quando Melancholia está prestes a chegar à órbita da Terra, muito pouco importa para aquelas irmãs: cada qual decidirá onde se abrigar, como rezar, como lidar com o risco da morte. E nós, espectadores, nos perguntamos que 'graça' teria vivenciar aquilo. Sabe-se lá; o que importa é que, para Von Trier e para as protagonistas, finais felizes não têm graça mesmo - e não fazem sentido, mesmo para os que mais amam a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coluna do jornal Amazônia de hoje, 17.12. Leia a original aqui: http://www.portalorm.com.br/amazonia/&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6104808423269148526?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6104808423269148526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6104808423269148526&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6104808423269148526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6104808423269148526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/12/convite-melancolia.html' title='Convite à melancolia'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-SQ7VwvI8A1g/TjqUu9EVu-I/AAAAAAAABKM/_X9hzGaR494/s72-c/melancolia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4777091254045019481</id><published>2011-12-10T10:11:00.004-03:00</published><updated>2011-12-10T11:01:00.451-03:00</updated><title type='text'>Inovação sutil no horário das 18h</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Com história e visual que fogem ao comum, “A Vida da Gente” promove quebra de paradigmas nas novelas da Globo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-slXx2smMBZE/TochVx8zopI/AAAAAAAALFY/xt6tYiP-2bM/s1600/A+Vida+da+Gente_novela_Rede+Globo_2011_2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 419px; height: 324px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-slXx2smMBZE/TochVx8zopI/AAAAAAAALFY/xt6tYiP-2bM/s1600/A+Vida+da+Gente_novela_Rede+Globo_2011_2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando “&lt;a href="http://cordelencantado.globo.com/index.html"&gt;Cordel Encantado&lt;/a&gt;” (2011), a bem sucedida mistura de conto de fadas e narrativa popular sertaneja de Duca Rachid e Thelma Guedes, teve seu último capítulo exibido, muita gente – incluindo eu – torceu o nariz; desde o remake de “&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sinh%C3%A1_Mo%C3%A7a_(2006)"&gt;Sinhá Moça&lt;/a&gt;” (2006), não aparecia novela tão bem feita e instigante no horário das 18h da Rede Globo. Pegando carona na boa audiência, porém, uma pequena obra-prima de ficção tem conseguido conquistar crítica e público: “&lt;a href="http://avidadagente.globo.com/"&gt;A Vida da Gente&lt;/a&gt;” (2011), que acaba de entrar em seu terceiro mês de exibição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sincera com o telespectador, ao mostrar-lhe justamente o mais banal do cotidiano, ao invés de mergulhar em grandes floreios, a trama da carioca Lícia Manzo tem cativado muita gente – inclusive quem detesta TV. Por quê?, alguns poderiam perguntar; uma possível resposta é que, depois de tanto dramalhão folhetinesco, nossos olhos estão atrás de algo mais suave e palpável quando sentamos no sofá. Nada melhor, para isso, que propor uma novela que, de maneira discreta, quebra uma série de paradigmas da televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua estreia como autora de novelas de horário nobre, a carioca Lícia Manzo fez isso, a começar pela sinopse: ao ser ambientada no Rio Grande do Sul, a trama propõe um sempre bem vindo deslocamento do eixo Rio-São Paulo. Na linha de frente, a história dos meio-irmãos Ana (Fernanda Vasconcellos), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Manu (Marjorie Estiano), é, paradoxalmente, tão incomum quanto possível: logo após ficar grávida e ter uma filha de Rodrigo, seu namorado, a jovem tenista Ana sofre um acidente e entra em coma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manu, com seu bom caráter e sua dedicação à família, decide ajudar o meio-irmão a criar a filha e também acaba se apaixonando por ele.  Anos depois, porém, Ana desperta – e terá de se recuperar, reconquistar a filha Júlia e entender que, num indesejável jogo do acaso, acabou sendo substituída pela irmã na vida de Rodrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente discute sobre o que, afinal, faz com que as telenovelas sejam peça tão fundamental no quebra-cabeça da identidade brasileira. Duas possíveis razões: assistir a elas nos ajuda, vá lá, a esquecer os problemas do cotidiano; por outro lado, a ficção também nos faz pensar a respeito dele, e pensar melhor – é nessa segunda categoria que “A vida da gente” se encaixa, numa posição que, antes, era ocupada sozinha pelas telenovelas das 21h de Manoel Carlos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida de Rodrigo, Ana e Manu, pontuada por figuras como a da dominadora Eva (Ana Beatriz Nogueira), mãe das garotas, e do médico Lúcio (Thiago Lacerda), que cuidou da tenista, é o fio central da narrativa – que, paralelamente, aborda questões como os atritos entre pais e filhos e o divórcio. O que é mais curioso: mesmo falando de tudo isso, “A Vida da Gente” não é uma obra panfletária ou questionadora. Pelo contrário: pretende ser “apenas” uma caixa de ressonância do dia a dia do brasileiro – o que está claro desde seu título até os diálogos e cenas vividos por suas personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do cuidado na execução da história, Lícia buscou, junto ao diretor Jayme Monjardim, dar a ela um tratamento visual diferenciado. A fotografia combina as belas paisagens de Gramado e Porto Alegre a uma série de ângulos inovadores; mesmo sequências banais, como a em que a irmã de sangue de Rodrigo, Nanda (Maria Eduarda), perde a sobrinha Júlia dentro de um shopping center, investem na ideia de que a imagem televisiva não precisa ser óbvia para ser entendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A combinação de uma história dramática – e não melodramática – e uma estética cuidadosa – e não afetada – costuma ser encontrada no cinema, mas não faz parte do manual básico da telenovela. Por quebrar tabus de forma tão delicada, “A Vida da Gente” tem mantido boa audiência, com picos de até 27 pontos, mesmo dando rumos nada previsíveis a suas tramas. Resta, agora, torcer para que a qualidade se mantenha nos próximos três meses – e que, nos moldes de “Cordel Encantado”, a obra prove que, mais que um gênero popularesco de ficção, a novela pode, e deve, ser vista como uma legítima arte de brincar com o cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Assista a algumas cenas de "A vida da gente" &lt;a href="http://avidadagente.globo.com/videos"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Coluna publicada no jornal Amazônia de 10.12.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4777091254045019481?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4777091254045019481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4777091254045019481&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4777091254045019481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4777091254045019481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/12/inovacao-sutil-no-horario-das-18h.html' title='Inovação sutil no horário das 18h'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-slXx2smMBZE/TochVx8zopI/AAAAAAAALFY/xt6tYiP-2bM/s72-c/A+Vida+da+Gente_novela_Rede+Globo_2011_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-1678438250892871645</id><published>2011-12-02T23:14:00.005-03:00</published><updated>2011-12-04T15:07:38.596-03:00</updated><title type='text'>O metal do Pará circula pelo Brasil</title><content type='html'>&lt;i&gt;Após descobrir novos-antigos fãs em turnê pelo Norte e Nordeste, Madame Saatan planeja viajar pelo resto do Brasil em 2012&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-YzIl0KdbOSk/Ttu21PwJ28I/AAAAAAAAAg0/yut9soOPJjQ/s1600/ricardo%2Bprado%2Bfutu22rama.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-YzIl0KdbOSk/Ttu21PwJ28I/AAAAAAAAAg0/yut9soOPJjQ/s320/ricardo%2Bprado%2Bfutu22rama.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5682336380735839170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A vida do quarteto de metal paraense &lt;a href="http://www.madamesaatan.com/"&gt;Madame Saatan&lt;/a&gt; andou corrida – e gratificante – nos últimos dois meses. Primeiro, um rápido passeio pelo Norte, com shows em Belém, Castanhal, Manaus e Porto Velho. Depois, capitais do Nordeste como Fortaleza, Salvador e Natal. Durante a execução da agenda de mais de 15 apresentações, ficou uma impressão: a de que, passados oito anos de estrada, o grupo conseguiu formar um público fiel nos quatro cantos do País. “As pessoas já cantam as músicas conosco. Nunca vou deixar de me impressionar com isso”, diz a vocalista Sammliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada surpreendente. Com uma carreira conduzida sem atropelos, marcada por poucos – e certeiros – passos no sempre traiçoeiro mundo da música brasileira alternativa, Sammliz, Ed Guerreiro (guitarra), Ivan Vanzar (bateria) e Ícaro Suzuki (baixo) conquistaram respeito da crítica especializada e provaram que a música do Pará não se restringe a folclore, carimbó e brega.  Os três discos na bagagem do grupo – “Tao do Caos” (2005), &lt;a href="http://www.4shared.com/file/EBSmnBfZ/Madame_Saatan_2007.html"&gt;“Madame Saatan” (2008)&lt;/a&gt; e “Peixe Homem” (2011) – são exemplos disso: cada qual, à sua maneira, reflete as experiências e o amadurecimento que o quarteto (nascido quinteto) tem vivido, das apresentações em pequenos teatros e casas de show de Belém à mudança para São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o lançamento de “Peixe Homem”, produzido por Paulo Anhaia (Velhas Virgens) e masterizado nos Estados Unidos por Alan Douches (Aerosmith e Misfits), o grupo reafirmou sua mistura de heavy, trash e prog metal e ritmos regionais – que, em faixas como “Sete Dias”, “Rio Vermelho”, “Sonâmbula” e “Respira”, se prova uma fórmula em que valeu a pena apostar. Apesar do som mais redondinho e produzido, as canções se mostram poderosas como nos tempos de “Tao do Caos”, para alívio dos fãs antigos – e para alegria do público que tem acompanhado os shows recentes de promoção do álbum, cada vez mais lotados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um bate papo com a coluna, feito em pleno final da tour pelo Nordeste e às vésperas da última apresentação do ano, no interior de São Paulo, Sammliz fala sobre a repercussão de “Peixe Homem”, a participação do Madame em festivais de música de diferentes regiões e a gravação do videoclipe de “Respira”, mais nova música de trabalho do grupo. Além disso, a cantora e letrista toca em um tema espinhoso: a dificuldade em conseguir locais para tocar... em Belém. “Tem que ter muita paciência para lidar com o preconceito”, alfineta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como tem sido a recepção do "Peixe Homem" nos shows?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As pessoas já cantam as músicas conosco. Nunca vou deixar de me impressionar com isso. O número de fã clubes pelo Brasil também tem aumentado – o que nos deixa impressionados e muito felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Por que a opção pela tour começar no Norte e Nordeste?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A meta é tocar no Brasil inteiro. A tour começou pelo Norte, passou pelo Nordeste e agora vamos partir para o Rio de Janeiro, São Paulo e para cidades no Sul. Ano que vem, a ideia é participar de muitos festivais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como foi, até agora, tocar em diferentes regiões do Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Em 2011, a banda tem tocado sozinha e com artistas dos mais variados estilos; não raro, somos a única banda de rock em algumas programações, o que nos possibilita dialogar com um público que normalmente não iria a um evento só com bandas de rock. Participar de festivais junto a artistas de MPB, rap, música regional e pop tem nos ajudado a ampliar nosso público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recentemente, vocês passaram por dificuldade para conseguir um espaço para lançar o "Peixe Homem" em Belém. No geral, vocês ainda sentem a falta de interesse dos envolvidos na política cultural em ajudar na divulgação de grupos como o Madame?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nosso disco foi patrocinado pelo Conexão Vivo através da Lei Semear e nosso show teve apoio do Governo do Estado, mas nada veio fácil. A banda tem oito anos e tivemos que trabalhar muito para ter nosso lugar ao sol em nosso próprio Estado. O rock e o rap são meio que os "patinhos feios" nesse mercado cultural local e, para se fazer representar, é preciso trabalhar dobrado. Para fazer nosso &lt;a href="http://www.diariodopara.diarioonline.com.br/N-142255-MADAME+SAATAN+VOLTA+AOS+PALCOS+DE+BELEM.html"&gt;evento de lançamento no Píer das Onze Janelas (em setembro)&lt;/a&gt;, tivemos que ter muita paciência para lidar com o preconceito de alguns dos responsáveis pela administração do local. Tivemos que ouvir pérolas como: "Público roqueiro é diferenciado e, portanto, precisa ser controlado", coisa desse nível. Batemos o pé, tínhamos todos os melhores argumentos ao nosso lado e o evento foi realizado com sucesso. Cinco mil pessoas nos ajudaram, harmoniosamente, a realizar um legítimo evento de rock. Foi realmente incrível. Lamentável que eventos desse tipo, direcionados para uma numerosa parcela de público jovem, consumidora desse estilo de música, sejam isolados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A decisão de ir morar em São Paulo teve a ver com a busca por novas oportunidades. De maneira geral, vocês se adaptaram bem à cidade?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Adoramos São Paulo e nos adaptamos muito bem à dinâmica dela. Por enquanto, não pensamos em morar em outra cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Desde que se mudaram, quantas vezes conseguiram dar um pulo em Belém? Estão satisfeitos com essa frequência?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para tocar e para as festas de fim de ano. Mas, com certeza, se pudéssemos voltaríamos com mais frequência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Uma das coisas que chama a atenção em "Peixe Homem" é a ausência de "baladas" – no primeiro, havia canções mais suaves, como &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GOuRu0gQKYg"&gt;"Duo"&lt;/a&gt;. Isso ocorreu naturalmente ou foi algo mais, digamos, intencional?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O que é cuidadosamente pensado por nós são nossas estratégias de circulação e outras ações – a música, nunca. O ato de compor, para nós, não é cerebral, ele parte das vísceras. Deixamos as coisas jorrarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;De maneira geral, que evolução vocês sentem entre "Peixe Homem" e o primeiro disco?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;São dois discos bem diferentes. O primeiro reunia basicamente músicas que faziam parte do “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1X2TTU8GecA"&gt;Ubu Rei&lt;/a&gt; – uma odisséia em bundalelê” – espetáculo cuja trilha sonora produzimos, no início da carreira –, não havia um fio condutor que amarrasse tudo. “Peixe Homem” veio quatro anos depois de termos lançado um disco composto por músicas de uma fase antiga – já naquela época havíamos mudado bastante. Com a mudança pra outro Estado, isso ficou mais acentuado. O resultado pode ser visto em um disco mais denso, direto e pesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Já dá para afirmar qual é o primeiro hit de “Peixe Homem” – nos moldes de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=KMNrwmDyj_0"&gt;“Apocalipse”&lt;/a&gt;, do primeiro álbum?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Respira”, que também rendeu o primeiro clipe, já é hit e é cantada a plenos pulmões pelo público!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como foi gravar o clipe de "Respira"? Vocês deram um banho nas roupas e nos instrumentos... a experiência de tocar num rio deve ter sido única!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar com P.R. Brown [diretor do vídeo] foi a melhor experiência que tivemos. Adoramos gravar clipes e eles sempre são feitos com custo perto do zero, com ajuda de amigos profissionais. Nesse, mais uma vez, fomos colocados em uma situação complicada – Aquela parte do rio era imprópria para banho, cheirava muito mal! Ficamos horas imersos na lama e tivemos vários ferimentos por causa de galhos e espinhos. Tive febre. E quer saber? Foi ótimo. Faríamos tudo de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   &gt;Coluna editada, publicada no jornal Amazônia de 03.12, &lt;a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=566427"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-c2d58dff9aeffd78" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v14.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dc2d58dff9aeffd78%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D63D55C592D56CE95B6B77B7593F6705BAFF2EEF9.7524D64D427F73A19AEC1D457652260A1036198C%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc2d58dff9aeffd78%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dc6NV5IYXhMlfGQX5ge3jTYBRU-0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v14.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dc2d58dff9aeffd78%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D63D55C592D56CE95B6B77B7593F6705BAFF2EEF9.7524D64D427F73A19AEC1D457652260A1036198C%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dc2d58dff9aeffd78%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dc6NV5IYXhMlfGQX5ge3jTYBRU-0&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-1678438250892871645?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/1678438250892871645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=1678438250892871645&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1678438250892871645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1678438250892871645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/12/o-metal-do-para-circula-pelo-brasil.html' title='O metal do Pará circula pelo Brasil'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YzIl0KdbOSk/Ttu21PwJ28I/AAAAAAAAAg0/yut9soOPJjQ/s72-c/ricardo%2Bprado%2Bfutu22rama.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-406074154097888086</id><published>2011-11-27T10:33:00.005-03:00</published><updated>2011-11-27T11:05:18.581-03:00</updated><title type='text'>O bom e velho pop britânico de Noel</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.rocknbeats.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Noel-Gallaghers-High-Flying-Birds-Artwork.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 370px; height: 370px;" src="http://www.rocknbeats.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Noel-Gallaghers-High-Flying-Birds-Artwork.jpg" border="0" alt=""&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“High Flying Birds” reafirma qualidades do mais velho dos Gallagher e aponta que separação do Oasis pode ter seu lado positivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que, quando o &lt;a href="http://www.oasisinet.com/"&gt;Oasis&lt;/a&gt; resolveu anunciar seu fim em 2009, depois de um quebra-quebra homérico, a decepção veio acompanhada daquela sensação de “eu sabia”. Desde que, no início da adolescência, elegi o quinteto liderado pelos irmãos Liam e Noel Gallagher como referência musical dos anos 1990, já dava para sentir que, juntos, eles eram como uma bomba-relógio prestes a explodir – o que acabou acontecendo em plena turnê do excelente &lt;a href="http://www.pt.wikipedia.org/wiki/Dig_Out_Your_Soul"&gt;“Dig out your soul” (2008)&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de o &lt;a href="http://www.beadyeyemusic.com"&gt;Beady Eye&lt;/a&gt;, espécie de pós-Oasis liderado por Liam junto a ex-integrantes do grupo, ter surgido e lançado um ótimo disco em fevereiro – &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Different_Gear,_Still_Speeding"&gt;“Different Gear, Still Speeding”&lt;/a&gt; –, chegou a vez de Noel, que foi quem oficialmente “abandonou o barco” dois anos atrás, se aventurar em carreira solo com &lt;a href="http://www.movethatjukebox.com/noel-gallaghers-high-flying-birds/"&gt;“High Flying Birds”&lt;/a&gt;. O resultado: um dos melhores álbuns pop do ano – e um sinal de que, contrariando o senso comum, talvez os irmãos Gallagher funcionem melhor separados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma olhada rápida pela discografia do Oasis aponta que, se Liam é o lado mais roqueiro – e algo irresponsável, é preciso reconhecer – do grupo, Noel faz jus à posição de irmão mais velho: com uma veia assumidamente pop, investe em letras mais elaboradas, além de cantar de um jeito mais meloso – o que, para uns, dá a (falsa) impressão de que ele até o faz melhor que o caçula. A distinção começou a ficar mais clara depois que Liam entrou nas composições, na altura do experimental &lt;a href="http://www.pt.wikipedia.org/wiki/Standing_on_the_Shoulder_of_Giants"&gt;“Standing on the shoulder of giants” (2000)&lt;/a&gt;; escrevendo, principalmente, os dois atuam como polos opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se comparar “High Flying Birds” ao Beady Eye e seu disco de estréia, fica claro que se está diante de dois artistas que, no final das contas, pouco têm em comum. Em resposta à ágil &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=DkU_rAzdlKk"&gt;“Four letter word”&lt;/a&gt; do grupo de Liam, Noel abre seu trabalho com &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zIkEThf_gsk"&gt;“Everybody´s on the run”&lt;/a&gt;, espécie de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=6NtqA5zywQA"&gt;“D´you know what i mean”&lt;/a&gt; do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com arranjos visivelmente mais trabalhados e um distanciamento da crueza sonora do britrock dos anos 1990, Noel brinca com todas suas referências: “AKA... Broken Arrow”, “AKA... What a life” e “Soldier boys and Jesus freaks” exalam o pop modernizado que o guitarrista e cantor já apresentava em suas autorais desde “Heathen Chemistry” (2002), mesmo que sem o consentimento do irmão, enquanto que “I´d pick you every time” é uma baladinha folk nos moldes de “She is love”, do disco supracitado do Oasis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas canções originalmente compostas para o grupo que fez história nos anos 1990, por sinal, também marcam presença aqui: a bela – e finalmente bem arranjada – “Stop the clocks” e “(I wanna live in) a record machine”, que deixa o ouvinte, enfim, sentir a falta do vozeirão arranhado de Liam nas canções do irmão. A principal virtude do disco, porém, está nos momentos mais suaves: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=1NMUDb3Ewhs&amp;amp;ob=av3e"&gt;“If i had a gun”&lt;/a&gt;, comparada – exageradamente – pela crítica à clássica “Wonderwall”, tem um dos mais belos refrões do disco, e “The death of you and me” é, talvez, a mais bem arranjada composição de Noel até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais por gosto pessoal que por consciência e razão, sempre estive “do lado” de Liam no Oasis; preferia as canções por ele cantadas e considerava Noel um bom compositor, mas nada mais que isso. A alma e a identidade do Oasis, enfim, sempre pareciam estar com o caçula instável e problemático, que sumia do palco na hora H e deixava o irmão desafinar ao vivo nos hits dos tempos de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=4-kzU0VdJA4"&gt;“(What´s the story) Morning Glory”&lt;/a&gt; – basta lembrar do terrível Acústico MTV do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande virtude de “High Flying Birds”, nesse sentido, é ter permitido a mim e a todo fã perceber o quanto Noel, mais que um líder do principal grupo britânico de rock dos últimos 20 anos, é um compositor e músico de qualidade. A levar em consideração o nível de sua estréia, deve-se esperar que ele – assim como Liam e seu Beady Eye – pouco a pouco convença o mundo a enterrar de vez o Oasis e perceber que os Gallagher, separados, são mais – e melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Coluna original, publicada em 26.11 no jornal Amazônia, &lt;a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=565301"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Confira o vídeo de "The death of you and me":&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-885f89c798f878ac" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v6.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D885f89c798f878ac%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D17A66170CBD5E4F4AD897B5104757AB92DDB7E51.46A090056D7F75966336C5844C18C0398684ACD4%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D885f89c798f878ac%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DainFNNXy0C55KMXzi2VBtVz6JSg&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v6.nonxt3.googlevideo.com/videoplayback?id%3D885f89c798f878ac%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D17A66170CBD5E4F4AD897B5104757AB92DDB7E51.46A090056D7F75966336C5844C18C0398684ACD4%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D885f89c798f878ac%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DainFNNXy0C55KMXzi2VBtVz6JSg&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-406074154097888086?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/406074154097888086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=406074154097888086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/406074154097888086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/406074154097888086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/11/o-bom-e-velho-pop-britanico-de-noel.html' title='O bom e velho pop britânico de Noel'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3336086878952592605</id><published>2011-11-19T09:43:00.007-03:00</published><updated>2011-11-19T12:20:38.049-03:00</updated><title type='text'>A bomba-relógio do pop no Pará</title><content type='html'>&lt;a href="http://jovem.ig.com.br/imagens/381/130/29/8454756.gaby_amarantos_225_300.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;" src="http://jovem.ig.com.br/imagens/381/130/29/8454756.gaby_amarantos_225_300.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;Prestes a lançar primeiro disco, Gaby Amarantos trilha um caminho – nada ortodoxo – que pode levar o Estado ao topo do mercado musical brasileiro&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amá-la ou odiá-la é mais uma questão de referência que de gosto musical. Para quem tem o olhar viciado e o preconceito arraigados à pele, não passa de uma máquina xerox que mescla o submundo do brega à música pop, aproveitando-se da pitada regional para lucrar. Para quem busca reconhecer o talento e a identidade musicais vindos da periferia, no entanto, é uma bomba-relógio prestes a explodir no mundo pop. &lt;a href="http://www.gabyamarantos.com"&gt;Gaby Amarantos&lt;/a&gt;, 32, nascida e criada no Jurunas, em Belém (PA), é, de fato – parafraseando seu primeiro apelido na mídia –, o mais próximo de uma Beyoncé com DNA paraense. Mas quer ser muito mais que isso – e tem buscado os meios corretos, jamais &lt;i&gt;ortodoxos&lt;/i&gt;, de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantora performática, com um vozeirão de fazer inveja a muita cantora de soul, Gaby começou a carreira cantando em igrejas e bares, mas logo encontrou no &lt;a href="http://bregapop.com/ritmos/tecnobrega"&gt;tecnobrega&lt;/a&gt;, em ascensão nos subúrbios de Belém na virada do milênio, território fértil para transitar entre o pastiche e a criatividade. Junto à banda &lt;a href="http://tramavirtual.uol.com.br/tecno_show"&gt;Tecnoshow&lt;/a&gt;, emplacou dezenas de versões de hits internacionais em batida regional. Usou e abusou das &lt;a href="http://www.tecnomelody.com/2009/09/o-que-e-festa-de-aparelhagem.html"&gt;festas de aparelhagem&lt;/a&gt; – eventos populares que mesclam pirataria, cultura, música e pirotecnia audiovisual, com apoio de intelectuais e músicos de fora do eixo –, fazendo seu nome nas &lt;i&gt;pick-ups&lt;/i&gt; dos DJs locais. E não tem vergonha em dizer que nasceu, cresceu e vive dessa cultura que emerge do subúrbio, mas ganha contornos mercadológicos bem claros em tempo de valorização do &lt;i&gt;underground&lt;/i&gt;: “sou fruto de um novo modelo de mercado”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansada dos covers e do ar folclórico que ganhou após receber a alcunha de “Beyoncé do Pará”, no entanto, Gaby decidiu ir além. Resolveu entrar em estúdio e se aliar a diversos músicos e compositores de renome do Pará, dando a seu brega um toque autoral mais forte. A primeira investida a sair na mídia foi a canção de trabalho “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=niGt6fhwMtA"&gt;Xirley&lt;/a&gt;”, lançada em outubro junto a um videoclipe (divertidíssimo) dirigido por Priscilla Brasil – que também já esteve à frente dos vídeos de “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=a6nGga3WS68"&gt;Vela&lt;/a&gt;” e “&lt;a href="http://youtube.com/watch?v=oCXzsldeKS0"&gt;Devorados&lt;/a&gt;”, do quarteto de metal paraense Madame Saatan. A música, escrita pelo pernambucano Zé Cafofinho, conta a história de uma artista que “enfeitiça” e sobe na vida apoiada pelo mercado informal e suas personagens típicas. Após uma estréia de sucesso no Portal da MTV, “Xirley” ainda rendeu a Gaby um convite para &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=M3Ue_uVxkQw"&gt;se apresentar no VMB&lt;/a&gt; (Video Music Brasil) 2011, ao lado de outros artistas populares do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevista exclusiva à &lt;a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=564116"&gt;coluna&lt;/a&gt;, a cantora fala da repercussão de seu primeiro single – será que assim pode ser chamado? –, além de lembrar de suas muitas referências musicais da juventude e, claro, alfinetar o modelo de negócio do mercado fonográfico (“a fiscalização do Ecad é falha”, alega), tão ultrapassado quanto o preconceito do público com a música brega. A julgar pela expectativa nacional em torno de “Treme”, o álbum de estréia a ser lançado no primeiro semestre de 2012 – e que, em breve, deve vazar na rede e nas banquinhas de pirateiros do centro de Belém – , Gaby, com sua música e seu talento, deve lançar mais um punhado de terra em cima do caixão dessa indústria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que achaste da recepção de “Xirley”? Poucas horas depois do lançamento oficial, o vídeo já estava nas redes sociais e no portal da MTV entre os preferidos...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito feliz com a recepção da “Xirley” e de sentir que as pessoas estão começando a entender esse novo conceito que meu trabalho traz. O vídeo, por sinal, já esta disponível na meu site (www.gabyamarantos.com).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tuas primeiras aparições na mídia nacional ainda vinham com aquela roupagem folclórica de “Beyoncé do Pará”. Já passado algum tempo, que imagem pretendes transmitir com tua produção autoral?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem que tenho, a minha verdade! Sou Gaby Amarantos e as pessoas já entenderam que a “Beyoncé do Pará” foi uma brincadeira que deu certo e me abriu muitas portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O clipe de “Xirley” toca num aspecto bem característico para quem é do Pará – a pirataria e a cultura do &lt;i&gt;sample&lt;/i&gt; promovida pelas aparelhagens. Chegas a te considerar uma beneficiada pelo mercado informal?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fruto de um novo modelo de mercado. O tecnobrega vem para ensinar uma grande lição e para reinventar a música, democratizando e sugerindo novos artistas para o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Recentemente falaste numa entrevista ao jornal “O Dia” que “direito autoral é coisa do passado”. Explica melhor...&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou filiada a uma associação de compositores e tenho carteira de compositora, tudo dentro da lei. Só que de nada me serve, pois a fiscalização do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) é falha. Ganho mais visibilidade ao disponibilizar minhas músicas na internet – a arrecadação só funciona para os medalhões da música. É muita negligência e injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tua trajetória como artista, sabe-se, não começou no brega. Além do gênero, quais são tuas influências ou artistas de referência?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho de uma família de sambistas. Comecei a cantar na igreja católica e depois fui para a MPB – o brega sempre esteve presente na minha vida, já que, no Jurunas, a gente respira esse som. Eu sou uma artista de mente aberta, que gosta de ouvir de tudo, desde jazz até metal. Gosto de tantos estilos que fica difícil enumerar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tocaste no VMB 2011 em uma espécie de &lt;i&gt;medley&lt;/i&gt; que apresentou diferentes vertentes populares do Brasil. O que achaste dos gêneros apresentados?&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei muito feliz com o convite da MTV e do Miranda, diretor do show. Fui tratada com muito carinho e respeito por meus parceiros das outras bandas. Me senti uma privilegiada em poder representar a cultura do meu Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;E como está a preparação pro lançamento do “Treme”, teu primeiro álbum oficial? O que já podes adiantar dele?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “Xirley” é uma prévia do disco, que traz, além de tecnobrega – com várias experimentações –, uma pitada de cúmbia, tecnolambada e carimbó. O repertório é de músicas autorais e tem parcerias com grandes compositores como Felipe Cordeiro, Eliaquim Rufino, Dona Onete, Ronaldo Silva, Veloso Dias, Thalma de Freitas e Iara Renó. Outro destaque são as participações de Dona Onete e Fernanda Takai. O resto é segredo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Tens previsão de excursionar com o disco? E de preparar novos clipes? Qual vai ser a nova música de trabalho, depois de “Xirley”?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos na montagem do novo show, que já deve começar a circular em 2012. E estamos produzindo um novo clipe – que também é surpresa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Leia a coluna original, editada no jornal Amazônia, &lt;a href="http://orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=564116"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confira o vídeo de "Xirley":&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b664173622eda19f" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v8.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db664173622eda19f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5D2030F69144617764A6D6D9E3B11996A55C1E38.250917397B4E617BFBB1D60DB1EEC24B89370533%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db664173622eda19f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DfF0WoCyydFPhNZPnVzrQJxwV734&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v8.nonxt4.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db664173622eda19f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331176345%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D5D2030F69144617764A6D6D9E3B11996A55C1E38.250917397B4E617BFBB1D60DB1EEC24B89370533%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db664173622eda19f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DfF0WoCyydFPhNZPnVzrQJxwV734&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3336086878952592605?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3336086878952592605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3336086878952592605&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3336086878952592605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3336086878952592605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/11/bomba-relogio-do-pop-no-para.html' title='A bomba-relógio do pop no Pará'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5221662436087480427</id><published>2011-11-13T11:39:00.005-03:00</published><updated>2011-11-13T11:51:40.209-03:00</updated><title type='text'>Dramalhão das onze</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.noticiasbr.com.br/imagens/2011/09/o-astro-amanda-pede-que-herculano-suma-de-sua-vida.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 225px;" src="http://www.noticiasbr.com.br/imagens/2011/09/o-astro-amanda-pede-que-herculano-suma-de-sua-vida.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Com roteiro mais ágil e muito melodrama, remake de “O Astro” reafirma horário das 23h como chance de inovação para a Globo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chamem a imprensa, chamem os fotógrafos! Ah, e tragam as algemas, faço questão das algemas. Eu estou preparada para o escárnio da opinião pública...” Olhares horrorizados na sala da mansão da família Hayalla. Rindo com afetação e dando tapinhas nos ombros da polícia, Clô (Regina Duarte), a matriarca, assume, diante de todos os suspeitos, ter matado o poderoso Salomão. A cena antológica pôs fim ao mistério da autoria do golpe que tirou a vida do empresário de “O Astro” – novelão à mexicana das 23h da Globo que serviu para mostrar como um remake pode, em vários momentos, subverter o original e torná-lo ainda mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrada na última sexta-feira de outubro, 28, a telenovela surgiu para reavivar a grade noturna da emissora e, de quebra, comemorar os 60 anos da teledramaturgia no Brasil. Nada mais adequado para isso que o folhetim de Janete Clair: sucesso de audiência, a “O Astro” de 1977 tinha como maior virtude sua breguice intencional. Fugindo à moda da época, investia em uma história mirabolante, com direito a um protagonista mágico-trambiqueiro-executivo, Herculano Quintanilha, e uma trama policialesca, que disseminou o famoso “quem matou” muito antes da Odete Roitman de “Vale Tudo” (1988).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adaptação ficou a cargo do diretor Mauro Mendonça Filho e dos autores Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro – que, desde o início, prometeram viajar pesado nas referências literárias e no melodrama, sem perder o pé na atualidade. Para isso, algumas mudanças: primeiro no número de capítulos, que foi cortado pela metade, dando mais agilidade à trama. Outro foco foi deixar a obra com uma estética moderna – incluindo as inúmeras sequências de sexo e violência que o horário permitiu. Ah, e o assassino de Salomão Hayalla foi modificado, só para dar uma pitada a mais de suspense à trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena em que Clô Hayalla se revelou uma homicida da alta sociedade foi um bom indicador da evolução do remake de “O Astro”. Ao invés de apenas um matador, os autores foram além dos dualismos e investiram em uma série de criminosos: o bobalhão Youssef (José Rubens Chachá) e sua esposa Nádia (Vera Zimmermann), além do mordomo Inácio (Pascoal da Conceição), também deram uma mãozinha para mandar Salomão para o além. Mas foi Clô que cometeu o crime “com a mais absoluta tranquilidade”, para libertar o filho Márcio (Thiago Fragoso) de seu pai ditador.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-weight: bold; "&gt;Curiosidades da "O Astro" de 2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Mais macabra, a abertura de 1977 vinha com vários símbolos estranhos, como cartas de astrologia e até uma imagem de Baphomet – tirada da sequência a pedido de Janete Clair;&lt;br /&gt;- Na obra original, quem matava Salomão era Felipe Cerqueira, o trambiqueiro amante de Clô;&lt;br /&gt;- A história de Herculano foi baseada na trajetória do ex-ministro argentino Luiz Lopez Rega, conhecido como “El Brujo” na administração de Juan Perón;&lt;br /&gt;- Antes do remake, a telenovela foi reprisada no Festival 15 Anos, em 1980, e também em um compacto de 20 capítulos, em 1981;&lt;br /&gt;- A versão de Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro alcançou média de 20 pontos, com picos de até 30 pontos – desempenho excelente para os padrões da Globo;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de Regina Duarte, que calou a boca da crítica com sua interpretação, e do carisma de Rodrigo Lombardi, o “novo” Herculano Quintanilha, havia outros destaques no elenco dos vilões, como Humberto Martins e Marco Ricca, geniais nas peles de Neco e Samir. Do lado dos mocinhos, rostos famosos e sempre bons, como Daniel Dantas, Rosamaria Murtinho e Alinne Moraes. Outros destaques foram a trilha sonora e a dinâmica de suspense, atraentes a ponto de ter deixado o horário das 23h com audiência semelhante ao das novelas das 18h e 19h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve quem criticasse a falta de verossimilhança, os mil e um truques de Herculano para sumir do mapa (a cena do pássaro virou hit no Youtube), os vais e vens do bruxo com Amanda e até o bizarro tema de abertura, “Bijuteria”, de João Bosco (o mesmo da original). Não entenderam a mensagem. Embora filmada em 2011, “O Astro” não deixa de ser uma obra datada; não pretende discutir política ou violência urbana, e sim falar de dramas familiares, assassinatos, romances. Olhando desse jeito, a obra teve um resultado excelente – e indica que ver telenovelas à meia-noite não é um hábito tão ultrapassado assim, mesmo nesses tempos de Youtube e televisão sob demanda. Não à toa, já se confirmou o próximo remake das 23h: “Gabriela” (1975), a ser adaptada por Walcyr Carrasco. Nada difícil, a julgar por “O Astro”, é pensar que ele poderá se equiparar (ou superar) a original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;b&gt;Nota:&lt;/b&gt; Pessoal, por motivos que vão muito além da minha parca compreensão desse mundo, a partir de agora este blog vai ser o espaço, digamos, "oficial" da coluna cultural. Espero que os - poucos, mas aparentemente fiéis - leitores gostem. Prometo me dedicar mais a isto aqui e trazer entrevistas, dicas e outras coisas a mais, além das resenhas. Até a semana que vem. O tema vai ser música.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5221662436087480427?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5221662436087480427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5221662436087480427&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5221662436087480427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5221662436087480427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/11/dramalhao-das-onze.html' title='Dramalhão das onze'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3493160689895941600</id><published>2011-10-30T14:32:00.003-03:00</published><updated>2011-10-30T14:39:24.188-03:00</updated><title type='text'>Um chinês em Buenos Aires</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zN3-VHTUZLw/Tq2Lf-ZSpHI/AAAAAAAAAgQ/4tKyAS1fsgQ/s1600/chines.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 167px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-zN3-VHTUZLw/Tq2Lf-ZSpHI/AAAAAAAAAgQ/4tKyAS1fsgQ/s320/chines.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5669340887370605682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Ricardo Darín protagoniza comédia e drama à moda Argentina, que discute a comunicação  humana&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;GUTO LOBATO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois jovens chineses, no mais puro clima de amor, passeiam preguiçosamente em um barquinho, em algum lugar nos confins da China. Após trocar algumas palavras, o rapaz põe as mãos em uma cestinha e se prepara: vai tirar as alianças de lá e pedir sua amada em casamento. É quando, do nada – e não mais que do nada –, uma vaca cai do céu, atinge e mata sua futura noiva e o deixa desorientado, no meio da água. É com essa sequência meio cômica, meio trágica, meio surreal que começa a narrativa de “Um conto chinês” (Um cuento chino, 2011, Argentina/Espanha, 100 min.) – uma comédia dramática das melhores do ano, capaz de levar mais de um milhão de espectadores aos cinemas na Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do que o nome e a primeira cena indicam, o protagonista desta história está bem longe das exóticas paisagens do Oriente: mais precisamente, em Buenos Aires – aqui, mostrada de uma forma algo tristonha, cinzenta. Num bairro suburbano qualquer, Roberto (Ricardo Darín) administra uma pequena loja. Metódico, rabugento e solitário, tem como principais hábitos recortar notícias absurdas dos jornais e colecionar itens decorativos em homenagem a sua mãe. Seus únicos amigos são o jornaleiro Leonel (Ivan Romanelli) e Mari (Muriel Santa Ana), que nutre uma antiga paixão por Roberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo dia, ao “curtir” mais uma manhã assistindo aos pousos e decolagens de um dos aeroportos portenhos, Roberto é surpreendido: um motorista de táxi freia bruscamente, joga na calçada um jovem, Jun (Ignacio Huang), e vai embora. Desesperado, o rapaz pede ajuda para encontrar seu rumo. É a partir da hora em que, contrariado, o protagonista decide ajudá-lo, mesmo sem entender uma única palavra de seu idioma, que a vida dos dois começa a se cruzar de maneira surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promovido o encontro de Roberto e Jun, o espectador finalmente entende o porquê da cena inicial – por algum motivo, aquele pobre coitado que perdeu a amada foi parar em Buenos Aires, à procura de um tio distante. Mas esse não é o mote de “Um conto chinês”, pelo menos até os últimos 15 minutos de filme: mais que uma história de sofrimento e dor, o longa dirigido por Sebastián Borensztein é uma primorosa crônica sobre a (in)comunicação e os pequenos grandes afetos que podem surgir das maiores coincidências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magistral como sempre, Darín encarna com desenvoltura a figura de Roberto, um homem de coração bom, apesar de um tanto avesso à presença de um chinês dentro de sua casa. A princípio desconfiado, o portenho começa a se aproximar de Jun, que o ajuda nas tarefas domésticas enquanto – com prazo contado – procura pelo tio na gigantesca Buenos Aires. No intuito de se livrar logo do inquilino, o portenho visita o bairro chinês, faz ligações, procura a embaixada – mas nada parece surtir efeito. Em meio a isso, a vinda de Mari de seu povoado mexe com as memórias de Roberto, que, por algum motivo, não consegue aceitar o que sente pela moça. No desenvolvimento sem altos e baixos da história, momentos cômicos, principalmente as dificuldades de entendimento de Jun e Roberto e os muitos resmungos deste, dão à história melancólica um toque de humor leve – bem à argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior virtude da obra de Borensztein é percebida em seu final, quando o vínculo entre a história dos dois é relevado. De certa forma, o jovem tem razões de sobra para estar ali, mesmo que por um trágico acaso: sua “missão” é ensinar Roberto a entregar-se à vida. Quando, ao ir embora, Jun deixa de presente uma pintura no quintal da casa do protagonista, vê-se o primeiro momento em que os dois conseguem se entender: vá até ela, “diz” o chinês. Ordem que o argentino obedece sem pestanejar, provando o quão surpreendente – e bela – pode ser uma lição de vida dada por alguém muito mais novo, vindo do outro lado do mundo e que teve sua vida virada de cabeça para baixo por uma vaca que caiu do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  &gt;Coluna de 30.10 no Amazônia. Veja no site &lt;a href="http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=829&amp;amp;codigo=560860"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3493160689895941600?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3493160689895941600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3493160689895941600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3493160689895941600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3493160689895941600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/10/um-chines-em-buenos-aires.html' title='Um chinês em Buenos Aires'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zN3-VHTUZLw/Tq2Lf-ZSpHI/AAAAAAAAAgQ/4tKyAS1fsgQ/s72-c/chines.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5638833777628108647</id><published>2011-10-24T17:30:00.005-03:00</published><updated>2011-10-24T22:38:10.782-03:00</updated><title type='text'>Rush - Grace Under Pressure (1984)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-BhnNfrhK8JA/Tf5MHaEdL5I/AAAAAAAAAFk/HUt3GrrDPfo/s1600/Rush_Grace_Under_Pressure.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 430px; height: 430px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-BhnNfrhK8JA/Tf5MHaEdL5I/AAAAAAAAAFk/HUt3GrrDPfo/s1600/Rush_Grace_Under_Pressure.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Merecedor do respeito de todo grupo que se diz duradouro ou dono de uma discografia extensa, o canadense Rush pode ser conhecido em distintas fases – de acordo com a década. Não pela qualidade de seus álbuns, raramente abaixo da linha do bom/ótimo desde a virada dos anos 1960-1970, mas pela diversidade de sons, que mescla a essência do hard rock e do progressivo a gêneros como new wave, pop, metal e até ska e blues. Por representar uma época de auge comercial para o grupo, “Grace Under Pressure”, de 1984, é, talvez, o mais próximo de uma introdução ao ouvinte que já se conseguiu fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chutando o pau da barraca após discos experimentais e cultuados no mundo progressivo, como “Moving pictures” (1981) e “Hemispheres” (1978), Geddy Lee (baixo, vocais e teclado), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) fizeram, em “Grace...”, uma incursão formidável pelo mundo dos sintetizadores e do oitentismo. A abertura, com “Distant early warning” e seu contagiante riff de baixo, dá logo boa impressão: poucas vezes rock progressivo e pop estiveram tão próximos - não à toa, a canção se tornou obrigatória nos shows e ganhou um dos vários videoclipes bregas gravados para promover o disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão do Rush por temas filosóficos e de tecnologia, que o tornou ícone da música &lt;i&gt;nerd&lt;/i&gt;, também se mostra às claras por aqui. “Afterimage” e “Red Sector A”, destaques da sequência de oito faixas, transmitem uma aura futurista com suas letras de ficção científica; da mesma forma, os timbres de guitarra, a voz de Geddy e as bases de sintetizador poderiam ser ouvidos em algum filme B sobre aliens. “The Enemy Within”, outro sucesso à época, investe em um ska sintético que fala de reflexões, intimidade e medo em um climão alto astral – paradoxos que só o Rush é capaz de levar à prática. Em meio ao som datado do álbum, o único ponto de ligação com a década anterior é a animada “Kid Gloves”, que poderia estar facilmente em “Moving pictures”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encerramento, com as bizarras “Red Lenses” e “Between the Wheels” – esta, quase 90% sintética –, já dava a entender que o Rush ainda não havia enjoado de brincar com as novas tecnologias sonoras da época. “Power Windows” (1985) e “Hold your fire” (1987) seriam responsáveis por mergulhar no oitentismo a e definir mais uma de suas inúmeras fases . Sem desmerecer seus sucessores, é preciso reforçar, porém, que “Grade under pressure” foi o melhor produto do trio canadense na década. Porque, além de ser um belo exemplar do rock progressivo – equiparável a “A momentary lapse of reason” (1987), do Pink Floyd –, é o mais agradável disco que o trio canadense lançou antes de Presto (1989). Do tipo que tanto um fã implicante quanto um ouvinte desatento farão o mesmo uso - ouvindo-o sucessivamente até cansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaques: "Distant early warning", "Red Sector A", "The Enemy Within"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouça &lt;a href="http://www.blogger.com/www.radio.uol.com.br/#/album/rush/grace-under-pressure/18852"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5638833777628108647?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5638833777628108647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5638833777628108647&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5638833777628108647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5638833777628108647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/10/rush-grace-under-pressure-1984.html' title='Rush - Grace Under Pressure (1984)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-BhnNfrhK8JA/Tf5MHaEdL5I/AAAAAAAAAFk/HUt3GrrDPfo/s72-c/Rush_Grace_Under_Pressure.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4054099252758256609</id><published>2011-10-14T16:31:00.005-03:00</published><updated>2011-10-14T16:54:10.413-03:00</updated><title type='text'>Madame Saatan – “Peixe Homem” (2011)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-u7dnXFjns5I/Tni8VIcBXGI/AAAAAAAAAhY/3t5_drVUNHg/s1600/Peixe+Homem+%2528capa%2529.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 392px; DISPLAY: block; HEIGHT: 373px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-u7dnXFjns5I/Tni8VIcBXGI/AAAAAAAAAhY/3t5_drVUNHg/s1600/Peixe+Homem+%2528capa%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lembro direitinho quando, em 2004, assisti a um show do Madame Saatan pela primeira vez. Tinha uns 15 anos, cabelo grande, tocava em uma Fender falsificada e achava inaceitável que heavy metal fosse cantado em português. Quando ouvi “Prometeu”, aquela avalanche semi-progressiva de oito minutos, ser magistralmente cantada ao vivo por Sammliz, tudo caiu por terra: passei, talvez tardiamente, a admirar a música feita no Pará – regional, mas não &lt;em&gt;regionalista&lt;/em&gt;; global, mas não &lt;em&gt;globalizada&lt;/em&gt;. Talvez por isso tenha sido tão nostálgico, e nada surpreendente, me deparar esses dias com “Peixe Homem” (2011), segundo oficial da banda, e constatar que é um dos melhores discos que ouvi neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos instalado em São Paulo, o Madame Saatan vem conquistando espaço no cenário nacional com uma mistura tão incomum quanto bem sacada, que inclui heavy, trash e prog metal, blues, MPB e até música regional (em doses homeopáticas). A sinergia criativa de Sammliz (vocal), Ed Guerreiro (guitarra), Ivan Vanzar (bateria) e Ícaro Suzuki (baixo) já havia resultado em um EP autoral lançado localmente em 2005, “Tao do Caos” – que adquiri no lançamento, ainda em Belém, e guardo até hoje! –, e no CD “Madame Saatan” (2008), ambos recebidos com entusiasmo por público e crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença, agora, é que, prestes a completar dez anos de carreira, o quarteto já começou a renovar suas fórmulas, com um som mais “redondinho” – a produção do disco é de Paulo Anhaia, que já trabalhou com as Velhas Virgens, e a masterização foi feita nos Estados Unidos por Alan Douches (Aerosmith e Misfits). Para o bem dos fãs, porém, o climão de show continua, como se vê na enérgica “Respira”, que abre o disco no melhor estilo do Metallica dos tempos de “Kill ´Em All”, cedendo espaço para “Fúria” e “Até o fim”, tão boas quanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poéticas como de costume, as letras do grupo continuam casando bem com os instrumentais de Vanzar, Suzuki e Guerreiro. “Sete Dias” é a correspondente de “Vela”, do álbum de estreia de 2008, com seu ritmo quebrado e suas muitas referências às crendices populares. Também com uma pegada mais antiga, “A Cicatriz” é no estilo do Madame de “O Tao do Caos”: riffs ágeis e versos abstratos, charmosos como nunca na voz de Sammliz. Na categoria “refrões pegajosos”, vencem “A Foice” (que tem cara de single) e “Rio Vermelho”. Esta última, aliás, dispensa apresentações: cheia de referências regionais, na letra e no instrumental, a canção já vinha conquistando coro nos shows do grupo no Sudeste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao primeiro álbum, a principal virtude de “Peixe Homem” é não possuir pontos medianos: a qualidade se mantém de cabo a rabo. Tanto que o encerramento, com as progressivas “Sonâmbula” – forte candidata a desbancar “Prometeu” como vedete dos shows – e “Sombra em Você”, dá a impressão de que ainda se está na metade do disco. Boa impressão: isso indica que, mesmo com uma sonoridade tão própria, o Madame Saatan não enjoa aos ouvidos. Para mim e para tantos outros que cresceram acompanhando a evolução desse grupo – vindo de um lugar ainda pouco reconhecido pela música que faz, mas inegavelmente orgulhoso de suas raízes –, é a prova de que ainda dá para esperar muita, mas &lt;em&gt;muita&lt;/em&gt; coisa boa pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaques:&lt;/strong&gt; “Sonâmbula”, “Rio Vermelho”, “A Foice”, “Sete Dias”, “Fúria”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Site oficial do grupo: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.madamesaatan.com/"&gt;http://www.madamesaatan.com/ &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clipe de "Respira":&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=sLe271QMWx8&amp;amp;hd=1"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=sLe271QMWx8&amp;amp;hd=1&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4054099252758256609?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4054099252758256609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4054099252758256609&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4054099252758256609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4054099252758256609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/10/madame-saatan-peixe-homem-2011.html' title='Madame Saatan – “Peixe Homem” (2011)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-u7dnXFjns5I/Tni8VIcBXGI/AAAAAAAAAhY/3t5_drVUNHg/s72-c/Peixe+Homem+%2528capa%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8995745778792409724</id><published>2011-10-05T19:16:00.003-03:00</published><updated>2011-10-05T19:22:53.655-03:00</updated><title type='text'>Guns n´ Roses - Chinese Democracy (2008)</title><content type='html'>&lt;a href="http://judao.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2008/11/chinese.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 413px; DISPLAY: block; HEIGHT: 418px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://judao.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2008/11/chinese.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A apresentação morna do Guns n´ Roses na última noite do Rock in Rio 2011, com cerca de uma hora de atraso e um Axl Rose rouco, vestindo capa de chuva amarelo-vômito, fez surgir uma série de críticas à atual forma do grupo. Em relação à falta de pontualidade e ao estrelismo, tudo certo: ter mil e uma exigências de camarim e colocar o público, já cansado de um dia inteiro de festival, para esperar debaixo de chuva às 2h da madrugada não é coisa das mais elegantes. Falar que o grupo está decadente, porém, soa um pouco extremo – e “Chinese Democracy”, lançado em 2008, prova exatamente o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falta de paciência dos antigos fãs (e minha, inclusive), esse disco, prometido por Axl por cerca de 13 anos e “vazado” aos poucos até seu lançamento, em 2008, foi praticamente considerado um atestado de óbito do GNR; à exceção de um ou outro crítico de renome, pouco se falou sobre ele, mesmo que mal. Reação certamente inesperada – e injusta. Se não apresenta a qualidade surreal de “Appetite for destruction” ou a sinergia dos dois volumes “Use your illusion”, “Chinese democracy” faz, por outro lado, uma boa incursão pelos anos 2000, agregando ao gênio criativo impetuoso de Axl o que melhor se produziu de rock na década.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início, com a faixa-título, não é tão empolgante quanto o de “Welcome to the jungle” em “Appetite”, mas dane-se: não deixa de haver, ali, um riff e um refrão altamente pegajosos, que cumprem bem o papel de abrir as portas ao ouvinte. A segunda faixa, “Shackler´s revenge”, continua essa tarefa, com uma sonoridade visivelmente inspirada no rock industrial e uma letra... &lt;em&gt;daquelas&lt;/em&gt;. A primeira surpresa vem em seguida: “Better”, provavelmente uma das melhores faixas do CD, que mostra, com bons riffs e uma vocalização poderosa, que, ao menos em estúdio, Axl continua com a mesma pegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas muitas canções melódicas, como “The catcher in the rye”, “I.R.S.”, “Madagascar” e “Street of dreams”, fica clara a tentativa de se distanciar do romantismo dos tempos de “November rain”, “Don´t cry” e afins; embora pop, têm momentos mais agressivos, e o crédito vai para os cinco (cinco!) guitarristas que tentam substituir a genialidade do virtuose e ex-braço direito de Axl, Slash. Para quem aprecia o jeitão mais linear dos anos iniciais do Guns, faixas como “Scraped” (violenta à la “It´s so easy”) e “Riad n´ the bedouins”, porém, soam mais convincentes – e, não por acaso, costumam aparecer pouco nos shows fracos que o grupo tem feito por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que comparar o resultado aqui obtido aos – sim, &lt;em&gt;insuperáveis&lt;/em&gt; – discos que o grupo lançou décadas atrás, talvez seja o caso de todo (ex?)admirador de Axl e companhia ouvir “Chinese democracy” sem muitas expectativas; assim, a percepção geral é de que ainda existe coisa boa por trás da grife Guns n´ Roses. No final das contas, a performance que fechou o Rock in Rio 2011 foi só a prova de que mesmo quem fez história na música precisa saber a hora certa de baixar a bola e assumir as próprias rugas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8995745778792409724?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8995745778792409724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8995745778792409724&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8995745778792409724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8995745778792409724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/10/guns-n-roses-chinese-democracy-2008.html' title='Guns n´ Roses - Chinese Democracy (2008)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6025205748682613738</id><published>2011-09-06T09:36:00.005-03:00</published><updated>2011-09-06T11:07:43.597-03:00</updated><title type='text'>The Style Council - Café Bleu (1984)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-tkFdu9gDtJM/TmYlkRDRzoI/AAAAAAAAAfk/2NF0SE7riS4/s1600/TSCouncil.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 356px; DISPLAY: block; HEIGHT: 340px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5649244087565536898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-tkFdu9gDtJM/TmYlkRDRzoI/AAAAAAAAAfk/2NF0SE7riS4/s320/TSCouncil.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se bipolaridade fosse considerada dom artístico, Paul Weller estaria num ponto quase inalcançável do ranking dos músicos camaleônicos – atrás de David Bowie, talvez, e só. Desde o início, com o grupo &lt;a href="http://www.blogger.com/pt.wikipedia.org/wiki/The_Jam"&gt;The Jam&lt;/a&gt;, a identidade do guitarrista e cantor britânico transitou pelos mais diversos estilos – do mod, do soul e do pop ao jazz e ao rhythm n´ blues, passando até pelo punk. Mas foi no &lt;a href="http://www.blogger.com/pt.wikipedia.org/wiki/The_Style_Council"&gt;Style Council&lt;/a&gt;, fundado no início da década de 1980 e desfeito no auge do movimento acid house, que sua mente inquieta conseguiu levar à prática a ideia de ecletismo – muitas vezes desafiando a paciência de críticos e fãs de longa data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro registro em LP dessa curta – e fundamental – fase da carreira de Weller, “Café Bleu” sinaliza a fase de intensas mudanças por que passava não só a cabeça dele, mas toda a indústria fonográfica. A abertura, com “Mick´s blessings”, não é exatamente o que um fã do Jam esperaria: uma bem humorada peça instrumental de piano. Em seguida, “The whole point of no return” e seu minimalismo extremo confirmam a impressão de que o compositor havia, de fato, enterrado o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A influência do oitentismo, com seus sintetizadores e timbres datados, está em boa parte das canções – “You´re the best thing”, digna dos sets mais retrôs, é a típica baladinha dos anos 1980, com seu refrão pegajoso e suas vocalizações emuladas da Motown –, mas é na diversidade de gêneros que “Café Bleu” sai do lugar comum. Brincando com referências como o jazz e o soul, as instrumentais “Dropping bombs on the Whitehouse”, “Me ship came in!” e “Blue cafe” ajudam a quebrar o clima entre um hit radiofônico e outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“My ever changing moods”, o sucesso por excelência do Style Council, está aqui – mas em uma versão intimista, levada apenas por Weller junto a Mick Talbot ao piano. As participações especiais também enriquecem o disco: “Paris match” tem uma canjinha de Tracey Thorn e Ben Watt, do grupo Everything But The Girl; em “A gospel”, que, com seu jeitão funkeado, alude às raízes da música de subúrbio americana, Weller cede os microfones a Dizzy Hite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma audição cuidadosa aponta que, diferentemente dos lançamentos posteriores, “Café Bleu” ainda sofre de crise de identidade: transita por muitos terrenos e tem dificuldade em se fixar a algum rótulo. Talvez por isso, sua recepção foi bem menos escandalosa que a dos álbuns do The Jam – que, até hoje, é considerado o maior legado que Weller já deixou à música inglesa. Ledo engano: é na bagunça do Style Council que está a genialidade do compositor. Entre “Café Bleu” e o derradeiro “Modernism: a New Decade”, de 1989 – disco que, ao fazer uma bizarra incursão pela cena house, foi negado pela gravadora, resultando na dissolução do grupo –, há um mundo de referências; todas válidas. Todas sensacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaques:&lt;/strong&gt; "The whole point of no return", "My ever changing moods", "Paris match".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ouça &lt;a href="http://www.blogger.com/www.radio.uol.com.br/#/album/the-style-council/cafe-bleu/13897"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja &lt;a href="http://www.blogger.com/www.youtube.com/watch?v=QDr6j5Tv58I&amp;amp;feature=related"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6025205748682613738?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6025205748682613738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6025205748682613738&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6025205748682613738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6025205748682613738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/09/style-council-cafe-bleu-1984.html' title='The Style Council - Café Bleu (1984)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-tkFdu9gDtJM/TmYlkRDRzoI/AAAAAAAAAfk/2NF0SE7riS4/s72-c/TSCouncil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3296962650188253564</id><published>2011-09-04T02:18:00.002-03:00</published><updated>2011-09-04T02:23:55.529-03:00</updated><title type='text'>Sade - Stronger than Pride (1988)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-WROfBfPemQ8/Tfab14avnCI/AAAAAAAABLU/HKum_f-9ll8/s1600/82319410.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-WROfBfPemQ8/Tfab14avnCI/AAAAAAAABLU/HKum_f-9ll8/s1600/82319410.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sade é o tipo de cantora-grupo que você certamente conhece de suas idas ao motel. Mas calma, isso não é exatamente um mau sinal – na verdade, indica o quanto sua música, uma deliciosa mistura de jazz, soul music e rhythm n´ blues, foi mal interpretada por programadores de rádio mundo afora. Muito mais que embaladora de noites românticas, Sade é uma referência &lt;em&gt;cool &lt;/em&gt;e prova do quão boas as coisas podiam ser no cenário pop dos anos 1980 e 1990 – e talvez “Stronger than pride” seja o produto mais comercial e representativo de sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançado em 1988, auge dos tempos da new wave europeia, o terceiro disco da charmosa cantora de origens africanas e sotaque londrino inicia com o climão de “Love is stronger than pride” – talvez um dos melhores inícios de disco que já ouvi na vida – e logo cede espaço a um sucesso radiofônico, “Paradise”, marcado por um riff de baixo pegajoso (&lt;em&gt;no bom sentido&lt;/em&gt;) e pelas linhas vocais repetitivas, quase hipnóticas, da cantora junto a seus músicos de apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o restante do álbum vai muito além: explora um pop nitidamente inspirado em criaturas como Michael Jackson e Prince nas belas “Keep looking” e “Nothing can come between us”; flerta com a world music e a new age – mas sem tanta afetação – em “Give it up”; e, para arrematar, investe num duo de piano e violão algo latino na sexy “Haunt me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez “Diamond life”, a estrondosa estreia de 1984, e “Promise”, de 1985, fossem mais orgânicos – ou crus - com seus hits "Smooth operator" e "The sweetest taboo". Mas “Stronger than pride” tem a vantagem de, além da breguice típica da época, trazer à tona uma cantora bem mais livre para experimentar, se reinventar e chutar o pau da barraca do pop – por isso, talvez seja a melhor porta de entrada para conhecer o gênero até hoje já feita. Referência essencial em qualquer prateleira de LPs da década "perdida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 9,0&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaques:&lt;/strong&gt; "Love is stronger than pride", "Paradise", "Nothing can come between us"&lt;br /&gt;Ouça &lt;a href="http://www.blogger.com/www.radio.uol.com.br/#/album/sade/stronger-than-pride/8029"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3296962650188253564?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3296962650188253564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3296962650188253564&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3296962650188253564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3296962650188253564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/09/sade-stronger-than-pride-1988.html' title='Sade - Stronger than Pride (1988)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-WROfBfPemQ8/Tfab14avnCI/AAAAAAAABLU/HKum_f-9ll8/s72-c/82319410.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3798536714128115310</id><published>2011-07-25T12:03:00.003-03:00</published><updated>2011-10-14T17:13:13.446-03:00</updated><title type='text'>Amy, Amy, Amy</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Wn0oDRA_2og/TN1uAqPAUoI/AAAAAAAABDI/xCVgZGsGtMI/s1600/Amy_Winehouse_19.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 364px; DISPLAY: block; HEIGHT: 284px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Wn0oDRA_2og/TN1uAqPAUoI/AAAAAAAABDI/xCVgZGsGtMI/s1600/Amy_Winehouse_19.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Não é difícil recordar do primeiro dia em que ouvi Amy Winehouse na vida. Foi meio tarde, já no sucesso de “Back to Black”, em 2008. Curiosamente, a primeira coisa com que tive contato foi “You know i´m no good”, música bonita e charmosa, mas que podia facilmente ser cantada pela Joss Stone (também sensacional, aliás). Mas aquela voz de negona cheia de mágoas para contar me cativou – da mesma maneira que cativou meio mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre fiz parte do grupo que falava que a Amy era a voz mais genial dos artistas da nossa geração. Não só pelos bordões da imprensa – “reviveu o soul”, “reinventou o R&amp;amp;B”, “revisitou o jazz” e por aí vai –, mas, principalmente, por ser uma daquelas cantoras que sentam na mesa do bar, escrevem versos no guardanapo e cantam no palco com a mesma emoção (e bafo de vodca) do dia em que se inspiraram. Uma artista completa, que vivenciava, para o bem e para o mal, tudo aquilo que interpretava – coisa rara nesses nossos tempinhos sombrios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como meio mundo fez, corri pra ouvir de novo os discos dela assim que soube de sua morte. Lembrei do quanto “Frank” (2003), sua desconhecida (até agora) estréia, foi uma surpresa saborosa: o pop-com-identidade de “Stronger than me” e “You sent me flying”; as românticas (típicas de motel) “There is no greater Love” e “(There is) no greater Love”, o jeitinho sacana de “Amy, Amy, Amy”... bem diferente da artista convicta e já descendo o poço de “Back to Black”, que a consagrou mundialmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim. Muito ainda vão falar dessa criatura que, como tantos outros (e não só os que os video-docs nos lembram), fez muito pelo mundo e pouquíssimo por si, entregando os pontos antes da hora. “Rehab”, “Back to Black”, “Love is a losing game”, “Tears dry on their own”, “Me and Mr. Jones”, “Addicted” e afins vão continuar tocando por aí; são clássicos, canções autorais de um nível nada fácil de se atingir no meio pop. E eu, junto com meio mundo, ouço-as decepcionado, pensando nos versos da bela e tristemente adequada “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=hFp-7Zr3ziw&amp;amp;playnext=1&amp;amp;list=PLFB8493AE0AF7DEF0"&gt;Help yourself&lt;/a&gt;”, do “Frank”:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;I can't help ya if you won't help yourself&lt;br /&gt;I can't help ya if you don't help yourself&lt;br /&gt;You can only get so much from someone yeah&lt;br /&gt;You can get so much from me&lt;br /&gt;I can't help ya if you won't help yourself.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3798536714128115310?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3798536714128115310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3798536714128115310&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3798536714128115310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3798536714128115310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/07/amy-amy-amy.html' title='Amy, Amy, Amy'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Wn0oDRA_2og/TN1uAqPAUoI/AAAAAAAABDI/xCVgZGsGtMI/s72-c/Amy_Winehouse_19.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8922041725729032438</id><published>2011-07-21T10:48:00.005-03:00</published><updated>2011-07-21T11:20:52.043-03:00</updated><title type='text'>Elis Regina - Montreux Jazz Festival (1982)</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Idud7lY3SRs/TigvajiMyVI/AAAAAAAAAfM/r2KiB7EXk64/s1600/post_59_img.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631803467288594770" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Idud7lY3SRs/TigvajiMyVI/AAAAAAAAAfM/r2KiB7EXk64/s320/post_59_img.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;&lt;em&gt;“...Elis sabia que o disco ao vivo em Montreux, que poderia impulsionar sua carreira internacional, não sairia. Achava que tinha chutado um pênalti para fora. De volta ao Brasil, exigiu um juramento de que nunca lançaria aquela gravação, nunca, nem depois que ela morresse.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;O depoimento acima, atribuído a Nelson Motta, dá uma ideia do quanto a autoestima de uma das maiores intérpretes que o Brasil já teve era frágil. Mas, por obra do destino e das gravações feitas na tarde e noite do 13º Montreux Jazz Festival, na Suíça, a promessa não foi cumprida. Anos depois, o disco que fora planejado para consolidar Elis no cenário internacional, contra sua vontade, saiu em LP. Póstumo, discreto – e, provavelmente, um dos mais geniais shows feitos pela intérprete em sua pequena grande trajetória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é preciso ser bom entendedor de MPB ou conhecer as originais do repertório para reconhecer que se está diante de um talento doentio. Sem ensaios cuidadosos, execuções meticulosas ou técnicas castradoras, Elis e seus músicos Hélio Delmiro (guitarra), Luizão (baixo), Paulinho Braga (bateria), Chico Batera (percussão) e César Camargo Mariano (pianista e arranjador) cuspiram no público do festival uma seleção do que de melhor havia no País àquela época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Cobra criada”, que abre o disco, demora quase cinco minutos para ganhar voz, mas empolga desde o início, com um festival de contratempos e dissonâncias de piano e baixo. O climão saboroso e algo sexy da interpretação, típico de um festival de verão, continua com “Cai Dentro”, “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=5GzcIK5pNUQ"&gt;Madalena&lt;/a&gt;” e o medley “Ponta de Areia - Fé Cega, Faca Amolada - Maria Maria” – ponto dos mais marcantes do show. Alguns poucos clássicos também figuram em versões mais frias e calculadas, como “Águas de março”, mas é nas desconstruções que este ao vivo se prova uma coletânea informal obrigatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contragosto, segundo reza a lenda, Elis recebeu no palco do festival o multiinstrumentista Hermeto Pascoal e, numa espécie de “duelo”, acompanhou-o em versões, para dizer o mínimo, experimentais de &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=XOgHxIXyTKc"&gt;“Asa branca”&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=X7Kv1TpZkTQ"&gt;“Corcovado”&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=zGnqyIfyXOI"&gt;“Garota de Ipanema”&lt;/a&gt;. O resultado não é digno de comentários pseudointelectuais – basta ouvi-lo e qualquer preconceito em relação a versões-diferentonas-de-canções-consagradas cai por terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como tudo o que leva o selo da cantora, “Montreux Jazz Festival” é redondinho, muito bem executado, editado e produzido. É o tipo de registro que soa atemporal e, ao mesmo tempo, datado: por um lado, dá contornos atuais ao talento que Elis, então no final da carreira, subestimava. Por outro, lembra a quem não viveu aquela época (como eu) o quão grande a música brasileira já foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;Ouça trechos do disco &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.lastfm.com.br/music/Elis+Regina/Montreux+Jazz+Festival"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#663366;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8922041725729032438?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8922041725729032438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8922041725729032438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8922041725729032438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8922041725729032438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2011/07/elis-regina-montreux-jazz-festival-1982.html' title='Elis Regina - Montreux Jazz Festival (1982)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Idud7lY3SRs/TigvajiMyVI/AAAAAAAAAfM/r2KiB7EXk64/s72-c/post_59_img.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-2480049348430665787</id><published>2010-07-20T00:16:00.003-03:00</published><updated>2010-10-28T10:34:29.125-03:00</updated><title type='text'>Dez CDs para dormir ouvindo (e vice-versa)</title><content type='html'>Quem nunca alimentou a memória auditiva com aqueles disquinhos bons de se ouvir à hora de curtir umas horas de sono? Sendo ou não um grande fã de música, você certamente já tirou uma pestana com trilha sonora de fundo – mas, para muita gente (e eu me incluo desde já nesse grupo), escolhê-la cuidadosamente é crucial para garantir o clima certo para a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ter passado boa parte da adolescência enfurnado no quarto, tirando longas sestas nas tardes calorentas de Belém, acabei por eleger um monte de CD para ouvir quando queria descansar em paz, sem ouvir os latidos do meu cachorro, o pagode destruidor do Quem São Eles, as brigas da minha irmã com o namorado ou o irritante “rrr” do ar condicionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntando coisas daquela época a artistas e álbuns que descobri mais recentemente, deu para montar uma breve (e, naturalmente, reducionista) seleção de CDs. É bom avisar: não são necessariamente discos “leves” ou “paradões”. Se essa fosse a intenção, bastava ouvir qualquer coisa de bossa nova e deixar a baba escorrer no travesseiro. A ideia, aqui, é compor uma boa fórmula para desestressar, fechar os olhos e pensar na vida e, caso assim seja necessário, cair no sono – seja ao som de U2 ou de Los Hermanos, de Pink Floyd ou de Norah Jones. Aí vai a lista, novamente sem ordem de preferência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pink Floyd – A momentary lapse of reason (1985)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_70546whbry8/SReq7oLGTqI/AAAAAAAAASw/smJ30_04reU/s400/A_Momentary_Lapse_of_Reason.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_70546whbry8/SReq7oLGTqI/AAAAAAAAASw/smJ30_04reU/s400/A_Momentary_Lapse_of_Reason.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para começar, um dos discos mais injustiçados da história do rock progressivo. Abominado pelos fãs academicistas do quarteto inglês, “Momentary lapse of reason” é o único trabalho deles a flertar com a tendência musical da época – no caso, a new wave –; isso, no entanto, não faz dele um disco “comercial”, no sentido pejorativo da coisa. Pelo contrário: é extremamente complexo, bem arranjado – e cadenciado, o que faz dele um belo convite à cama. Se “Learning to fly” e “Sorrow” já seriam suficientemente relaxantes, espere para ouvir “On the turning away” e “Yet another movie”... nunca os vocais de David Gilmour soaram tão convidativos ao sono dos justos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Los Hermanos – Quatro (2005)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Z9Pj3V_Wfi8/SbL_n6WB2TI/AAAAAAAABcE/FQbHBv0LjGw/s400/2005_4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Z9Pj3V_Wfi8/SbL_n6WB2TI/AAAAAAAABcE/FQbHBv0LjGw/s400/2005_4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se os primeiros discos do Los Hermanos são escolha certa para um bom set de rock nacional, este aqui funciona melhor para um repertório orientado à tal “nova MPB” (ô rótulo nojentinho, mas enfim...). Teve muito fã implicando por conta disso, mas “Quatro” é realmente, do início ao fim, um disco marcha-lenta, “tendência” – e, aqui em nosso caso, isso é o suficiente para alçá-lo a uma colocação de destaque. Do hit “O vento” até a viajante “Dois barcos” e as brasileirinhas “Morena” e “Fez-se mar”, tudo aqui soa como se composto para se ouvir após um dia estressante, à beira de alguma prainha afastada do centro do Rio de Janeiro. Ou na hora de ir pra cama, enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Legião Urbana – V (1991)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_isEXHY4kIA8/SM_B7ttFRgI/AAAAAAAAAPI/CXkmtEM5y20/s400/_legiao_urbana_v_1991_retail_cd-fro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_isEXHY4kIA8/SM_B7ttFRgI/AAAAAAAAAPI/CXkmtEM5y20/s400/_legiao_urbana_v_1991_retail_cd-fro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O disco mais deprê da Legião, que meio que antecipava o fim abrupto da banda com a doença e morte de Renato Russo, é um dos mais relaxantes que o rock nacional já produziu – tanto em suas letras quanto nas melodias, calmas e rastejantes à maneira de um bom álbum-fossa. A melhor faixa, sem dúvidas, é “Vento no litoral” – a interpretação do vocalista é de arrepiar –, mas “Metal contra as nuvens”, “Teatro dos vampiros” e até a polêmica “Montanha mágica” têm potencial tranquilizante suficiente para fazê-lo dormir, mesmo ouvindo a voz sofrida de Russo falando dos revezes da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Norah Jones – The Fall (2009)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_rLvq8XiqZeQ/SxFuWH3vluI/AAAAAAAABfQ/hatzJI-gND4/s400/Norah%2BJones%2BThe%2BFall.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_rLvq8XiqZeQ/SxFuWH3vluI/AAAAAAAABfQ/hatzJI-gND4/s400/Norah%2BJones%2BThe%2BFall.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Confesso que não conheço muito a carreira de Norah Jones, mas esse disco, em que esbarrei quando trabalhava como produtor em uma rádio, me conquistou à primeira audição. Mesclando blues, pop, rock clássico e até mesmo uma pitadinha de jazz – pasteurizado, claro –, Norah imprime a faixas como “Chasing pirates”, “Back to Manhattan” e “Waiting” um ar relaxado e cool, como se o disco tivesse sido composto nos fundos de um pub de Nova Iorque. Uma dica: esse CD funciona bem, sobretudo, naquelas noites chuvosas, com direito a barulhinho dos pingos na janela do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Radiohead – In Rainbows (2007)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://hahamusic.files.wordpress.com/2007/12/radiohead-in-rainbows.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://hahamusic.files.wordpress.com/2007/12/radiohead-in-rainbows.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui de pagar muito pau para os discos do Radiohead – um dos motivos para isso é o fato de muitos deles soarem como “porradas” nos ouvidos, alternando momentos de extrema melancolia/lentidão com barulheiras indecifráveis. Junto ao clássico “Ok computer” – que só não figura nessa lista para evitar repetições de artista –, o “In rainbows”, de 2007, quebra esse ciclo, com melodias trabalhadas e uma atmosfera muito gostosa de se ouvir. “15 step”, “Weird fishes/arpeggi”, “Jigsaw Falling Into Place” e até a cavernosa “All i need” são verdadeiras delícias para os ouvidos sonolentos – quer dizer, isso caso você não esteja a fim de se matar ou algo do tipo. Nesse caso, melhor ouvir o disco seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tears for Fears – Songs from the Big Chair (1985)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://image.wangchao.net.cn/bt/1242215880408.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 455px; DISPLAY: block; HEIGHT: 455px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://image.wangchao.net.cn/bt/1242215880408.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tá, Tears for Fears pode até ser a cebola torrada que dá gosto à deliciosa farofa mofada que foram os anos 1980 – mas esse disco é, além de uma obra-prima da música pop, a prova de que dá para dormir ouvindo música sem perder a qualidade do sono. Por conta do tom radiofônico de canções como “Shout”, “Everybody wants to rule the world” e “Head over heels”, a impressão que fica é a de que se está ouvindo uma rádio new wave qualquer – mas faixas menos conhecidas, como “I believe” e a genial “The working hour”, mostram que não só nos hits reside a leveza e qualidade desse disco. Bom de se ouvir, também, durante o sexo – mas isso é assunto para outra listinha, claro (fica a ideia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;U2 – The Unforgettable Fire (1984)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://u2pt.com/media/7/20090401-U2%20unforgettablefire.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://u2pt.com/media/7/20090401-U2%20unforgettablefire.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Difícil escolher um disco específico do U2 para entrar nessa lista – até porque, ao meu ver, quase todos os trabalhos do grupo (exceção para “Pop” e “Achtung baby”) são trilha sonora para uma boa noite de sono. Mas o clássico “Unforgettable fire” supera o resto da discografia por sua atmosfera épica, meio etérea – coisa que se vê desde a faixa de abertura, a bela “A sort of homecoming”, até os hits “Pride (in the name of love)” e “Bad” e a belíssima faixa-título. O charme do disco é, principalmente, a voz de Bono, registrada em seu melhor momento, que é muito bem acompanhada pelo climão de live rehearsal das gravações e soa potente como nunca. Nada, claro, que agrida os ouvidos mais sensíveis – ou os ouvintes de sono mais leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The Beatles – Let it Be (1970)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://warezme.files.wordpress.com/2008/06/beatles-let_it_be.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://warezme.files.wordpress.com/2008/06/beatles-let_it_be.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O trabalho derradeiro dos Beatles, gravado no maior climão porradeiro, é, ironicamente, um dos mais relaxantes e tranquilos da extensa discografia do grupo – e olha que concorrer nessa categoria com “Abbey road” é difícil. Não só a faixa-título, mas “Dig a pony”, “Across the universe” e a bela “The long and winding road” relaxam como uma boa taça de vinho – não enjoam nem dão ressaca, além de estimular a introspecção. Mas cuidado: é bom evitar a versão naked do disco, lançada no melhor estilo caça-níquel nesses recentes anos 2000. Tiraram as orquestras e deixaram tudo com um ar mais cru e barulhento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Novos Baianos – Acabou Chorare (1972)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://img.sharedmp3.net/files/pics/514/513859/img_1_pr.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://img.sharedmp3.net/files/pics/514/513859/img_1_pr.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Chegou a “cota da MPB”. Como já usei o “Transa”, do Caetano Veloso, na lista passada – e ele seria, de fato, bem adequado aqui –, o jeito é pegar o “Acabou chorare” dos Novos Baianos; disco gostosinho, suave e descompromissado, com aquele ar de gravação-de-sítio que quebrou o tom academicista e politicamente correto da música brasileira de antigamente. Além da beleza das melodias de “Mistério do planeta”, “Preta pretinha” e “Swing de Campo Grande”, marcam no disco “Brasil pandeiro” e “A menina dança”, que, apesar de animadas, não deixam de ser boas trilhas sonoras para uma noite saudável de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coldplay – X &amp;amp; Y (2005)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.israbox.com/uploads/posts/1185906391_xy.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://www.israbox.com/uploads/posts/1185906391_xy.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que qualquer música do Coldplay é, por natureza, sonífera. Tirando a ironia e o tom maldoso dessa assertiva, faz até sentido; o grupo liderado pelo chatonildo (mas talentoso) Chris Martin até investe em distorção e canções aceleradas, mas acerta a mão mesmo nas baladinhas de tonalidade britpop. Sem desmerecer “A rush of blood to the head”, que é excelente em todos os sentidos, o experimental “X &amp;amp; Y” é, ao meu ver, o mais tranquilo e cadenciado trabalho deles. Fora os hits “Fix you”, “Speed of sound” e “The hardest part”, canções como “White shadows”, “Talk” e “Square one” – que abre o CD no maior climão 80´s – são ideais para relaxar após um dia estressante; pena que você dificilmente chega acordado ao final do set, com a bela e esquisitinha “Twisted logic”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-2480049348430665787?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/2480049348430665787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=2480049348430665787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2480049348430665787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2480049348430665787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2010/07/dez-cds-para-dormir-ouvindo-e-vice.html' title='Dez CDs para dormir ouvindo (e vice-versa)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_70546whbry8/SReq7oLGTqI/AAAAAAAAASw/smJ30_04reU/s72-c/A_Momentary_Lapse_of_Reason.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6940342587569382693</id><published>2010-07-05T13:03:00.014-03:00</published><updated>2010-07-20T22:21:46.710-03:00</updated><title type='text'>Dez discos que você precisa ouvir antes de avaliar o artista</title><content type='html'>Não é raro a gente ouvir os outros falando mal de nossos artistas preferidos. Mais frequente, ainda, é identificar opiniões toscas, mal elaboradas e que, ao menos ao ver dos "entendidos", nada têm a ver com a realidade. Pois bem: aproveitando para tirar a poeira deste pobre blog - desde fevereiro às moscas -, resolvi apresentar uma seleção dos dez discos que, ao meu ver, são capazes de sintetizar toda a proposta em torno de um grupo ou artista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os álbuns que você precisaria ouvir caso quisesse ter opinião formada sobre eles. Opinião verdadeira, não coisa de wikipediano que ouviu uma ou outra canção no rádio e já quer sair falando com toda a propriedade. A listinha tem muito a ver com meu gosto pessoal; portanto, claro que vai ter Dream Theater, U2 e Oasis, minhas paixões de adolescente, e também Michael Jackson e Madonna, que aprendi a curtir e respeitar mais recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, último aviso: não peguei, necessariamente, os melhores discos. São apenas os mais, digamos, "representativos" das discografias e propostas de cada um. É com toda a humildade - e dando a cara a tapa - que os apresento, sem ordem de importância definida, já na torcida por réplicas dos poucos leitores:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;David Bowie - Let´s Dance (1983)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://53rdand3rd.files.wordpress.com/2009/06/davidbowie.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 423px; DISPLAY: block; HEIGHT: 425px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://53rdand3rd.files.wordpress.com/2009/06/davidbowie.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Podem me matar por isso, mas eu não acho a discografia do Bowie das melhores. Tem muito disco dispensável e que passa uma péssima primeira impressão para quem ouve o cara pela primeira vez - um exemplo rápido é "Station to station", em que só a faixa-título e "TVC 15" se salvam. "Let´s dance", o pós-&lt;em&gt;disco&lt;/em&gt; mais farofento da década de 1980, é, sem dúvidas, a melhor forma de apresentar Bowie ao ouvinte mais exigente. Cheio de canções de peso - "China girl", "Modern love", "Under pressure", "Shake it"... - e com uma das melhores faixas-título da história, o álbum foi responsável por me fazer admirar o vozeirão e a sonoridade camaleônica do cantor após anos de implicância. Há quem diga que "Low" (1977) é um portfólio mais fiel ao cara... mas aí é questão de gosto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oasis - What´s the Story (Morning Glory)? (1995)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://blogs.houstonpress.com/rocks/album-whats-the-story-morning-glory.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 419px; DISPLAY: block; HEIGHT: 417px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://blogs.houstonpress.com/rocks/album-whats-the-story-morning-glory.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O disco da adolescência de metade dos espinhentos da minha geração é, também, o que apresenta o britpop do Oasis em sua melhor forma - sem egocentrismos, experimentalismos fake ou ares caça-níquel. Das guitarras descuidadas de "Hello", "Roll with it", "Some might say" e "Hey now!" ao pop gostoso de "Wonderwall", "Don´t look back in anger" e "Champagne supernova", é um CD que põe em xeque a máxima de que música comercial é música ruim. Se você ainda achar a voz de Liam e as composições de Noel uma porcaria após ouvi-lo, paciência. Deus te perdoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;U2 - Joshua Tree (1987)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://timpanos.files.wordpress.com/2009/06/u2-the-joshua-tree-420360.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 459px; DISPLAY: block; HEIGHT: 460px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://timpanos.files.wordpress.com/2009/06/u2-the-joshua-tree-420360.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Talvez a banda mais difícil de se conhecer a fundo - dentre as citadas, claro -, o U2 tem uma discografia imensa e muito heterogênea, tanto em som quanto em qualidade. Pondo de lado gostos pessoais, é preciso aderir ao senso comum e considerar o famosíssimo "Joshua tree" como o produto-base para qualquer futuro fã da banda, não apenas porque uma penca de hits figura em seu tracklist, mas também devido à boa impressão que o álbum deixa com sua sonoridade polida e arranjos cuidadosos. "Where the streets have no name", "I still haven´t found what i´m looking for", "With or without you" e outras canções de título imenso trazem Bono, Mullen Jr., Clayton e Edge em um momento de inspiração máxima, cativando à primeira audição - mas, se o motivo de sua raiva do U2 vem da aura messiânica do vocalista, esqueça. Aqui ela está com tudo em cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;The Red Hot Chili Peppers - Blood Sugar Sex Magik (1991)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://fuckingsick.files.wordpress.com/2009/11/1991-blood-sugar-sex-magik.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 458px; DISPLAY: block; HEIGHT: 461px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://fuckingsick.files.wordpress.com/2009/11/1991-blood-sugar-sex-magik.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ouvir os Chili Peppers até hoje é algo que me permito fazer com orgulho, mesmo sabendo da mania que as pessoas têm de renegá-los ao chegar à idade adulta (como se eu já o fosse...). E mesmo achando "Californication" (1999) o mais legal do grupo, é preciso admitir que "Blood sugar sex magik" é o que realmente mostra a proposta musical de Kiedis, Flea e companhia: um funk rock destruidor, com instrumental porrada, vozeirão, letras nonsense e baixo no máximo. "Give it away", "Breaking the girl", "Suck my kiss", a faixa-título e até a baladinha "Under the bridge" são capazes de cativar quem pegar esse CD e ouvi-lo no máximo. Se você detestá-lo, é caso perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Michael Jackson - Off the Wall (1979)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://image.wangchao.net.cn/bt/1242292526424.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 456px; DISPLAY: block; HEIGHT: 458px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://image.wangchao.net.cn/bt/1242292526424.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por mim, pode pegar o Michael branquelo, recluso e repleto de influências do hip-hop dos anos 1990 em diante e jogar no lixo: bacana mesmo é aquela fase black music, estilosa e repleta de pérolas como "Off the wall", disco que, ao meu ver, supera o clássico "Thriller" em vários aspectos. Como gostar ou não do cantor, muitas vezes, é uma questão mais pessoal que musical, digo que esse é o melhor disco por apresentá-lo como um artista equilibrado, cuidadoso e bem acompanhado - o que se vê desde a abertura, com a sensacional "Don´t stop ´til you get enough", até as charmosas "Rock with you", "Working day and night" e "She´s out of my life". Esqueça as criancinhas, as polêmicas e o apreço de Michael por um exotismo comportamental: isso aqui é música das boas, das melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Led Zeppelin - II (1969)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.classicrockmagazine.com/wp-content/uploads/2009/10/led-zep-ii.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 499px; DISPLAY: block; HEIGHT: 508px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://www.classicrockmagazine.com/wp-content/uploads/2009/10/led-zep-ii.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Embora muita gente insista que o Led presta mais ao vivo que em estúdio, o "II" acaba por ser o melhor exemplo do que Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham podiam fazer juntos pelo rock - maravilhas que até hoje pouca gente sabe admirar. O disco é exatamente o que se esperar de uma obra-prima do quarteto - riffs marcantes, trabalho vocal esmerado, cozinha baixo-bateria no volume máximo e um ar típico de motel americano. Entre as canções, sobressaem "What is and what should never be", "Living loving maid (she´s just a woman)", "Thank you" e as clássicas "Whole lotta love" e "Bring it on home".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caetano Veloso - Transa (1972)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://gustavocotta101.files.wordpress.com/2009/11/caetano1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 458px; DISPLAY: block; HEIGHT: 457px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://gustavocotta101.files.wordpress.com/2009/11/caetano1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não sou daqueles chatos que sabem tudo de MPB, mas se tem um cara que admiro é o Caetano Veloso. Como ele é nome recorrente em papinhos pseudointelectuais em botecos cult - mesmo que pouquíssima gente conheça sua obra a fundo -, não tinha como excluí-lo dessa lista; e o "Transa" é a escolha mais óbvia para apresentá-lo a quem deseja saber conversar sobre. Assim como "Cinema transcendental" (1979), o disco soa como se composto em etapas distintas, tamanha sua diversidade de sons. Fora a oscilação entre a língua inglesa e o português - que, surpreendentemente, não soa pedante ou forçada -, as canções do disco são arranjadas com um climão bem espontâneo, dando a sensação de um "show em estúdio". Entre os destaques, "Nine out of ten", "You don´t know me", "It´s a long way" e a charmosa versão de "Mora na filosofia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Belle and Sebastian - Fold Your Hands Child, You Walk Like a Peasant (2000)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://onealbumaday.files.wordpress.com/2009/02/belle-and-sebastian-fold-your-hands-child-peasant-album-cover.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 458px; DISPLAY: block; HEIGHT: 459px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://onealbumaday.files.wordpress.com/2009/02/belle-and-sebastian-fold-your-hands-child-peasant-album-cover.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Belo exemplar dos grupos estilo "ame-o ou odeie-o", o Belle and Sebastian tem uma carreira estável, sem grandes altos e baixos; talvez por isso seja tão difícil elencar um "CD-portfólio" assim, à risca. "F.Y.H.C.Y.W.L.A.P." - sim, o título é imenso - soa como a melhor escolha por combinar o que de melhor há no grupo - sessentismo que soa natural, diversidade de vocais e instrumentos - ao mesmo tempo em que minimiza seus defeitos - sonoridade sem surpresas, lentidão, vocais melosos. Quem gosta do típico rock europeu de base retrô não tem como não curtir "I fought in a war", "Waiting for the moon to rise", "The model" e a bela "The wrong girl".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dream Theater - Falling Into Infinity (1997)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://fuckingsick.files.wordpress.com/2009/09/1997-falling-into-infinity.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 460px; DISPLAY: block; HEIGHT: 464px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://fuckingsick.files.wordpress.com/2009/09/1997-falling-into-infinity.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mesclando dois estilos que muita gente odeia - heavy metal e rock progressivo -, o Dream Theater não é o tipo de grupo que atrai admiradores a toda hora. Na verdade, é preciso treinar o ouvido para ver que os riffs barulhentos e solos virtuosos do grupo liderado por Mike Portnoy são fruto de estudo e dedicação - e não só de vontade de bater a cabeça e fazer mosh. Por ser um dos mais suaves da discografia do grupo, "Falling into infinity" acaba sendo o mais acessível para apresentar a banda, com canções como "Trial of tears", "Anna lee", "Hollow years" e "Take away my pain". E quem gosta de peso e experimentalismo também tem o que ouvir em "Burning my soul", "New millenium" e "Lines in the sand".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Madonna - Ray of Light (1997)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://sunilanandts.files.wordpress.com/2009/03/madonna-ray-of-light-cover-design.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 483px; DISPLAY: block; HEIGHT: 486px; CURSOR: hand" border="0" alt="" src="http://sunilanandts.files.wordpress.com/2009/03/madonna-ray-of-light-cover-design.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para encerrar a lista, uma das artistas pop que mais geram desconfiança junto ao ouvinte comum. Afinal de contas, não é nada fácil ser queridinha da mídia: todo mundo acha que até a alma de Madonna foi produzida num estúdio de megagravadora. Grande injustiça - alguns discos da cantora, com destaque para "Ray of light", mostram que tanto sucesso não é fruto de acaso. Deixando o pop-farofa-80´s um pouco de lado, Madonna mostra interpretações mais cuidadosas sobre instrumentais trabalhados, como se vê nas faixas "Frozen", "Little star", "Sky fits heaven" e "Drowned world-substitute for love". O resultado é um disco desmistificador e, ao mesmo tempo, adequado ao mercado pop. Bom para perder certos preconceitos.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6940342587569382693?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6940342587569382693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6940342587569382693&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6940342587569382693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6940342587569382693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2010/07/dez-discos-que-voce-precisa-ouvir-antes.html' title='Dez discos que você precisa ouvir antes de avaliar o artista'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4533885681455416483</id><published>2010-02-23T11:00:00.003-03:00</published><updated>2010-02-23T11:08:02.045-03:00</updated><title type='text'>Um novo rumo para Almodóvar</title><content type='html'>&lt;a href="http://img.blogs.abril.com.br/1/culturadocio/imagens/abracos-partidos.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 448px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://img.blogs.abril.com.br/1/culturadocio/imagens/abracos-partidos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Com orientação mais dramática e roteiro inovador, “Abraços partidos” confirma maturidade do cineasta espanhol&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GUTO LOBATO&lt;br /&gt;Especial para o Amazônia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saturação de cores no máximo, diálogos escrachados, personagens bizarros – quando não absurdos –, histórias tragicômicas, pitadas de erotismo e lirismo feminino... sempre baseados, jamais restritos a isso, os filmes de Pedro Almodóvar têm algo de muito típico. São uma garantia de boa fruição aos adeptos do diretor espanhol, cultuado tanto pela indústria cinematográfica quanto pelos círculos alternativos. Pois é: mas já faz algum tempo que Almodóvar tem buscado novos caminhos; abordagens densas que põem à prova sua capacidade de fugir do folhetinesco e ir ao encontro do romance e do drama de primeira linha. É a aposta que transparece no longa “Abraços partidos” (Los abrazos rotos, Espanha, 2009, 120 min.), que permanece em cartaz no circuito nacional durante as próximas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando um pouco de lado a verve humorística, o diretor espanhol concebeu uma história de amor cercada de tragédias e alusões ao mundo da Sétima Arte. Só o começo engana: Harry Caine (Lluís Homar), um cineasta cego, leva para casa uma moça que o ajuda a atravessar a rua e faz sexo com ela. Logo após esta cena, uma sucessão de vais e vens no tempo revela a melancólica história daquele homem. Patrocinado pelo megaempresário Ernesto Martel (José Luís Gómez), Caine – cujo nome de nascimento é Mateo Blanco – começa a rodar nos anos 1990 um filme estrelado por Lena (Penélope Cruz), amante do financiador e aspirante a atriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora pouco profunda, a comédia figura no currículo do cineasta como uma oportunidade de se renovar e conquistar novamente o público. No entanto, uma aproximação entre ele e Lena acontece em meio às filmagens; ao mesmo tempo, o problemático filho de Martel começa a vigiá-los, suspeitando do caso. E é no período entre a edição do longa-metragem e o incidente que culmina na solidão e cegueira de Mateo que Almodóvar constrói o núcleo de uma narrativa repleta de trágicas reviravoltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roteiros mais soturnos já marcaram presença anteriormente na obra de Almodóvar – basta checar sua videografia recente. “Fale com ela”, de 2002, e “Tudo sobre minha mãe”, de 1999, são dramas que exploram as relações humanas sob contornos trágicos, tendo a inconsciência e a morte, respectivamente, como panos de fundo. “Má educação”, de 2004, vai no mesmo rumo, embora carregando nas doses de violência e erotismo. Pode-se dizer que “Abraços partidos” reflete o amadurecimento de Almodóvar ao longo desse período; é o ponto de chegada para um diretor que, enfim, se libertou de seus próprios clichês, não importando o quão polêmico – e arriscado – isso soe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enumerar as qualidades do filme não é difícil. Como de praxe, o elenco mescla “ilustres desconhecidos” – como o diretor teatral catalão Lluís Homar, numa interpretação elogiável – e estrelas do cinema europeu, caso da musa Penélope Cruz. A inovação estética também foi um acerto: ao invés da ambientação multicolorida, Almodóvar priorizou paisagens sóbrias e escuras, em clara referência ao cinema noir, e só volta às raízes no filme-dentro-do-filme dirigido pelo protagonista (repleto de alusões à obra do próprio cineasta, diga-se de passagem). Outra grande virtude de “Abraços partidos” é a não linearidade da história, recurso comum – mas raramente bem utilizado – no cinema europeu. O resultado, nas inquietas mãos de Almodóvar, é uma narrativa cortada por idas e vindas no tempo – e, por isso mesmo, muito mais instigante, com suas quase imperceptíveis duas horas de duração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, tantas quebras de tradição talvez tornem “Abraços partidos” uma espécie de “patinho feio” na carreira de Almodóvar. Os fãs e críticos mais tradicionais já começaram a associá-lo ao esgotamento criativo do diretor, à sua adequação ao cinema-pipoca ou algo assim. Tudo balela. Mesmo sem mulheres histéricas dando tiros com uma garrafa de gaspacho nas mãos, sem toureiros ou bandidos tresloucados e transexuais, “Abraços partidos” é um típico filme do cineasta espanhol. A verdade é que, como Woody Allen fez em seu “Vicky Cristina Barcelona”, Almodóvar decidiu sair do conforto, arriscar-se em outras freguesias – e se deu muito bem. Veja sem medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4533885681455416483?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4533885681455416483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4533885681455416483&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4533885681455416483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4533885681455416483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2010/02/um-novo-rumo-para-almodovar.html' title='Um novo rumo para Almodóvar'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5694427018482315545</id><published>2010-01-10T02:02:00.004-03:00</published><updated>2010-10-28T10:39:31.758-03:00</updated><title type='text'>Coisas hypadas que valem a audição</title><content type='html'>Meu conhecimento sobre música atual - contemporânea, seja o que for - é vergonhoso. E não me envergonho em dizê-lo. A rápida passagem que tive pela rádio até que ajudou a melhorar, mas continuo sabendo muito pouco sobre o que houve em cenário pop dos anos 2000 para cá. Talvez por implicância com coisas novas, talvez por conta desta minha mania de escavar discografias de artistas que admiro - o que, inevitavelmente, me impede de correr atrás de coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, o que importa é que, em meio aos preparativos para a mudança, resolvi pôr aqui uma breve listinha de grupos que estouraram nessa primeira década de 2000 - e que têm motivos para a atenção que receberam. Alguns surgiram e sumiram logo depois, outros mantêm uma carreira respeitável, mas todos, de um jeito ou de outro, deixaram sua marca nessa década marcada por efemeridade e tons de exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que comecem a me jogar tomates por dizer que os grupos listados abaixo têm anos e anos de carreira, vale adiantar: não digo "hypado" no sentido de recente, e sim de supervalorizado, vangloriado, endeusado... e por aí vai. Vamos ao que interessa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cut copy&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem que esse revival 80´s do século XXI já deu. Mas os australianos do Cut Copy se destacam: fazem um som essencialmente eletrônico, mas também bebem na fonte do rock psicodélico e do pop. O resultado é um som pegajoso, que se encaixa facilmente nas pistas de dança e nos Ipods de aborrescentes metidos a retrô. O CD "In ghost colours", de 2008, pode ser considerado uma pequena obra-prima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Céu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não só uma artista hypada, como um ícone do hype de novas-vozes-femininas-da-MPB que tomou conta do mercado brasileiro, a Céu é uma bela surpresa para quem não aguenta mais intérpretes viciadas na linguagem fácil da neobossanova e derivados. Samba, pop e até chorinho e música eletrônica se encontram na sonoridade da menina de voz e verve classudas, que tem pelo menos dois discos acima da média: "Céu", de 2005, e "Vagarosa", do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;MGMT&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse duo tem algo de muito promissor. A sonoridade, dosada entre o oitentismo new wave e o rock psicodélico dos anos 1970, e o visual classudo deixam o MGMT com ar de pequena-revolução - e talvez tanto hype proceda. O CD "Oracular spetacular", bem como o EP "Time to pretend", são bons de cabo a rabo, e isso não é fácil de se ver hoje em dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;She wants revenge&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conheci ouvindo em algum buraco pseudoindie de Belém. Depois baixei o disco, já desconfiado, mas me surpreendi. Emulando algo de Joy Division, Bauhaus e Siouxsie and the Banshees - tudo misturado a sintetizadores no máximo e vocais ultra-cavernosos -, o projeto lançou um disco fodástico e auto-intitulado, em 2006, cujo maior destaque é a canção "Tear you apart" (um bizarríssimo tecnobrega anglo-saxônico). Só não entendo porque eles sumiram assim, do nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Amy Winehouse&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa moça, doa a quem doer, foi a melhor voz feminina dos anos 2000. Ao menos na seara do rock alternativo, repleta de junkies desafinadas e cabeças-de-vento. Tá, Amy é louca, louquinha - mas canta como uma diva da música black, e não só no aclamado "Back to black", de 2007, como em "Frank", de 2003 - CD em que a cantora ainda ostentava certa aura pop, com canções radiofônicas. Se ela sobreviver aos anos 2010 (difícil), certamente voltaremos a ser surpreendidos com mais discos geniais. E escândalos, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;The Kooks&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ingleses até o diabo dizer chega. Um pezinho no folk rock e outro no britpop - é assim que esse grupo formula seu sonzinho simples e despretensioso, ideal de se ouvir numa viagem de carro ou de avião. Na minha opinião, o CD "Inside in, inside out" foi um dos melhores de 2006 - é bom de cabo a rabo. Já "Konk", de 2008, é meio sem sal. É o mesmo problema do Arctic Monkeys: os caras resolveram ter pêlo no sovaco e ficaram sérios demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Franz Ferdinand&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a minha preferida, sem dúvidas. Muita gente começou a achá-los chatos - eu, sinceramente, considero o Franz o mais autêntico dos grupos aqui citados. A fórmula sonora desses malucos, que traz ecos de The Doors, Joy Division e até Human League (?!?), acaba deixando de ser revival de tão reformulada que soa em CDs como "You could have it so much better", de 2005, e "Tonight", de 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Teatro Mágico&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá, eles são irritantes. Os fãs, piores ainda. Mas tente ouvir a música do Teatro Mágico sem preconceitos: é difícil não gostar de nada. Deixando de lado a maquiagem, os tiques e o pseudointelectualismo de Fernando Anitelli e sua "trupe" (urgh), dá para identificar no grupo uma sonoridade variada, criativa e inteligente. Até agora eles lançaram dois CDs, mas fique com o "Entrada para raros", de 2003. É menos "proposta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;The Strokes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pode argumentar que falar deles nem vale - já deixaram de ser hype há tempos. Mas enfim, Strokes precisava estar aqui. É o grupo que me ensinou que, às vezes, menos é mais em rock - e isso se vê na formação simplista e nos arranjos toscos, porém fascinantes, das canções dos três CDs lançados até hoje. "Is this it", de 2001, vale ressaltar, pode ser considerado o bisavô do indie - por excelência, o mais genuíno e saboroso registro desse pseudogênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Arctic Monkeys&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra finalizar, mais um &lt;em&gt;cliché&lt;/em&gt; válido. Sejamos sinceros: o que seria de uma lista de bons hypes se não fossem os Arctic Monkeys, intitulados "os novos Beatles" logo após lançarem o primeiro CD? Enfim, exageros à parte, esses pirralhos espinhentos da Inglaterra quebraram tudo com seus dois primeiros CDs, lançados em 2006 e 2007. O novo, "Humbug", foi lançado no ano passado e deu um ar sóbrio, esquisitão, ao grupo característico por seus riffs frenéticos. Enfim - os caras devem ter arrumado namorada, algo assim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5694427018482315545?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5694427018482315545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5694427018482315545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5694427018482315545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5694427018482315545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2010/01/coisas-hypadas-que-valem-audicao.html' title='Coisas hypadas que valem a audição'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-1100472426482505731</id><published>2009-12-30T18:36:00.003-03:00</published><updated>2009-12-30T19:02:35.718-03:00</updated><title type='text'>Dois é bom</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;Chamativos, originais e irreverentes, duos viram – e fazem – moda no cenário atual da música&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Guto Lobato-Belém(PA)&lt;br /&gt;Texto publicado na revista Spot #15, da &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/www.eberlefashion.com.br"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Eberle Fashion&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma época em que quantidade significava qualidade no mundo da música. Que fique bem claro: quantidade no sentido de, digamos, “contingente artístico”. Lá pelos tempos áureos da música erudita, orquestras megalômanas representavam uma espécie de arte superior. Aos populares, restavam os cantores solitários, com seus violões desafinados e palcos improvisados. Essa lógica musical foi implodida pelo rock e pelo pop do século XX, que instituíram a clássica formação vocal-baixo-guitarra-bateria, hoje tão natural aos nossos ouvidos. Pois é – mas você já deve ter reparado que a indústria musical voltou a consagrar o minimalismo. De uns tempos para cá, os grupos formados por duplas – duos, no jargão pop – têm obtido destaque nas rádios e premiações do gênero, mesmo sem todo aquele aparato instrumental. É um fenômeno curioso, que envolve tanto a disposição do mercado em aceitá-lo quanto as preferências de um público ávido por inovações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que grandes duplas sempre permearam o mercado pop, só que em proporções bem menores. Paul Simon e Art Garfunkel (Simon &amp;amp; Garfunkel), Roland Orzabal e Curt Smith (Tears for Fears), Neil Francis Tennant e Chris Lowe (Pet Shop Boys)… todos, de uma forma ou de outra, souberam utilizar a estrutura do duo para conquistar espaço na mídia. Não é preciso ficar só no mérito da qualidade – indiscutível, no caso dos exemplos citados – para entender tamanho sucesso; ele está associado, também, à imagem fascinante que uma dupla capaz de levantar plateias e fazer um som completo produz. Um duo é fashion, em resumo – tem seu charme no exotismo de formações inusitadas, no multi-instrumentismo, na ousadia e no talento dos músicos que o compõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova geração musical está repleta de adeptos desta equação sonora. A coisa deixou de ser exceção para se aproximar de regra. E isso não só no rock independente como também no mercado pop das rádios e das grandes gravadoras. Exemplos não são difíceis – Black Keys, Matt &amp;amp; Kim, The Kills, The Big Pink, MGMT, The Ting Tings, No Age, Vive la Fête e, é claro, White Stripes, o mainstream do gênero. Nacionalmente, há também o Montage, expoente do eletrorock do Nordeste que causa furor por onde passa – não sem motivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sonoridades desse pessoal variam muito – vão do rock de orientação psicodélica e do folk e garage americanos ao punk e à new wave –, bem como o visual: do preto-e-branco-no-vermelho do White Stripes ao desgrenhado charmoso de Alison VV Mosshart e Jamie Hince (Kills), do andrógino multicolorido de Daniel Peixoto (Montage) ao hippie chic de Andrew e Ben, do MGMT. Enfim, tem de tudo um pouco nessa safra de duplas que fazem moda no concorrido mercado musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elas estão nas lojas, na internet (sobretudo), nos desfiles de moda, nas trilhas de filmes e séries, nas rádios e nos Grammys, NME e MTV Awards da vida. Estão, também, na prateleira de muita gente das gerações antigas, que deixou de lado o preconceito e aprendeu a admirar o som produzido pelos duos do século XXI. Cru, sim – medíocre, nem sempre. Como são muitas as duplas de sucesso, vamos nos ater, aqui, às mais relevantes. Entenda-se: as que mais têm conquistado espaço junto à crítica especializada – e mais contribuem para questionar as fórmulas datadas do rock tradicional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;The White Stripes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.100xr.com/100_XR/Artists/W/White_Stripes/The.White.Stripes.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 360px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.100xr.com/100_XR/Artists/W/White_Stripes/The.White.Stripes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;cliché&lt;/em&gt; inevitável. Falar de duos sem citar o White Stripes é como falar de rock sem citar Elvis Presley e Beatles – enfim, uma furada sem precedentes. A dupla formada por Jack (vocal, guitarra e teclado) e Meg White (bateria, percussão e vocal) na cidade de Detroit, nos Estados Unidos, foi uma das primeiras a conquistar visibilidade na mídia por trazer uma sonoridade repleta de energia e referências retrô – blues, folk, punk e até música country. Some-se isso ao visual inusitado e à forte presença de palco da dupla – que adora equipamentos defasados e gravações sujas – e voilà: havia uma fórmula de sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Álbuns como “The White Stripes” (1999), “The Stijl” (2000) e “White blood cells” (2001) consagraram o grupo como um ícone do rock de garagem, mas foi a partir de “Elephant” (2003), vencedor de um Grammy, que a versatilidade de Jack e Meg ficou mais , com canções lo-fi que poderiam figurar num disco de folk. Os álbuns seguintes repetiram o sucesso, com orientações mais ou menos retrô. Jack entrou no rol dos melhores guitarristas da atual cena de rock, fundou projetos paralelos e até protagonizou um documentário ao lado de Jimmy Page e The Edge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Vive la Fête&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_9IqeDlXjR4Y/SO5S3k81JPI/AAAAAAAABQY/uZ5KHWrCMrk/s400/vive-la-fete.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 321px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_9IqeDlXjR4Y/SO5S3k81JPI/AAAAAAAABQY/uZ5KHWrCMrk/s400/vive-la-fete.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Outro “primogênito” desta safra de duos de rock e pop é o belga Vive la Fête, formando por Danny Mommens (guitarra e vocais) e Els Pynoo (vocais). Ao invés de seguir o caminho óbvio do eletrorock com bases no punk, o casal opta por incluir referências da chanson francesa e da new wave em seu trabalho. O primeiro disco, “Attaque surprise” (2000), coincidiu com uma época em que o Vive la Fête conquistou espaço no mundo da moda, trilhando vários desfiles – entre eles um da grife Chanel, em Paris, no ano de 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o aval de gente como o estilista Karl Lagerfeld, o grupo se tornou um dos principais expoentes da música eletrônica europeia ao lançar CDs como “Republique populaire” (2001), “Nuit blanche” (2003)” e “Grand prix” (2005). O Brasil já foi visitado pelo Vive la Fête em duas ocasiões: em 2006, quando Danny e Els passaram uma semana e fizeram dois pocket shows, e no ano passado. Detalhe: nesta última vez, além de excursionar por algumas capitais, eles posaram para uma campanha publicitária de uma marca de óculos. Sinal de que o casamento moda + música do duo está rendendo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;MGMT&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://oitudoemcima.files.wordpress.com/2009/07/mgmt.jpeg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 458px; CURSOR: hand; HEIGHT: 342px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://oitudoemcima.files.wordpress.com/2009/07/mgmt.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A dupla formada por Andrew Vanwyngarden (guitarra e vocal) e Ben Goldwasser (teclado e vocal) no ano de 2002 começou de forma despretensiosa: trocando composições autorais e batendo papo sobre música. Depois, os dois foram parar nos estúdios e lançaram uma sequência de trabalhos aclamada, com o EP “Time to pretend” (2005) e o disco “Oracular spectacular” (2008).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As referências destes dois jovens do Brooklin, Nova Iorque, vão do rock sessentista de orientação psicodélica até a new wave – fusão que foi bem recebida pela imprensa americana, que logo pôs o duo no pedestal de “revelação do novo rock” ao ouvi-lo. De fato, a salada de influências resulta em um visual hippie-de-boutique e um som pegajoso e fascinante, que emula os sons da loucura sessentista junto aos sintetizadores dos anos 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MGMT se apresentou no TIM Festival de 2008 no Brasil e colheu uns bons gritos da plateia. Porém, fez questão de vir acompanhado de uma banda completa, o que deixou o show mais pesado e barulhento do que reza a cartilha. Melhor mesmo é conhecê-los pela versão de estúdio de canções como “Electric feel” e “Kids” – provas cabais de que tanto hype, no caso da banda, tem sua razão de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;The Kills&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://wknc.org/blog/post/wp-content/uploads/kills.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 297px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://wknc.org/blog/post/wp-content/uploads/kills.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dois músicos – uma americana e um inglês – que seguiam carreira em grupos normais resolveram formar uma dupla de rock. Isso depois de trocar ideias de composições por correio e tudo. A história do The Kills, formado por Alison VV Mosshart (vocais e guitarra) e Jamie Hince (vocais, guitarra e bateria), é tão bizarra quanto seu som – uma mistura de pós-punk e garage rock repleta de guitarras em baixa afinação, vocais sussurrados e gravações sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro CD, “Keep on your mean side” (2003), foi antecedido por alguns singles que renderam comparações do duo com o White Stripes, mas uma audição atenta aponta diferenças – em especial nos vocais, em que Alison se sobressai. Canções como “Cat claw”, “Black rooster” e “Fuck the people” foram sucessos imediatos. Os discos seguintes, “No wow” (2005) e “Midnight boom” (2008), bebem também da fonte do pós-punk e da new wave – mas sem perder o jeitão sujo e algo retrô, que em muito combina com a estética desgrenhada da dupla. A novidade deste ano: “Keep on your mean side” foi relançado com faixas bônus de seus primeiros compactos. Uma boa oportunidade para quem deseja conhecer o Kills comprando o CD nas lojas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;The Big Pink&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.suprememanagement.com/being/wp-content/uploads/2009/09/the_big_pink.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 419px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.suprememanagement.com/being/wp-content/uploads/2009/09/the_big_pink.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O duo de eletrorock The Big Pink tem sido apresentado como uma das promessas do cenário inglês. Não é um posto difícil de ocupar na terra do hype, mas nesse caso faz sentido. Os membros Robbie Furze (guitarra e vocal) e Milo Cordell (teclado, arranjos e vocal) são amigos de longa data e trouxeram ao projeto uma mistura de sons industriais, guitarras distorcidas e arranjos sintetizados. Tudo com pitadas vocais de pós-punk que logo conquistaram os amantes de música retrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, o Big Pink já lançou quatro singles e um disco – o CD “A brief history of love” saiu nas lojas em setembro passado e trouxe canções como “Too young to love”, “Velvet”, “Stop the world” e a celebrada faixa-título. Com pouco mais de dois anos de atividade, a dupla já conseguiu conquistar a simpatia da NME, que lhe concedeu o prêmio Philip Hall Radar Award ao início do ano. Enfim, o Big Pink é o caçula entre os duos aqui citados, e um dos mais experimentais. Você provavelmente ainda não ouviu falar deles – mas ouvirá em breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;The Ting Tings&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://digestao.files.wordpress.com/2008/09/ting_tings.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 413px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://digestao.files.wordpress.com/2008/09/ting_tings.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Multipremiado, novo e talvez o duo de sonoridade mais crua dentre os aqui citados, o Ting Tings entrou em atividade em 2004 após um encontro dos músicos Katie White (vocais, guitarra e bombo) e Jules De Martino (bateria, guitarra, vocais e piano). A fórmula da dupla é curiosa – oscila entre a new wave oitentista, o dance rock e até mesmo o pop contemporâneo. O single “That´s not my name” foi o primeiro a estourar na Inglaterra, em maio de 2008, mas foi o CD “We started nothing”, lançado meses depois, que consagrou o Ting Tings junto à crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nele que figura a versão famosa da canção “Shut up and let me go”, cujo vídeo venceu na categoria Melhor Videoclipe Britânico do MTV Awards. Em novembro deste ano, o Ting Tings se apresentou no Brasil e fez um show bem cru, sem banda de apoio, mas conseguiu levantar a plateia. Em maio deste ano, Katie White disse a um jornal inglês que a dupla já prepara novas composições para o próximo CD, ainda sem título definido. É um dos mais esperados nesse universo de duplas de rock atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#ff6600;"&gt;Girls&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.speculum.art.br/blog/wp-content/uploads/girls.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 408px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.speculum.art.br/blog/wp-content/uploads/girls.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Formado por Christopher Owens (vocal, guitarra e composições) e Chet "JR" White (produção), o duo Girls é uma das mais novas surpresas da música independente. O projeto, que nasceu como consequência do Curls - grupo que Owens integrava - e tem bases sólidas no rock lo-fi, com referências de música pop, está dando o que falar na imprensa musical americana com seu CD de estreia, intitulado "Album", lançado há dois meses. Não sem motivo: apesar de pouco investir em inovações, a dupla possui uma proposta sonora concisa, com influências que vão de The Jesus and Mary Chain e Beach Boys a Elvis Costello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com "Album", a dupla de São Francisco foi adotada como grande aposta pelo selo Matador. As canções, recheadas de sentimentalismo e psicodelia, em muito traduzem as vivências que Chris atribui a seu passado tortuoso - que teria incluído viagens a serviço de um grupo religioso conservador e um mergulho tardio no mundo de excessos do rock. Entre os prováveis-futuros-hits do Girls estão "Hellhole ratrace" e "Lust for life" - que leva o mesmo nome do clássico e Iggy Pop e já ganhou um ótimo videoclipe.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-1100472426482505731?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/1100472426482505731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=1100472426482505731&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1100472426482505731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1100472426482505731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/12/dois-e-bom.html' title='Dois é bom'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_9IqeDlXjR4Y/SO5S3k81JPI/AAAAAAAABQY/uZ5KHWrCMrk/s72-c/vive-la-fete.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4396307665288383401</id><published>2009-10-24T12:00:00.004-03:00</published><updated>2009-10-24T13:39:28.849-03:00</updated><title type='text'>Caetano Veloso - Zii e Zie (2009)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SuMq4GjC0wI/AAAAAAAAAZs/kOJyvBt5rhU/s1600-h/ziiezie.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396203921838625538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 319px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SuMq4GjC0wI/AAAAAAAAAZs/kOJyvBt5rhU/s320/ziiezie.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nunca neguei que meu conhecimento de música brasileira não passa do óbvio. E, a meu ver, não tem clichê musical mais válido que Caetano Veloso - o cantor baiano que me fez mergulhar nesse mundão de gente grande que é o da MPB. CDs como "Transa", "Joia" e "Muito" - todos dos anos 1970 - estão na minha cabeceira virtual, lado a lado com outras referências comuns a qualquer ser humano que se diga brasileiro. Enfim, eu pago pau pro cara. Por conta isso, baixei "Zii e zie" tão logo ele foi lançado. Diante de tantas opiniões variadas sobre o CD, quis ouvi-lo e tirar minhas próprias conclusões.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: a impressão que ficou é que Caetano ainda se encontra meio suspenso sobre o mar de referências antagônicas que assimilou recentemente. Do rock ao samba, passando por pitadas menos aparentes de bossa nova e pop, os músicos Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria) fazem um trabalho esmerado para casar as melodias cruas da banda Cê à inquieta voz interior de Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado é repleto de altos e baixos, tal como o foi no disco "Cê" (2006): da energia de "Perdeu" à chatice desmesurada de "Base de Guantánamo", "Zii e zie" é exatamente o que li em um blog - um disco &lt;em&gt;irregular, mas bom&lt;/em&gt;. Muita coisa daqui pode ser agregada a um pretenso "best of" do cantor; da mesma forma, não faltam canções a se jogar no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única grande decepção que tive foi o fato de Caetano ser, visivelmente, o elo fraco do grupo que lidera: sua voz, naturalmente bela e agradável aos ouvidos, por vezes recai em graves deslizes de bom senso. Ouça "Por quem" e "Lobão tem razão" e entenderá do que estou falando. Por outro lado, quando a coisa dá certo, sai da frente - "Diferentemente", "Menina da ria" e "Sem cais" são exemplos de que o cantor pode fazer bonito ao tentar aliar o rockstar e o MPB-man de sua genética musical. Basta não se empolgar demais à hora de fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 8,0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faixa a faixa:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;01 - Perdeu&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bem Caetano: suave, cacofônica e quebrada. Uma abertura curiosa para o CD, tem até palavrão na letra e um refrão bolerístico que soa sofisticado. O tema da música é um riffzinho limpo, meio Los Hermanos, que prega ao ouvido com facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;02 - Sem cais&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi escolhida para as rádios, e não sem motivo. Tem uma batidinha gostosa, daquelas que se ouve dirigindo de volta para casa após um pôr-do-sol na praia. E o refrão é divertido, apesar de banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;03 - Por quem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vocal do cantor não é dos mais agradáveis nessa música, mas vale a audição. Tem uma levada cadenciada que transmite certa calmaria - aí o trunfo é da banda Cê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;04 - Lobão tem razão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sambinha de letra pretensiosa e dotado de um dos solos mais bizarros do disco - daqueles bem barulhentos e sem lógica. É uma espécie de resposta a uma música do Lobão, pelo que li. Vai saber qual é a melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05 - A cor amarela&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nível volta a subir com essa - pelo menos na melodia. A letra é meio velho-tarado, mas soa muito gostosa com o instrumental que os caras da Cê montaram. Até palminhas casadas com guitarra tem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06 - Base de Guantánamo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Proposta demais, como diria um conhecido. A letra é enjoativa, os vocais são maçantes, enfim; não sei o que diabos Caetano tinha na cabeça quando gravou isso. Falo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07 - Falso Leblon&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironia pura, a virtude máxima de Caetano. Um hino sobre o mundinho fechado a que uns e outros fazem reverência, repleto de indiretas e diretas. Em termos de arranjo, é simples, crua e pegajosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;08 - Incompatibilidade de gênios&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma das faixas mais longas do disco, e por isso mesmo uma das mais enjoadinhas. Tem uma verve meio monocórdica que dá no saco lá pelo terceiro minuto - mas calma, que mais adiante tem um instrumental dissonante dos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;09 - Tarado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ame-a ou a odeie. Eu odiei. Dizem que ao vivo fica divertida, mas já desconfio dos joguetes linguísticos do cantor. Para mim podia ter ficado de fora do CD, junto com "Base de Guantánamo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10 - Menina da ria&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito gostosinha e cheia de referências à ria de Aveiro (Portugal) - só isso já me fez gostar da música. Mas o jeitão de marchinha tem um charme que casa legal com os vocais de Caetano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11 - Ingenuidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja uma das que mais lembram o Caetano dos anos 1970. Da letra aos arranjos, tudo tem o jeitão daquela fase de discos como "Joia" (1975) e "Transa" (1972).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;12 - Lapa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relato apaixonado ou patinho feio de "Zii e Zie"? Cabe a cada um escolher. Para mim, é outra que não fede nem cheira. Tanto que precisei ouvi-la novamente antes de escrever; não lembrava de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13 - Diferentemente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melodia agradável, letra divertida e cheia de referências - enfim, uma das melhores canções do CD e, coincidência ou não, a que o fecha. O instrumental volta a trazer referências de samba e rock (o tal do &lt;em&gt;transamba&lt;/em&gt;), só que sem pretensões. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4396307665288383401?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4396307665288383401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4396307665288383401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4396307665288383401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4396307665288383401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/10/caetano-veloso-zii-e-zie-2009.html' title='Caetano Veloso - Zii e Zie (2009)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SuMq4GjC0wI/AAAAAAAAAZs/kOJyvBt5rhU/s72-c/ziiezie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-613176208392382039</id><published>2009-09-21T13:59:00.005-03:00</published><updated>2009-09-21T14:13:33.106-03:00</updated><title type='text'>Muse - "The resistance" (2009)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SreytiNJw4I/AAAAAAAAAZM/C4-urtGUqlc/s1600-h/muse.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5383968374890546050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 315px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SreytiNJw4I/AAAAAAAAAZM/C4-urtGUqlc/s320/muse.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Muse é o tipo de banda que desperta impressões opostas a cada audição. Às vezes, acho-os pretensiosos, enjoativos, barulhentos; em outras ocasiões, vejo-os como um dos mais inteligentes grupos de rock da atualidade. É fácil de entender: com cinco CDs lançados e uma carreira cheia de altos e baixos, o grupo liderado por Matthew Bellamy (voz, guitarra, piano) não é bem um exemplo de coerência. Da barulheira comedida de "Absolution" (2003) em diante, no entanto, eles conseguiram evoluir - e &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; - seu leque de influências, deixando para trás aquele ar hormonal de "Showbiz" (1999). E se o anterior "Blackholes and revelations" (2007) já dava o sinal do que eles poderiam alcançar, "The resistance" é o próprio ponto de chegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As expectativas eram absurdas em relação a esse disco - e não por acaso. O trio resolveu trabalhar por conta própria, sem a castração de produtores-antenados-no-mundo-fonográfico e coisas do tipo. Divulgou que uma das faixas teria o grotesco nome de "United states of Eurasia" e que o experimentalismo do CD anterior seria levado às últimas consequências. Foi o que aconteceu mesmo. As faixas de "Resistance" não são nada fáceis, salvo poucas - e excelentes - exceções. Tem desde trechos eruditos até flertes com blues, &lt;em&gt;new wave&lt;/em&gt; e até R&amp;amp;B (de forma bem tímida, mas tem). É muita referência musical para um grupo que ama riffs sujos, arpejos e falsetes trêmulos, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Ao mesmo tempo, porém, uma beleza e coesão fascinantes florescem das onze faixas do CD. É como se, nas palavras de um amigo, o Muse "levasse a gente para uma viagem" - de décadas, de sonoridades, tendências e fases - e voltássemos para cá impressionados com a capacidade deles de se reinventarem. É o que faz "The resistance" ser um disco que, embora carregado de certos exageros e afetações, mereça todo nosso respeito. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 9,0&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaques:&lt;/strong&gt; "Unnatural selection", "Undisclosed desires", "Resistance"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;FAIXA-A-FAIXA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 - "Uprising" – 5:04&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um começo e tanto. A música começa com certo ar anos 1980 - fruto dos sintetizadores e palminhas sincronizadas - mas o riff blueszado não deixa a identidade do Muse sumir. Há quem diga que a lenga-lenga da música, cujo instrumental quase não muda, deixe-a enfadonha, mas eu discordo. Melhor abertura de CD que essa, só em "Absolution".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 - "Resistance" – 5:46&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria que o Muse teria um U2 dentro de si? Parece que a moda de segundas faixas melódicas continua, porque essa pode ser interpretada como uma continuação de "Starlight" - com direito a pianinho, baixo monocórdico e tudo o mais. No mais, tem a melhor combinação bridge/refrão do disco, a meu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 - "Undisclosed desires" – 3:55&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa aqui podia tocar em novela. É, fazendo um comparativo, a "Supermassive black hole" de "Resistance". Os arranjos pop são animais - lembram a Madonna de "Music" (2000), de certa forma - e ficam ainda melhores em conjunto com o vocal, digamos, "comedido" de Bellamy. O cara virou um cantor pop de primeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4 - "United States of eurasia/ Collateral damage)" – 5:47&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bizarra. Foi a primeira que ouvi, por intermédio do maior fã-nerd de Muse que conheço, e confesso que deu medo do CD de antemão. A música começa meio chatinha, aquele negócio vai-não-vai, e de repente estoura um épico de inspiração medio-oriental comparável às viagens exóticas dos grupos de metal melódico. A voz do Bellamy tá linda aqui, de verdade. É a melhor das experimentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5 - "Guiding light" – 4:13&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintetizadores no volume máximo, bateria no estilo "climão" e um vocal meloso. Essa aqui não lembra nenhuma canção anterior do Muse - talvez por isso, seja a que mais destoa no conjunto de "Resistance". À primeira audição pode parecer chatinha, mas é só dar uma chance: o casamento guitarra-teclado no refrão instrumental é um dos momentos mais lindos do CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6 - "Unnatural selection" – 6:54&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a nova "New born", sem dúvida. E o engraçado é que começa com um órgão totalmente dispensável, que o grupo deve ter posto de brincadeira ou algo assim. Fora os riffs casados de guitarra e baixo - e que vão funcionar muito, mas &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; bem ao vivo -, marcam na música o vocal grave de Bellamy e o refrão, uma bizarrice monocórdica que gruda à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7 - "MK ultra" – 4:06&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Meio space rock. Tem um início muito bonito - sintetizador + guitarra é uma fórmula &lt;em&gt;auspiciosa&lt;/em&gt; - e depois segue do jeito mais Muse possível: verso cadenciado, refrão de riffs soltos e agudos no máximo. Tem um interlúdio com arranjo de cordas e um riffão final que quebram a monotonia, porém. Muita gente pode achá-la chata, mas eu curti. Mas que ela é afetada, é mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8 - "I belong to you/ Mon cœur s'ouvre à ta voix" – 5:38&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O final é a pretensão pseudoerudita materializada - o que diabos um trecho de ópera faz dentro desse CD? -, mas não consegue estragar a faixa mais representativa da guinada na carreira do Muse. Arranjos fofinhos de piano e baixo e uma letra romântica deixam a música com jeito de trilha sonora - não fosse o vozeirão de Matt, sempre trazendo-nos de volta ao planeta Terra, ela poderia figurar em alguma comédia romântica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 - "Exogenesis: Symphony part 1 (Overture)" – 4:18&lt;br /&gt;10 - "Exogenesis: Symphony part 2 (Cross-pollination)" – 3:56&lt;br /&gt;11 - "Exogenesis: Symphony part 3 (Redemption)" – 4:36&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Muita gente considera essa trilogia musical que fecha "Redemption" um atestado da genialidade de Matthew. A verdade é que as três faixas são um negócio meio pretensioso que une várias peças de piano e instrumentais inspirados, mas acaba soando &lt;em&gt;fake&lt;/em&gt; no produto final. Das três partes, destaco o início de "Redemption" - muito bonitinho - e os dois minutos finais de "Overture". Os arranjos de corda são animais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-613176208392382039?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/613176208392382039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=613176208392382039&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/613176208392382039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/613176208392382039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/09/muse-resistance-2009.html' title='Muse - &quot;The resistance&quot; (2009)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SreytiNJw4I/AAAAAAAAAZM/C4-urtGUqlc/s72-c/muse.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-1228568318415854624</id><published>2009-09-18T10:04:00.002-03:00</published><updated>2009-09-18T10:10:59.387-03:00</updated><title type='text'>Sobre exorcistas, iluminados e sobrenaturalismos afins</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.filmica.com/sonia_blanco/archivos/fotos/exorcista.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 404px; CURSOR: hand; HEIGHT: 321px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.filmica.com/sonia_blanco/archivos/fotos/exorcista.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me até hoje do dia em que assisti a &lt;a href="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/exorcista1.html"&gt;“O exorcista”&lt;/a&gt; (1973, 122 min.) pela primeira vez. Tinha uns oito, nove anos, e havia alugado a fita em uma locadora perto da escola, escondido de meus pais. Eu e mais uns amigos do prédio chegamos à conclusão de que era melhor todo mundo ver junto – claro: ninguém tinha coragem de fazê-lo a sós. Quando resolvemos consumar nosso ato subversivo, tive o que hoje classifico como uma das experiências mais aterradoras de minha vida. Juntamo-nos, uns dez moleques amedrontados, no quartinho dos fundos do apartamento de um amigo e passamos duas horas calados, vendo uma menina possuída retorcer o pescoço e as pernas, vomitar uma gosma verde e praticar atos obscenos com um crucifixo. Não dava nem para gritar, senão os pais do anfitrião acordariam. Mal sabia que, ali, iniciava uma relação duradoura com o cinema de horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo tendo voltado para casa às pressas, com medo de que a endiabrada Regan MacNeil aparecesse no espelho do elevador ou algo assim, fiquei com a sensação de que aquilo era algo divertido. Certamente, é o mesmo sentimento que faz tanta gente esgotar os estoques dos filmes que ficam na seção “maldita” das grandes locadoras. Leigos, entendidos de Sétima Arte, jovens, adultos... de um jeito ou de outro, o terror é objeto de atenção de todos os tipos de público imagináveis. O motivo é simples: para muita gente, vale a pena sentir medo, tomar susto, ficar nervoso e berrar diante da tela. Com ou sem atores de qualidade e roteiros coerentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei nesse grupo de soslaio, já adolescente, estimulado pelos livros do Stephen King – o mestre do horror literário – e por suas tramas complexas e enredadas. Talvez por isso, tenha como filme de cabeceira do gênero a adaptação fílmica de &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/iluminado"&gt;“O iluminado”&lt;/a&gt; (1980, 144 min.), sua obra de maior repercussão. É a maior prova de que um filme do gênero pode, sim, adquirir contornos de obra de arte. Não só pela história instigante – uma família sozinha em um hotel amaldiçoado até as vigas centrais, cercado de neve e isolado do resto do mundo... do que mais precisa? –, como pela atuação de Jack Nicholson, o pai que enlouquece ao se deparar com um mundo dos mortos tão vivo quanto o seu. Fora isso, há a direção de Stanley Kubrick, um intocável do cinema-cabeça que se provou ainda mais versátil com esta obra. Virei fã do diretor a partir dela - e não me envergonho disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso, resolvi mergulhar de vez no gênero e aluguei de tudo um pouco – desde os filmes mais toscos e mal produzidos até os que têm um lugarzinho ao sol na crítica cinematográfica. Desse último grupo, um dos que mais marcaram foi &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/cidade-do-horror/"&gt;“Terror em Amityville”&lt;/a&gt; (1979, 117 min.), o original – passe longe do remake! –, aquele que conta a história do jovem que matou os pais na vila de mesmo nome, no interior do estado de Nova Iorque. O filme foi indicado ao Oscar, com razão. Além de real (na medida do possível), sua história é complicada e fascinante, levando às últimas conseqüências o famoso clichê da casa assombrada que enlouquece tudo e todos. Nunca consegui assisti-lo à noite, mesmo após a entrada na idade adulta. Bom sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro que também tem seu charme é &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Sexto_Sentido"&gt;“O sexto sentido”&lt;/a&gt; (1999, 106 min.), um filmaço que gerou estardalhaço – e seis indicações ao Oscar – ao contar a história de um garotinho capaz de ver os mortos. A curiosidade é que, com atores do quilate de Bruce Willis e um tratamento estético quase hollywoodiano, o filme conseguiu se popularizar e logo foi rotulado nos catálogos como “suspense”. Só se for para os donos de locadoras, porque terror é o que não falta por ali. As palpitações, suores e agonias que a gente sente em algumas cenas – a da ida do garotinho ao banheiro é clássica – são as mesmas causadas pelo “cinema B”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar neste, não sejamos hipócritas: tem muita coisa do “lado negro” do terror que também vale a pena assistir. O que seria do cinema japonês, por exemplo, sem &lt;a href="http://www.ring-themovie.com/"&gt;“The ring”&lt;/a&gt; (1998)? Inspirada num livro horripilante de Koji Suzuki, esta série de três filmes é subestimada por nós, ocidentais. Principalmente porque só conhecemos a versão gringa. O charme do original, perdido no remake, é justamente seu apelo nada sutil ao desespero e angústia humanos: a seqüência em que Samara sai da tevê, por exemplo, é muito – muito – pior no original, tem uma intensidade perturbadora. É a prova de que nem tudo que é superproduzido consegue ter, digamos, “feeling”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estes são apenas alguns exemplos. Tem o primeiro &lt;a href="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/poltergeist.html"&gt;“Poltergeist”&lt;/a&gt; (1982, 115 min.), o clássico “&lt;a href="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/rose.html"&gt;O bebê de Rosemary”&lt;/a&gt; (1968, 136 min.), de Roman Polanski, e &lt;a href="http://www.interfilmes.com/filme_12830_Carrie.a.Estranha-(Carrie).html"&gt;“Carrie, a estranha”&lt;/a&gt; (1976, 98 min.), outra adaptação de Stephen King – todos bons exemplos do terror com conteúdo. De uns tempos para cá, é verdade, não andam fazendo tanta coisa legal – raras exceções são &lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/agua-negra"&gt;“Água negra”&lt;/a&gt; (2005, 105 min.) e &lt;a href="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/exorcism.html"&gt;“O exorcismo de Emily Rose”&lt;/a&gt; (2005, 119 min.) –, mas é certo que o gênero muito já disse e muito tem a dizer. Em relação a nossas agonias e temores, em relação aos infindáveis mistérios que até hoje rendem papo (e dinheiro) no mundo da cultura. E, acima de tudo, em relação à capacidade que o cinema tem de entreter da forma mais inusitada possível: fazendo-nos tremer de agonia, partindo do conforto e segurança do sofá de casa – ou da sala de cinema – rumo a uma viagem pelo sobrenatural. No final das contas, é bem melhor que encará-lo no espelho do elevador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;* Coluna para a Living Leal Moreira, que não saiu (e nem deve sair)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-1228568318415854624?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/1228568318415854624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=1228568318415854624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1228568318415854624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1228568318415854624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/09/sobre-exorcistas-iluminados-e.html' title='Sobre exorcistas, iluminados e sobrenaturalismos afins'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4892337239282780158</id><published>2009-08-26T01:07:00.006-03:00</published><updated>2009-08-26T01:22:31.535-03:00</updated><title type='text'>Joy Division*</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SpS3hEAi-FI/AAAAAAAAAWM/S4lHs6LNvW0/s1600-h/joy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374122033999444050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SpS3hEAi-FI/AAAAAAAAAWM/S4lHs6LNvW0/s320/joy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Do início em um show do Sex Pistols ao suicídio precoce de seu líder, quatro anos depois, grupo inglês disseminou o pós-punk ao redor do mundo e fez ecoar as angústias de um talentoso – e controverso – astro do rock&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que uma morte fala mais alto que um disco genial no universo do rock. Nos tempos áureos do gênero – aqueles em que o dinheiro não falava tão alto e o visual junkie vinha acompanhado de boa música –, no entanto, muitos foram os mártires que souberam aliar qualidade artística à tragédia humana: Jimmy Hendrix, Janis Joplin, John Bonham, Jim Morrison, Keith Moon, Sid Vicious, John Lennon, Elvis Presley. Todos mensageiros de seu tempo; ícones da história do rock que, de fato, tinham algo a dizer. Lá pelos idos de 1980, um jovem entrou precocemente neste seleto rol – um artista problemático, dono de um talento singular junto a seu grupo, mas que deixou o mundo com poucas obras registradas. Com o suicídio de seu vocalista, líder e principal compositor Ian Curtis, encerrava a curta e intensa trajetória do quarteto inglês de pós-punk Joy Division.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas morte não é a única coisa que vem à mente quando se pensa neste quarteto, que nasceu, cresceu e definhou quatro anos depois, com dois CDs gravados e a perspectiva (concretizada) de conquistar o mundo. Conhecer a história de Ian, Bernard Summer (guitarra), Peter Hook (baixo) e Stephen Morris (bateria) é, também, dar um passeio pelos efervescentes anos 1970 – os anos da disco music, do punk e, enfim, do pós-punk inglês, que dominavam jovens, rádios, emissoras de tevê e jornais de todo o mundo – e parar na virada de década em que as guitarras cediam espaço aos sintetizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O marco inicial do Joy Division foi emblemático: tudo começou num show dos Sex Pistols, no início do verão de 1976. Empolgado com a idéia de sair do bate-cabeça da platéia e berrar tudo o que quisesse no palco, Ian Curtis – jovem soturno, metido a poeta e entediado com a vida em Manchester – conheceu Peter Hook e Bernard Summer, com quem fez amizade e marcou alguns ensaios. Meses depois, encontraram o baterista Stephen Morris e formaram o Joy – inicialmente sob o título Warsaw, em homenagem a uma canção de David Bowie –, um quarteto como muitos outros que surgiam e sumiam no cenário independente àquela época. Só que com uma diferença: a verve de seu vocalista, dono de uma voz soturna e uma postura doentia em palco que criaram o conceito do pós-punk – um punk realmente póstumo, taciturno e introspectivo à enésima potência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Curtis tinha problemas com tons, semitons e agudos prolongados – e tinha mesmo, o que alimentou duradouras críticas à banda –, superava-os com letras densas e uma performance exagerada, quase teatral, que incluía dancinhas metódicas, ataques epilépticos (reais, às vezes) e improvisações inesperadas. Hook, Summer e Morris amavam isso. E o público começou a amar os quatro assim que os shows e participações em programas de tevê se intensificaram, numa ascensão meteórica cujo registro mais acessível é o primeiro disco do grupo, “Unknown pleasures” (1979).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Ascensão e “queda” em onze meses&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Gravado em Stockport e lançado pela gravadora Factory em questão de meses, este CD conseguiu a façanha de levar ao estúdio a aura dos shows do Joy Division. Deixando de lado os singles e canções lançados até então – alguns deles já hits, como “Transmission” e “Digital” –, Curtis, Hooke, Summer e Morris mergulharam fundo na poética deprê e algo claustrofóbica do fin-de-décennie e trouxeram, na volta, canções como “Disorder” (o título a descreve bem, muito bem), “She´s lost control”, “Shadowplay”, “Day of the lords” e “Insight”. O único eco punk do CD é “Interzone”, que já vinha sendo tocada ao vivo pela banda. A esta época, as marcas registradas da banda já estavam bem claras: o baixo protagônico de Hooke, os rudimentos de Morris, a guitarra suja e descuidada de Summer, o teclado que aparecia aos poucos. E Curtis, cada vez mais rockstar – no bom e no mau sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não era arrogância ou algo do tipo. Curtis sofria de epilepsia, se entupia de remédios e havia casado para arrumar uma amante logo depois, o que o fez mergulhar num forte quadro depressivo. Mesmo cada vez menos dono de si, o vocalista continuou levando adiante a agenda lotada com a banda, às vezes passando mal no palco – e é nessa época que a banda lança no mercado a canção “Love will tear us apart”, provavelmente seu maior sucesso até hoje. Com os versos “When the routine bites hard/ And ambitions are low/ And the resentment rides high/ But emotions won’t grow/ And we´re changing our ways, taking different roads/ Then love, love will tear us apart again”, Curtis mandou o recado de sua angústia ao público – tudo junto ao famoso riff de teclado que faria época nos anos seguintes, fruto do contato da banda com os dinossauros da música eletrônica do Kraftwerk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após meses de turnês e pioras do quadro clínico do vocalista, o grupo conseguiu entrar em estúdio em 1980 e gravou “Closer”, o segundo full-lenght. Este aqui, polêmicas à parte, é um passo adiante em relação a seu antecessor: com uma produção mais elaborada e, vá lá, certa evolução técnica de Curtis, o disco contém canções antológicas, como “Isolation”, “The eternal”, “Heart and soul” e a bela “Twenty four hours”. Mais taciturnos que nunca, os instrumentais soavam inéditos mesmo à audição mais crítica e tinham tudo para estourar mundialmente – o problema é que, na véspera de embarcar para os Estados Unidos na primeira turnê internacional do Joy Division, Curtis não aguentou. Enforcou-se em sua casa, aos 23 anos, ouvindo “The idiot” – CD do Iggy Pop, um de seus maiores ídolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os planos foram por água abaixo? Que nada. A queda não foi íngreme: cercado de uma aura mórbida, “Closer” só foi prensado meses depois e estourou, alcançando o sexto lugar nas paradas inglesas e motivando novos fãs a conhecer os pais do pós-punk. Só faltou a tão esperada turnê, mas Ian Curtis e o Joy Division conseguiram, enfim, ganhar fama mundialmente, emplacar suas canções no meio alternativo e, vá lá, conquistar a tão implicante crítica musical. Como mitos, lendas ou seja lá o que for do rock. Com menos de quatro anos de estrada. E menos de 25 anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Lançamentos póstumos e a “nova ordem”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que viram o amigo e colega de banda enforcado em sua casa, Hook, Summer e Morris decidiram acabar a banda. Não por ânsia de mitificação imediata, mas sim por conta de um “acordo” feito entre eles: se alguém saísse ou morresse, adeus, Joy Division. Mas o desejo de viver de – e para – a música continuou para os remanescentes do quarteto inglês: meses depois, eles ressurgiram, acompanhados de uma tecladista (Gillian Gilbert, esposa de Morris) no line-up, com um grupo new wave também seminal na história da música, o New Order.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As canções ganharam acordes maiores, arranjos antenados ao mundo pop, mas relutaram a perder o charme e a essência do jovem que uniu aqueles músicos perdidos com a morte do punk inglês. Hook, Summers e Morris acabaram mais conhecidos no cenário pop sob esta nova formação, editaram discos inspirados, como “Movement” (1981), “Power, corruption &amp;amp; lies” (1983) e “Technique” (1989), lançaram hits mundiais como “Bizarre love triangle”, “The perfect kiss”, “True faith” e “Ceremony” (esta, uma “sobra” dos tempos de Joy Division, chegou a ser tocada com Ian no último show antes de seu suicídio, em 1980). Mas, certamente, não conseguiram ofuscar o brilho do grupo que os tornou famosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, vieram as coletâneas e CDs póstumos. Todos são válidos, especialmente para fãs, mas vale destacar os álbuns “Still” – uma coletânea lançada em 1981, com registros informais e a gravação histórica do último show do grupo –, “Warsaw” (1995) – CD que traz as primeiras sessões de estúdio da banda, ainda sob a influência direta do punk europeu – e o álbum ao vivo “Preston 28 February 1980”. Lançado apenas em 1999, este último é bem difícil de encontrar (uma cópia custa R$ 70 na Galeria do Rock, em São Paulo), mas traz o quarteto de Manchester em sua plena forma. Até ataque epiléptico de Curtis – durante uma versão etérea e longuíssima de “The eternal” – tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras peças essenciais são os materiais literários e audiovisuais: destes, vale destacar o livro “Joy division/New Order – nada é mera coincidência”, de Helena Uehara, que traz uma abordagem interessante da poética dos dois grupos, comparando-as aos seus contextos de produção. E no cinema, há duas pequenas grandes obras-primas: “Control” e “A festa nunca termina”. Ambos são ótimos, mas o primeiro é o mais indicado; não apenas por trazer à tona todos os detalhes sobre a vida pessoal de Ian Curtis – baseando-se no livro “Touching from a distance: Ian Curtis &amp;amp; Joy Division”, de autoria de sua ex-mulher, Deborah Curtis –, mas pela direção genial do fotógrafo Anton Corbjin, que encontrou na escala cinza-preto-branco a expressão ideal para o ciclo autodestrutivo a que o jovem prodígio se submeteu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Para ler:&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Joy division/New Order – nada é mera coincidência” (Helena Uehara, 2006, editora Landy, 144 pgs.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Para assistir:&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Control” (Control, 2007, EUA/Inglaterra, 121 min., dir.: Anton Corbjin)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A festa nunca termina” (24 hour party people, 2002, Inglaterra, 112 min., dir.: Michael Winterbottom)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Bandas que influenciaram Joy Division:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Iggy Pop &amp;amp; The Stooges, Sex Pistols, Velvet Underground, David Bowie, Lou Reed, Kraftwerk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Bandas que Joy Division influenciou:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;The Bravery, Editors, She Wants Revenge, Radiohead, Interpol, The Killers, Legião Urbana&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Matéria minha, publicada na primeira edição da revista eletrônica "Excesso de magenta", lançada em escala bimensal com matérias de música, literatura, games e artes visuais. Já está na terceira edição, com a quarta no forno. Se quiser conhecê-la, siga o link para a primeira edição no site &lt;a href="http://issuu.com/excesso_de_magenta/docs/em01"&gt;Issu&lt;/a&gt; ou confira o material completo no &lt;a href="http://www.excessodemagenta.net/"&gt;site oficial da revista&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4892337239282780158?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4892337239282780158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4892337239282780158&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4892337239282780158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4892337239282780158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/08/joy-division.html' title='Joy Division*'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SpS3hEAi-FI/AAAAAAAAAWM/S4lHs6LNvW0/s72-c/joy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-472163716745596912</id><published>2009-08-10T11:53:00.002-03:00</published><updated>2009-08-10T11:56:57.139-03:00</updated><title type='text'>A rendição da “mulher-cão”</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em “A proposta”, editora arrogante precisa se casar com assistente para não ser deportada – e, não por acaso, se apaixona por ele&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://ci.i.uol.com.br/filmes/g/a_proposta_2009_g.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 583px; CURSOR: hand; HEIGHT: 327px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://ci.i.uol.com.br/filmes/g/a_proposta_2009_g.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pense em todos os lugares em que você já trabalhou na vida. Certamente, em um deles, havia aquela típica figura empresarial do século XXI: a “chefe-cão”. Mulher temida, nariz empinado, arrogante, rígida, demoníaca, até... mas irritantemente competente e bem resolvida. Do estilo “ame ou odeie”. Comum em tempos de igualdade de sexos no mercado, a mulher-acima-de-tudo-e-todos já rendeu boas representações na ficção – um exemplo interessante é “O diabo veste Prada”, com Meryl Streep e seu genial tributo (será?) à editora Anna Wintour, da Vogue. Para o deleite de quem gosta do cinema “besteirol com causa”, uma nova versão do arquétipo apareceu no circuito nestas férias em “A proposta” (The proposal, 2009, EUA, 107 min.), direção de Anne Fletcher, longa estreado por Sandra Bullock e Ryan Reynolds que permanece em cartaz nas praças Pátio Belém e Castanheira, do Moviecom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história deste longa recordista de público – a estreia nos cinemas rendeu US$ 34,1 milhões! – faz jus ao título: a tal proposta, na verdade imposição, vem da editora Margaret Tate (Bullock), típica workaholic cujo maior prazer na vida é exercer seus poderes hierárquicos. Temida pelos subalternos, tratada pelos próprios superiores com respeito, Tate é o tipo de mulher que, a despeito da beleza e competência, desperta o ódio em quem se aproxima – é o caso de seu assistente Andrew Paxton (Ryan Reynolds), que só a aguenta por ter perspectivas de, um dia, estar onde ela está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Belo dia, Tate é chamada pelo alto staff da editora. Por ser uma imigrante canadense e seu visto não ter sido renovado, ela será deportada e perderá o emprego. Logo sua mente brilhante prepara uma solução: casar com Andrew. Meio sem opção, o garoto aceita, com a condição de que ela o promova... e se ajoelhe diante dele para prometer fazê-lo. Em plena hora do rush, nas ruas nada românticas de Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena em que o “casal” se forma, à força e com claro viés funcional, bem indica o climão em que “A proposta” se desenvolverá. Logo após selar o pacto, Margaret e Andrew descobrirão que a Polícia Federal desconfia de casamentos pré-deportação e os investiga a fundo. Para convencer os agentes que há algo entre os dois, o jeito é a editora viajar com seu assistente para um fim-de-mundo no Alasca e aprender a conhecê-lo melhor. Até porque, dada a natureza de seu trabalho, Andrew já sabe tudo da vida dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ambiente, chefe e subalterno aprendem a conviver. Dividem um quarto, passeiam juntos e trocam curiosidades para sobreviver à investigação policial. É aí que, pouco a pouco, Tate começa a admirar aquele garoto que trabalha nos finais de semana e lhe compra café todos os dias, sem pestanejar. Descobre que, na pequena cidade de Sitka, ele é amado e venerado pela família como ela nunca foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aí que, pouco a pouco, a história começa a se reverter e – você já esperava isso – Margaret se deixa conquistar. Andrew, que nada sentia pela chefe senão nojo, começa a fazer o mesmo. Em meio ao clichê, no entanto, o filme consegue manter o padrão. A personagem de Sandra Bullock, meticulosamente construída dos pés à cabeça, se revela tão versátil como a atriz e é, em grande parte, responsável por isso. Da mesma forma, o bom elenco secundário e o uso saudável de momentos cômicos (um certo “latino do Alasca” fará você rolar de rir) não deixam a peteca cair, nem em meio à melosidade dos últimos minutos de filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mesmo com o roteiro quadrado e o jeitão hollywoodiano conspirando contra si, “A proposta” consegue ser um filme divertido e, regra geral, bom. Não somente um romance água-com-açúcar, mas um pequeno oásis de humor válido para quem entende que cinema, além de arte, é entretenimento. Veja sem preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Publicado no Jornal Amazônia - 10/08/2009)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-472163716745596912?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/472163716745596912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=472163716745596912&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/472163716745596912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/472163716745596912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/08/rendicao-da-mulher-cao.html' title='A rendição da “mulher-cão”'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6103502839949327373</id><published>2009-08-03T09:05:00.003-03:00</published><updated>2009-08-04T16:36:15.784-03:00</updated><title type='text'>Muito mais que um "retrato feminino"</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Obra de estreia de Courtney Hunt, “Rio congelado” lança olhares sobre a angústia e os desafios vividos por duas mulheres na fronteira entre Canadá e Estados Unidos&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://ci.i.uol.com.br/rio-congelado-560-div.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 560px; height: 340px;" src="http://ci.i.uol.com.br/rio-congelado-560-div.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://pipocacombo.virgula.uol.com.br/wp-content/uploads/2009/02/rio_congelado.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não restam dúvidas de que há algo de encantador nos argumentos ficcionais centrados em histórias de mulheres solitárias e lutadoras. Seja no cinema, na literatura ou mesmo nas produções televisivas – os novelistas brasileiros são experts nisso –, o tema é explorado à exaustão e dificilmente soa poeirento ao grande público. Este recurso, herdado do melodrama feminino de praxe, no entanto, vem sendo levado à Sétima Arte sob outra perspectiva: de sofridas damas à procura de emprego ou do homem ideal, as mulheres se tornaram figuras fortes, resistentes, que sozinhas carregam o mundo nas costas enquanto buscam concretizar seus sonhos de vida mais íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um filme particularmente revelador nesse sentido, que passou despercebido pelo circuito comercial local mas teve direito a exibições de boa lotação no Cine Líbero Luxardo, do Centur, é “Rio congelado” (Frozen river, 2008, EUA, 97 min.), longa de estreia da diretora e roteirista Courtney Hunt indicado ao Oscar e a uma série de prêmios em festivais de cinema independente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este roteiro de pouco mais de uma hora e meia de duração tem sua história centrada em duas personagens femininas. Uma delas é Ray Eddy (encarnada pela atriz Melissa Leo, de “21 gramas”), uma mulher de meia-idade que foi largada às vésperas do Natal pelo marido viciado em jogos de azar. Ela mora junto ao filho adolescente TJ (Charlie McDermott) e ao caçula Ricky (James Reilly) num casebre em uma cidade no interior do Estado de Nova Iorque, na fronteira com o Canadá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra é a Lila Littlewolf (Misty Upham), contrabandista e atendente meia-boca que vive em uma reserva da tribo indígena Mohawk, cujo território fica entre os Estados Unidos e o Canadá. Acostumada à solidão e à falta de perspectiva, ela só tem como afazer sério o de transportar produtos e imigrantes de um país para o outro, atravessando o rio St. Lawrence, que congela durante o inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas se encontram em uma situação inusitada e logo se tornam “parceiras” – têm em comum a vontade de ganhar dinheiro rapidamente. O sonho de Ray é essencialmente material: ela quer comprar uma casa pré-fabricada e nela viver dignamente com TJ e Ricky, sem contas as moedas que vai dar aos filhos para comprar almoço. Já Lila... bem, Lila não tem um sonho específico. Quer apenas ajudar alguém que precisa muito de si. E que está, embora a poucos metros de seu trailer sucateado, inalcançável por tempo indeterminado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco a pouco, as histórias dessas duas mulheres se entrelaçam. Unidas por acaso e necessidade, Ray e Lila passam a “trabalhar” juntas levando imigrantes no porta-malas do carro aos Estados Unidos, ganhando 2,4 mil dólares por viagem. Ao mesmo tempo em que vai e volta na fronteira, Ray não para de pensar em TJ, adolescente típico de 15 anos, mas que se mostra um bom companheiro ao cuidar do irmão mais novo. E em Ricky, o garotinho que quer ganhar um Hot Wheels no Natal e rever seu pai a todo custo. No banco de caronas, por sua vez, Lila conta o dinheiro para pô-lo em latinhas e deixar à porta de uma casa vizinha à sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orçado em apenas um milhão de dólares – quantia que nem pagaria o casting de uma produção hollywoodiana – “Rio congelado” é, a despeito de sua origem geográfica, um filme extremamente denso. Com base em temas como a maternidade, a ética, a amizade e a solidão, o possível “retrato da mulher infeliz do interior americano” de Courtney Hunt dá um passo adiante e se converte em um belíssimo drama de matrizes femininas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A construção da personagem Ray, com a atuação contida de Melissa Leo – atriz brilhante, porém pouco conhecida pelo grande público – e o uso de takes fechados que evidenciam suas rugas, seu vício do cigarro, seu olhar perdido e seus muitos chororôs solitários, é cuidadosa e em muito explica a indicação “azarada” que Leo recebeu ao Oscar 2009 de Melhor Atriz. Da mesma forma, Misty Upham dá certo brilho à solitária Lila, que, de espertalhona e antiética, se transforma em uma pobre mãe renegada capaz de angustiar o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros pequenos detalhes, como o elenco secundário, a fotografia e filmagem rústicas, porém charmosas, e a abordagem dos problemas étnicos e socioeconômicos na fronteira (e nas vísceras) do povo norte-americano, o filme também expõe o talento da estreante diretora, que não arrancou aplausos da crítica especializada por acaso. Não raro, o espectador mais crítico pode chegar ao ponto de se perguntar por que diabos o filme ficou de fora do grande circuito. É uma dúvida a ser solucionada com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, “Rio congelado” é o tipo de pequena obra-prima que, vez ou outra, passa como quem não quer nada nas grandes premiações de cinema. E que, com o tempo, conquista uma quantidade boa de admiradores. Poderíamos dizer que se trata de um filme subestimado? Certamente. Tocante? Sim. Genial? Quem sabe. Certo, mesmo, é afirmar que ele vale cada centavo de uma locação de DVD, cada minuto passado frente à tela. Tanto para homens quanto para as mulheres que, de forma tão bem sacada, o inspiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(Publicado no Jornal Amazônia de 03/08/2009)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6103502839949327373?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6103502839949327373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6103502839949327373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6103502839949327373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6103502839949327373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/08/muito-mais-que-um-retrato-feminino.html' title='Muito mais que um &quot;retrato feminino&quot;'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4615764156106281547</id><published>2009-07-31T19:10:00.003-03:00</published><updated>2009-07-31T19:14:16.267-03:00</updated><title type='text'>Criatividade e nostalgia na dose certa</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em “Rebobine, por favor”, Michel Gondry volta a emplacar ideias inovadoras com enredo baseado na vontade de recriar e parodiar clássicos do cinema&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://cineorly.files.wordpress.com/2008/12/jpg_rebobine.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 265px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://cineorly.files.wordpress.com/2008/12/jpg_rebobine.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É quase clichê afirmar que a nostalgia é moda nesses tempos de pouca criatividade. Nem tanto por conta do (também batido) argumento de que tudo já foi criado, mas sim pelo fato de que a era das tecnologias nos dá a chance de voltar no tempo com alguns cliques e olhadas virtuais; e, certamente, tal recurso é mais prático que passar horas e horas tentando inventar novidades. No cinema, a ideia ganha força com versões e releituras de clássicos audiovisuais que fazem sucesso do ponto de vista comercial, mas são retumbantes fracassos sob um olhar técnico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que tal, portanto, fazer um filme 100% original sobre a mania dos remakes, enfiando no meio disso tudo uma imensa ode à nostalgia humana? Aí sim, o simulacro vai para o espaço e cede à mais original das invencionices: o resultado deste experimento pode ser visto no divertido “Rebobine, por favor” (Be kind rewind, 2008, EUA, 102 min.), direção de Michel Gondry e que foi exibido na primeira metade deste ano no Cine Líbero Luxardo, do Centur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pontuar bem o espectador, o filme começa no mais oitentista dos lugares: a locadora de vídeos Be Kind Rewind, que, em plenos anos 2000, ainda insiste em usar o videocassete como mídia primordial. O dono da loja, Elroy Fletcher (Danny Glover), teima em enfrentar a concorrência do DVD, “personificada” numa locadora à frente da sua, usando uma promoção de R$ 1 por filme – que só é apreciada por amigos de longa data do pobre senhor, como a senilíssima senhora Falewicz (Mia Farrow).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O braço-direito de Fletcher, tão antiquado quanto ele, é o atrapalhado Mike (Mos Def), por sua vez melhor amigo de Jerry (Jack Black), um figura que trabalha em um ferro-velho e resolve sabotar a usina elétrica da cidade, ganhando com o ato um suposto poder eletromagnético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao saber que a estrutura de sua loja está acabada e pode ser demolida, Fletcher decide “dar uma sumida” (na verdade, sondar as táticas da concorrência) para refrescar as ideias e deixar Mike à frente da loja. O problema é que Jerry entra na locadora e desmagnetiza todas as fitas de videocassete com seus poderes, o que deixa o amigo desesperado. Para completar, a senhora Falewicz exige da dupla a fita de “Os caça-fantasmas”, que deseja locar, àquele mesmo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer, então? Assumir que o arquivo da Be Kind Rewind foi destruído por um doido varrido? Deixar Fletcher desistir de vez de ter mais lucros na loja e entregá-la para a demolição? Definitivamente não... e é aí que Mike e Jerry resolvem apostar em refilmagens dos vídeos que os clientes querem locar – remakes de quinta categoria estrelados (e filmados) por eles mesmos em questão de horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela sinopse, dá para se perceber que “Rebobine, por favor” não tem a pretensão de ser um filme dos mais sérios. A verdade é que esta pequena obra-prima de Michel Gondry (que dirigiu o bizarro “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”) aposta em cativar o espectador por um caminho diferente, de referências cômicas, sacadas inteligentes e uma veia nostálgica que em muito tem a ver com a própria tese do diretor: a de que filmes existem para ser recriados a cada momento, e nem sempre sob os princípios da verossimilhança e do apuro estético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia toma forma em um fato improvável: esmerados em reconquistar os clientes da cidade com as fitas VHS empoeiradas, Jack e Mike fazem verdadeiros malabarismos amadores para recriar a ambientação de clássicos da Sétima Arte como “O último tango em Paris”, “Quando éramos reis”, “Carrie, a estranha”, “Conduzindo miss Daisy” e “Robocop”. O resultado, apesar de tosco, cativa centenas de moradores e forma imensas filas diante da loja para locar as fitas “suecadas” (como eles chamam suas refilmagens) – aí a chance de obter recursos para reformar a loja do velho Fletcher começa a ganhar forma, culminando em uma criação 100% original que irá superar os problemas de propriedade artística dos remakes não-autorizados. Tudo com o apoio do bobíssimo público espectador da pequena cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora a trama – que, vale avisar, pode não ser divertida para quem não conhece a fundo as referências e alusões do diretor – inovadora, “Rebobine, por favor” conta com um elenco divertidíssimo, a começar por Jack Black, que encarna dos pés à cabeça seu personagem e os personagens por ele interpretados. Junto a Mos Def, Black brinca com a atuação-dentro-da-atuação com maestria, deixando bem claro o por quê de seu sucesso no cinema gringo. Outro que merece elogios é Danny Glover, que no ano passado brilhou na pele do narrador de “Ensaio sobre a cegueira” e repete a dose por aqui, na pele de um teimoso e sábio dono de videolocadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De forma simples e singela, Gondry fez uma divertida homenagem aos nostálgicos de carteirinha com “Rebobine, por favor”. Mas, mais que isso, ele ensina que a produção cinematográfica não depende de escolas ou arroubos artísticos para existir. Pelo contrário: é, antes de tudo, um produto do imaginário coletivo, uma brincadeira entre amigos que, por que não, pode render justas homenagens aos melhores diretores que já passaram por esse mundo – tudo sem perder o caráter de criatividade e inovação, tão perdido nesses tempos de sequências e repetições veladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que nada vai reduzir a altivez dos grandes diretores e suas criações originais, mas é certo que pode, e deve, haver brincadeira, paródia e releitura caseira para tudo nessa vida, incluindo o cinema. Esta é a ideia do diretor e do filme, que é do tipo que cativa todas as gerações (especialmente as que passaram pelos anos 1980). Caso tenha perdido a última exibição deste filme em Belém, à noite de hoje, vá as locadoras e garanta sua cópia. E não se esqueça: não vale “suecar”.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado no Jornal "Amazônia")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4615764156106281547?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4615764156106281547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4615764156106281547&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4615764156106281547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4615764156106281547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/07/criatividade-e-nostalgia-na-dose-certa.html' title='Criatividade e nostalgia na dose certa'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-7491839579545283109</id><published>2009-04-24T02:03:00.000-03:00</published><updated>2009-04-27T17:35:20.377-03:00</updated><title type='text'>"Guerra agrária" no audiovisual</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Documentário que mostra rumos do caso Dorothy Stang, assassinada a tiros em Anapu, mostra clima tenso vivido no interior paraense &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/midiapelomundo/img/855418_not_fot.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 307px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/midiapelomundo/img/855418_not_fot.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Durante o Fórum Social Mundial 2009, que transcorreu ao final de janeiro em Belém, muita coisa boa deu as caras por aqui – programações culturais, personalidades e, vá lá, debates que tornaram a cidade mais antenada às discussões do planeta. Foi assim, também, que uma grande lacuna foi preenchida: o até então ineditismo do documentário “Eles mataram irmã Dorothy” (They killed sister Dorothy, EUA, 2008, 90 min.), direção de Daniel Junge – um relato apurado sobre os fatos que envolveram o julgamento e as acusações dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana em Anapu, Pará, no ano de 2005.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não pôde usufruir das exibições à época do FSM, há uma nova oportunidade: desde a última sexta-feira, o filme está em exibição nas salas da franquia Moviecom. É um programa “cabeça” e pouco divertido, certamente, mas que vale a pena para quem ainda não conhece os meandros de um dos mais polêmicos capítulos da “guerrilha agrária” no interior paraense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os noventa minutos de documentário – narrados na tradução pelo ator Wagner Moura – se iniciam logo após a constatação da morte de Dorothy Stang por pistoleiros, sob a encomenda de fazendeiros locais. Ao saber do crime, o irmão da missionária, David, parte de Denver, Colorado, nos Estados Unidos, junto ao cineasta Daniel Junge, para acompanhar o caso no Brasil. À época, ele já sabia do risco que sua irmã corria – talvez por isso, não tenha caído em chororôs diante da câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do momento em que a dupla pousa no Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, em Belém, inicia-se um extenso trabalho de documentação. Sem medo de parecer intrometido, Junge penetra nas esferas mais íntimas de Dorothy – sua vida religiosa, sua relação com os camponeses ligados ao Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), que defendeu e pelo qual foi morta –, ao mesmo tempo em que acompanha, dia após dia, os julgamentos e audiências com os acusados de encomendar homicídio – Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida”, e Reginaldo Pereira Galvão, o “Taradão”. E é aí que as surpresas começam a pipocar na telona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que um filme tendencioso que busca mitificar a figura da missionária, “Eles mataram irmã Dorothy” tenta ao máximo se aproximar da documentação jornalística, ouvindo tanto vozes de apoio quanto críticos ferrenhos de Dorothy, o que lhe rendeu elogios dentro e fora do Brasil. Não é à toa que o filme chegou a ser cotado na pré-seleção para o Oscar 2009, “morrendo na beira” dias antes da divulgação dos cinco concorrentes por categoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao coletar mais de 500 horas de filmagens para compor seu “dossiê Dorothy”, Junge não fez questão de investir em grandes firulas técnicas ou cuidados; basicamente, sua obra é uma narrativa em tempo real, com começo, meio e fim e muitas câmeras desfocadas e gravadas informalmente, dentro de carros e em salas com pouca luz e ambientação pífia. Por isso, o filme é do tipo que não vale por suas qualidades estéticas, mas sim por seu apuro de informação – informação, inclusive, que deve ser usada em júri para tentar pôr “Bida” e “Taradão” atrás das grades, como foi dito por David Stang em entrevista a mim concedida à época do FSM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns momentos do vídeo chegam a chocar o espectador. O advogado Américo Leal, responsável por boa parte da defesa dos acusados, não economiza nas ironias e risadas ao se referir à vítima, em júri inclusive, como uma pessoa “que trouxe a discórdia ao Pará”. A promotoria de acusação chega a perder o controle diante dos sucessivos ataques a Dorothy, em pleno julgamento dos mandantes de seu assassinato. Seria cômico, não fosse trágico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros momentos “memoráveis” ficam a cargo dos trabalhadores rurais que eram contra o PDS – os argumentos são impagáveis – e, mais uma vez, de Américo Leal, que afirma, em entrevista a portas fechadas, que “a Justiça é relativa”. Pode parecer impossível, mas ele e seus clientes teriam aceitado participar no vídeo, mantendo a guarda abaixada diante das lentes, contradizendo-se e deixando vazar sua estratégia algo inescrupulosa sem firulas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, não adianta ficar falando: são muitos os detalhes que precisam ser vistos a olho nu para ter status de verdade junto ao espectador. Não se sabe até que ponto, de fato, “Eles mataram irmã Dorothy” terá algum valor legal – ou mesmo se todos os que se expõem no vídeo cederam seus direitos de imagem –, mas é certo que estamos diante de uma espécie de produção documental inédita no Pará, que mostra a impunidade e a omissão da Justiça como nunca antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação à morte de irmã Dorothy, o filme é um relato cuidadoso; em linhas mais gerais, é uma exemplar tentativa de mostrar o clima de faroeste que se vive na Amazônia por conta dos conflitos pela terra. Em uma das exibições do documentário no FSM, diante da Estação das Docas, um padre (também ameaçado de morte) da região de Anapu esbravejou: “este vídeo precisa ser visto por cada um dos 180 milhões de brasileiros”. É verdade. Precisamos vê-lo – não importa quão dolorosa seja a experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas curiosidades sobre o filme&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;- “Eles mataram irmã Dorothy” chegou a entrar na pré-seleção de indicados ao Oscar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Antes de estrear nos cinemas, o vídeo estava sendo pouco divulgado. Tanto Junge quanto os defensores da causa Dorothy tinham medo que “Bida” e “Taradão” tentassem bloqueá-lo na Justiça;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Este é o quarto filme de Daniel Junge. Os anteriores são “Chiefs” (2002), “We are phamaly” (2003) e “Iron ladies of Liberia” (2007);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Junge e David Stang moravam a poucos quarteirões um do outro em Denver. Ao saber da morte de Dorothy, o diretor – que acompanhava o caso – logo ligou a David oferecendo-se a “cobrir” o desenrolar do caso;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A estreia do vídeo no Brasil ocorreu durante a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (SP) e o Festival do Rio (RJ), em setembro e outubro de 2008. O filme foi aclamado pela crítica e rendeu comentários revoltados de Eduardo Suplicy (PT), entre outras autoridades; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-7491839579545283109?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/7491839579545283109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=7491839579545283109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7491839579545283109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7491839579545283109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/04/guerra-agraria-no-audiovisual.html' title='&quot;Guerra agrária&quot; no audiovisual'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-2753332145450114799</id><published>2009-04-24T02:00:00.000-03:00</published><updated>2009-04-24T02:03:42.360-03:00</updated><title type='text'>Biografia sem pieguices</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Contando a história do primeiro homossexual a assumir um cargo público nos EUA, Gus Van Sant produz cinema acessível e cativante em “Milk – A voz da igualdade”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://ci.i.uol.com.br/filmes/g/milk_a_voz_da_igualdade_2008_g.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 583px; CURSOR: hand; HEIGHT: 279px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://ci.i.uol.com.br/filmes/g/milk_a_voz_da_igualdade_2008_g.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Brasil, a figura do norte-americano Harvey Milk (1930-1978) pode até não ser das mais conhecidas, mas, em sua terra natal, os louros são entregues até hoje. Filho caçula de uma família tradicional de Long Island, matemático de formação e tornado celebridade ao ser o primeiro homossexual assumido eleito na Assembleia da Califórnia em São Francisco, Milk se tornou uma espécie de ícone da causa, não só por sua orientação sexual como por sua vida política – curta, porém intensa e essencial à consolidação da campanha em defesa dos gays.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não conhecia este quase-mártir da política americana, a Sétima Arte volta a tirar a poeira da história com “Milk – A voz da igualdade” (Milk, 2008, EUA, 128 min.), indicado a oito Oscars e vencedor de dois que esteve em cartaz em Belém nas salas da franquia Moviecom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a direção de Gus Van Sant – é, aquele dos excelentes “Elefante” (2003), “Um sonho sem limites” (1995) e “Last days” (2005) –, este filme não se baseia em nada mais que relatos, textos e registros para recompor a história de vida de Milk. Interpretado por Sean Penn (“Sobre meninos e lobos”, “21 gramas”), o protagonista – então um hippie que fugia com seu namorado Scott (James Franco) do Texas – chega à rua Castro, na São Francisco dos anos 1970, com as mesmas ideias que metade de seus moradores: vivenciar a liberdade em uma cidade que era sinônimo de transgressão e combate ao preconceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal abriu uma lojinha (Castro Camera) e, pouco tempo depois, fez com que ela se tornasse um ponto de encontro da intelectualidade local, tanto gay quanto hétero. Mas a Polícia local continuava prendendo e até incentivando a violência contra homossexuais, assim como figuras famosas dos Estados Unidos, o que fez com que Milk resolvesse entrar na política para representar a si e a seus semelhantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram necessários vários anos e uma mudança no visual, mas em 1977 ele conseguiu um cargo de supervisor na Assembleia local – e é a partir daí que a visibilidade de sua trajetória começa a se tornar sinônimo de mudança política. E perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o projeto de uma cinebiografia de Harvey Milk já tramitava no submundo de Holywood há pelo menos 15 anos; o problema era encontrar o diretor certo, os atores certos, a época certa para fazê-la. Se a lenda for verdadeira, então tanto preciosismo técnico valeu a pena; exatos 30 anos após a morte de seu personagem, “Milk” traz em si um tributo conciso, merecedor de cada uma das indicações que recebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que era de se esperar de Van Sant, a narrativa do filme é dotada de uma linearidade convencional, cujos cortes são feitos a partir de uma gravação que Harvey faz contando sua história de vida, logo após receber ameaças de inimigos políticos. A presença de trilha sonora nos pontos altos do filme também dá aquele tom épico que toda biografia costuma ter, mas não chega a cair na pieguice ou no caricato, assim como o elenco – este, um destaque à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na pele do protagonista, o oscarizado Sean Penn sofreu uma transformação impressionante. Tanto em relação a seus papéis no cinema – geralmente ligados a uma estética “machão-linha-dura” – quanto em relação às mudanças que Milk tem ao longo do filme, do estilo largadão da era hippie ao terno-e-gravata dos tempos de Assembleia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo o público mais conservador logo é conquistado por conta da discrição e leveza com que ele conduz os trejeitos de seu personagem – uma tarefa e tanto, principalmente no cinema americano, tão acostumado a caracterizações folclorizadas do homossexualismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora Penn, o casting de “Milk” tem ótimos nomes secundários. Na pele de Dan White, o parlamentar conservador que tira a vida de Milk e do prefeito de São Francisco, Josh Brolin está irreconhecível com sua franjinha escorrida e ar taciturno. A mesma coisa pode ser dita em relação a James Franco, o amor-para-além-da-vida de Harvey, e Emile Hirsch (o eterno Johnny Truelove de “Alphadog”, 2007). Todos estão ótimos e, vá lá, se deram muito bem na reencarnação da juventude gay da Castro Street.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não um cineasta dos mais fáceis, Gus Van Sant deixou seu lado hollywoodiano aflorar em “Milk”. Não é à toa que o filme, orçado em “apenas” US$ 15 milhões, está arrebentando por onde passa, comovendo até o público mais conservador. E quer saber? Isso é muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferentemente do sombrio “Paranoid park” (2007), seu antecessor, o novo longa de Gus é daqueles que você vai gostar de qualquer jeito – seja por admirar a história de vida de Harvey, seja por se identificar (aí, a coisa toma outras dimensões...). Enfim, é uma pena que ele tenha passado tão pouco tempo nas telinhas paraenses, mas aguarde o lançamento em DVD e pague o aluguel. Vale a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Indicações ao Oscar:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Melhor Filme&lt;br /&gt;Melhor Diretor&lt;br /&gt;Melhor Ator&lt;br /&gt;Melhor Ator Coadjuvante&lt;br /&gt;Melhor Roteiro Original&lt;br /&gt;Melhor Trilha Sonora Original&lt;br /&gt;Melhor Figurino&lt;br /&gt;Melhor Edição&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prêmios:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor Ator&lt;br /&gt;Melhor Roteiro Original&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-2753332145450114799?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/2753332145450114799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=2753332145450114799&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2753332145450114799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2753332145450114799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/04/biografia-sem-pieguices.html' title='Biografia sem pieguices'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-1041819117392347397</id><published>2009-04-24T01:58:00.000-03:00</published><updated>2009-04-24T02:00:12.944-03:00</updated><title type='text'>Um romance sobre o tempo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;“O curioso caso de Benjamin Button”, estrelado por Brad Pitt e indicado a treze Oscars, adapta conto de Fitzgerald com ares de superprodução&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.arcoiriscinemas.com.br/fotos/dica_cinema/curioso-caso-de-benjamin-button%20IN.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 449px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.arcoiriscinemas.com.br/fotos/dica_cinema/curioso-caso-de-benjamin-button%20IN.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lá pelos anos 1920, o escritor F. Scott Fitzgerald decidiu presentear seus leitores com um conto sobre um homem que nascia velho e morria criança. Até aí, nada de mais: conhecido por suas referências críticas à vida norte-americana, o autor resolveu inverter o conceito da passagem do tempo e propor uma narrativa meio lúdica, meio perturbadora. O negócio é que a “brincadeira” chamou a atenção à época: tocou na ferida de quem temia a velhice, mas não imaginava a dor de rejuvenescer enquanto os outros definhavam. Pois é: oito décadas depois, a trama ganhou ares de superprodução e vai (merecidamente) dar o que falar com o longa “O curioso caso de Benjamin Button” (EUA, 2008, 166 min.), direção de David Fincher, que esteve em cartaz no circuito comercial do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no conto, a trama se passa na cidade americana de Nova Orleans, em dois momentos bem distintos. Em um deles, já nos anos 2000, uma mulher à beira da morte troca confidências com sua filha, ao mesmo tempo em que a ameaça do furacão Katrina perturba a cidade. No outro, o ano é 1918. Nascido em um parto difícil que resultou na morte da mãe, o pequeno Benjamin Button (Brad Pitt) é logo rejeitado por seu pai, Thomas, e deixado à porta de um abrigo para idosos. Mas vê-lo como o responsável pela morte da esposa não foi a única razão para o empresário abandonar o filho: Benjamin nasceu todo deformado – um bebê com cara de idoso, por assim dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que o vê à porta de casa, a dedicada Queenie (Taraji P. Henson) resolveu chamar um médico para examiná-lo, e o diagnóstico não foi animador: Benjamin estranhamente sofria de várias doenças típicas da terceira idade e não possuía muitas chances de recuperação. Mesmo assim, ela resolve criá-lo e se surpreende ao ver que ele melhora com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a seu “rejuvenescimento” – quando começa a andar direito e ter uma saúde decente –, Benjamin conhece Daisy (interpretada na fase adulta por Cate Blanchett), neta de uma das idosas que mora com Queenie, e meio que se apaixona por ela – sabendo, é claro, que deverá esperar a época certa para conquistá-la. Ao longo dos anos, ambos vivem em linhas do tempo e realidades distintas; mas Benjamin mantém a esperança de poder encontrar sua amada. Enquanto isso, viverá histórias paralelas e conhecerá a dor e a delícia de sua condição peculiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os primeiros detalhes de “O curioso caso...” vazaram na mídia, a crítica logo se surpreendeu com o nível da produção. Com um orçamento de mais de US$ 150 milhões, o filme ganhou todas as regalias técnicas necessárias: um diretor respeitado (David Fincher, de “Clube da luta” e “Zodíaco”), dois astros de Hollywood (Brad Pitt e Cate Blanchett) e a adaptação de roteiro de Robin Swicord e Eric Roth – este, notório por seu trabalho no clássico “Forrest Gump”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta megalomania resultou em uma livre-adaptação primorosa. Na pele de Benjamin, Brad Pitt esbanja muito mais que beleza física ao encarnar o personagem com toda a complexidade exigida no roteiro. Em uma escolha pessoal acatada pela direção, o astro teve seu rosto digitalizado em cada um dos “Benjamins” do filme – um esbanjamento tecnológico que, além de tirar o sono dos editores de vídeo, tomou cinco horas diárias de preparação e maquiagem de Brad e levou abaixo quaisquer dúvidas sobre seu talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem também se destaca é a australiana Cate Blanchett – atriz-camaleão que, vale lembrar, chegou a encarnar Bob Dylan no cinema há pouco tempo. Em uma interpretação que atravessa décadas de enredo, a moça vive a bailarina Daisy com maestria, caminhando entre a rebeldia da juventude e a resignação da velhice com uma leveza singular. Sem desmerecer o resto do elenco – que inclui Julia Ormond, Jason Flemyng e Tilda Swinton –, mas a dupla protagoniza as melhores cenas do filme. Por sinal, não se engane com a trama fantasiosa e meio lúdica, nem com os momentos de comédia da narrativa: antes de tudo, ela é um romance clássico. Uma história de amor que versa sobre o tempo e as formas de utilizá-lo ao longo de uma vida, e encerra da forma mais apropriada possível, cheia de surpresas e lições de vida pertinentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, “O curioso caso...” é o tipo de filme que deve sair multipremiado de 2009 e entrar nas listas de preferidos mesmo dos críticos mais ferrenhos. Não é à toa que ele lidera as indicações ao Oscar 2009, concorrendo em treze (treze!) categorias: é uma daquelas obras-primas que só aparecem no cinema de vez em quando. Mesmo que o tempo esteja escasso para você neste final de férias, dedique-se aos 166 minutos do filme. Certamente, você não irá senti-los passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-1041819117392347397?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/1041819117392347397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=1041819117392347397&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1041819117392347397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1041819117392347397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/04/um-romance-sobre-o-tempo.html' title='Um romance sobre o tempo'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-7751456525765938603</id><published>2009-04-24T01:54:00.000-03:00</published><updated>2009-04-24T01:57:41.190-03:00</updated><title type='text'>Culpa, dor e transformação</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em "Sete vidas", Will Smith encarna homem que decide ajudar anônimos para se livrar de sentimento de culpa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.adorocinema.com/filmes/7-vidas/7-vidas05.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 483px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.adorocinema.com/filmes/7-vidas/7-vidas05.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;Já dizia algum sábio de mesa de bar: pequenos erros são capazes de transformar a vida de um homem. Uma palavra dita na hora errada, um gesto fora do lugar, um erro de cálculo... inúmeras são as catástrofes que resultam da falibilidade humana. Agora, entre reconhecê-las e tentar solucioná-las há uma grande diferença – até porque certos erros não podem ser revertidos, e sim, amenizados para reerguer uma consciência esfacelada. A partir desta velha fórmula narrativa, o longa “Sete vidas” (Seven Pounds, EUA, 2008, 118 min.), direção de Gabriele Muccino, que esteve em cartaz no circuito comercial paraense, segue novos rumos e propõe uma abordagem tocante e surpreendente do assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que se acomoda diante da telona, o público logo é surpreendido por uma ligação de telefone. Prestes a cometer suicídio, um solitário fiscal da Receita Federal americana, Ben Thomas (Will Smith), avisa seus planos à emergência. Antes, grita consigo o nome de sete pessoas: Ben Thomas, Holly Apelgren, Connie Tepos, George Ristuccia, Nicholas Adams, Ezra Turner e Emily Posa. A tela fica negra novamente. Agora, Ben está em boa forma, viajando pelos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua profissão é bater à porta de pessoas endividadas com o Estado e cobrá-las – o "problema" é que ele não só se sensibiliza com a causa de algumas delas, como às vezes passa a ajudá-las financeiramente e prestá-las apoio psicológico. Não se sabe ao certo por que, mas Ben vê em seu trabalho uma espécie de catarse; com ele, sente que está próximo de se livrar da angústia que secretamente toma conta de sua consciência há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a ajuda de colegas, ele coleta dados e documentos dos anônimos “endividados” – entre eles, há uma mulher vítima de violência doméstica, um pianista cego que trabalha com telemarketing e uma funcionária pública depressiva, por exemplo. Em uma de suas visitas, ele conhece Emily Rosa (Rosario Dawson), uma bela mulher que possui um problema cardiovascular e aguarda um transplante há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emily logo fascina Ben por sua resignação diante da espera por um coração saudável. Aos poucos, o suposto fiscal se apaixona por ela e começa a ver, naquele caso, a oportunidade de se redimir de uma vez por todas e ser um homem bom e digno, após anos de mediocridade e desânimo. Mesmo que isso lhe custe a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob a direção de Gabriele Muccino – que já havia trabalhado com Smith no belo “À procura da felicidade” (2006) – “Sete vidas” não é o tipo de filme que merece ser contado em sinopse: a prova é que tudo o que você leu acima faz parte, apenas, da primeira metade da trama. Conforme o tempo passa, uma emocionante sucessão de reviravoltas começa a finalmente revelar o que está por trás da benevolência do protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou de chorar em filmes, mas em “Sete vidas” passei boa parte do filme segurando as lágrimas. Não é para pouco: além da atuação de Will Smith, novamente dono de uma presença marcante em cena, Muccino correu atrás de outros bons atores, como Woody Harrelson – que interpreta Ezra, o músico cego, de forma brilhante – e Rosario Dawson, criando um elenco de base que não se sustenta apenas no astro hollywoodiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quesito técnico, o filme também dá um banho em outros do gênero. Se a narrativa por vezes arrastada e repleta de lacunas ameaça entediar um pouco, a trilha sonora levanta os ânimos em momentos pontuais com canções de Muse, Diana Krall, Charles Aznavour e Bird York. Os takes sem diálogos, em que Ben revive flashes de uma tragédia enquanto pensa nas pessoas que ajuda, também favorecem a idéia de solidão e melancolia do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fica logo o aviso: ao contrário de "À procura da felicidade", a idéia de "Sete vidas" não é divertir o público, e sim prendê-lo pela aura de mistério. Todas as cenas inexplicadas e paradoxos éticos de Ben serão explicados, apenas, nos últimos minutos de filme - e só aí o público vai entender o propósito dele em ajudar aqueles anônimos, com uma lição de vida de fundo metafórico fascinante. Se você admira o ator e sua parceria com Muccini - e, principalmente, se você gosta de dramas cheios de reviravoltas, à moda americana -, assista sem medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-7751456525765938603?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/7751456525765938603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=7751456525765938603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7751456525765938603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7751456525765938603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/04/culpa-dor-e-transformacao.html' title='Culpa, dor e transformação'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8114120808737085997</id><published>2009-03-16T22:51:00.000-03:00</published><updated>2009-03-16T23:26:57.075-03:00</updated><title type='text'>Franz Ferdinand - Tonight (2009)</title><content type='html'>&lt;a href="http://i219.photobucket.com/albums/cc53/conhecimentoinferno/CoverFront-FranzFerdinand-Tonight-F.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; CURSOR: hand; HEIGHT: 428px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://i219.photobucket.com/albums/cc53/conhecimentoinferno/CoverFront-FranzFerdinand-Tonight-F.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Depois de lançar dois discos de qualidade indiscutível, os escoceses do Franz Ferdinand estabeleceram um longo hiato para voltar ao mercado. A razão era óbvia: líderes não-intencionais de um movimento retrô que inspirou dezenas de outros grupos, Alex Kapranos (vocal e guitarra), Nick McCarthy (guitarra, teclado e vocal), Robert Hardy (baixo) e Paul Thomson (bateria) precisavam se reinventar e, novamente, ditar moda. Eles chegaram a anunciar à imprensa que iam largar as guitarras, mergulhar de vez no oitentismo, sair do rock, etc. e tal - enfim, &lt;em&gt;muitas&lt;/em&gt; novidades. E, para o deleite dos acostumados a ver artistas decepcionarem com seus novos-CDs "revolucionários", o Franz cumpriu todas as promessas. Os três anos no forno fizeram com que "Tonight" (2009), lançado em janeiro passado, valha - e muito - a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ouviu os &lt;em&gt;riffs &lt;/em&gt;dançantes e vocais cavernosos de "The Dark of The Matinée", "Take me Out", "Walk away", "This boy" e tantos outros hinos indies acumulados nos CDs "Franz Ferdinand" (2004) e "You Could Have it So Much Better" (2005) não encontrará motivos para se decepcionar com "Tonight" - disco que, apesar de trazer as raízes do grupo, faz com que ele cada vez mais evidencie a riqueza de sua escola musical em bases experimentais e bem sacados flertes com a música eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três primeiras canções, "Ulysses" (já lançada como single), "Turn it on" e "No you girls", são um presente aos fãs das antigas, com Kapranos em seus tons graves e as guitarras sujas e descuidadas de sempre. Um pouquinho de música tradicional e &lt;em&gt;folk &lt;/em&gt;reaparece em "Send him away", forte candidata a single nº 2 do CD, enquanto que "Bite hard", lá pelo meio do repertório, traz toques de &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt; e um refrão grudento, bem à moda do rock oitentista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mérito real de "Tonight" ao ouvinte mais crítico fica nas canções experimentais - que dão o tom do que esperar para os próximos anos do Franz, cada vez menos barulhento e mais inovador. "Live alone" e "Can´t Stop Feeling" reavivam a veia dançante, mas com uma verve sintética que deixa o retrô dos CDs anteriores no chinelo. E a melhor faixa, coincidência ou não, já tinha vazado na internet (em uma versão meia-boca): "Lucid dreams", que no álbum virou um rockaço-disco de primeira. Dos oito (oito!) minutos, ouça os três últimos, caro leitor: só ouvindo para entender. Em resumo, é o tipo de coisa que causa orgasmos múltiplos nos amantes de sintetizadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;BÔNUS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar, as doze faixas do CD não são a única novidade. Uma versão limitada de "Tonight" - que pode ser encontrada facilmente na internet - vem, ainda, com o disco extra "Blood", que na verdade é uma compilação de mixagens e remixagens das canções presentes no "lado A". Tudo em versão &lt;em&gt;dub&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;eletro&lt;/em&gt; e até, pasmem, &lt;em&gt;trance&lt;/em&gt;. Pior que a mistura ficou muito legal: ao ouvir faixas como "The vaguest of feeling" (o melhor instrumental da banda, sem dúvidas), "Die on the floor" e "If i can´t have you then nobody can", é provável que você se pergunte se as faixas originais, de fato, são as que deveriam figurar no CD oficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Nota: &lt;span style="color:#000000;"&gt;9,0&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ouça: &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;"Ulysses", "Turn it on", "Live alone", "Lucid dreams"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Onde comprar:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;www.amazon.com&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8114120808737085997?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8114120808737085997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8114120808737085997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8114120808737085997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8114120808737085997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/03/franz-ferdinand-tonight-2009.html' title='Franz Ferdinand - Tonight (2009)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4267809612463252899</id><published>2009-01-18T17:13:00.001-03:00</published><updated>2009-01-18T17:51:50.037-03:00</updated><title type='text'>Madonna - Discografia analisada</title><content type='html'>&lt;a href="http://cyberextazy.files.wordpress.com/2007/08/wallpaper-madonna.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 379px; CURSOR: hand; HEIGHT: 274px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://cyberextazy.files.wordpress.com/2007/08/wallpaper-madonna.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A carreira da cantora, compositora, escritora, atriz e produtora Madonna dispensa apresentações. Desde 1982 no mercado fonográfico, a artista é considerada um dos mais longevos e significativos fenômenos da música pop, capaz de revolucionar o mercado e surpreendê-lo com sua capacidade de reinvenção musical. Entre discos de estúdio, registros ao vivo e coletâneas, são mais de 17 CDs, além de oito DVDs que registram performances ao vivo e videoclipes de sua carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra marca registrada de Madonna são suas turnês mundiais, marcadas sempre por referências culturais diversas, arranjos diferentes dos de estúdio e uma estrutura de palco que inclui centenas de dançarinos, telões e figurinos de estilistas de renome como Dolce &amp;amp; Gabanna e Jean Paul Gultier. De suas oito turnês, passaram pelo Brasil “The girlie show” (1993) e a recente “Sticky &amp;amp; sweet tour”, que lotou estádios do Rio de Janeiro e São Paulo no ano passado e se baseia em seu último lançamento, o CD “Hard candy” (2008). Confira abaixo a análise completa da discografia de estúdio da cantora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Madonna (1983)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://farm4.static.flickr.com/3093/2566564527_24f79b6888.jpg?v=0"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 248px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://farm4.static.flickr.com/3093/2566564527_24f79b6888.jpg?v=0" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em seu primeiro CD, Madonna deu liberdade à verve pop e levemente new wave que já havia sido apresentada ao cenário musical norte-americano em seus singles “Everybody” e “Burning up”. Tudo o que estava em voga à época – sintetizadores, vocalizações metálicas e arranjos dançantes – foi assimilado pela jovem cantora em hits instantâneos como “Holyday”, “Lucky star” e “Borderline”, além, é claro, dos primeiros singles, que foram incluídos no disco com uma mixagem mais elaborada, mas sem perder o ar “farofa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro detalhe relevante de “Madonna” – chamado por muitos de “First album” – é que, fora os sucessos óbvios, ele mantém a qualidade de composição ao longo de seus quarenta minutos de audição. Embora desconhecidas pelo grande público, faixas como “Physical attraction”, “Gambler” (incluída apenas no relançamento do CD anos depois) e “Think of me” merecem destaque, com arranjos interessantes e uma sonoridade que, em muito, apresentava ao mundo o que dominaria o cenário musical durante os anos 1980.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Like a virgin (1984)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://circulador.files.wordpress.com/2008/08/madonna-like-a-virgin-01.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 280px; CURSOR: hand; HEIGHT: 276px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://circulador.files.wordpress.com/2008/08/madonna-like-a-virgin-01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lançado apenas um ano após “Madonna”, “Like a virgin” foi o responsável por tirar Madonna dos palcos americanos e torná-la uma rival à altura de Michael Jackson no mundo pop. O CD vendeu mais de 22 milhões de cópias e permaneceu por meses seguidos nas paradas, além de render sua primeira turnê de peso – a polêmica “The virgin tour”, que arrecadou 17,8 milhões de dólares em cerca 40 shows nos Estados Unidos e no Canadá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CD começa quente, com os hits “Material girl”, “Angel” e “Like a virgin” – provavelmente, seu maior sucesso até hoje. Depois, alternam-se canções de ar inocente (“Over and over”, “Stay”), melancólico (“Love don´t live here anymore”) e algumas que funcionam bem ao vivo, como “Dress you up” e o megahit “Into the groove”, originalmente parte da trilha do filme “Procura-se Susan desesperadamente”, mas incluído no CD em sua versão relançada de 1985. No geral, “Like a virgin” é um disco de alto nível, mas nada que supere outros como “Ray of light” (1998) e “Confessions on a dance floor” (2005)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;True blue (1986)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.beautifulmadonna.com/trueblue/album.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 275px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.beautifulmadonna.com/trueblue/album.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Este aqui é conhecido por ser o mais vendido da carreira de Madonna – 27 milhões de cópias só nos Estados Unidos e Europa Ocidental –, mas possui diversas qualidades que o tornam o melhor registro da cantora nos anos 1980. Mais madura em relação aos álbuns anteriores, a loira investe em canções mais complexas e arranjos trabalhados em “True blue”, que foi integralmente composto pela própria em parceria com outros artistas e produtores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo a tradição, o CD abre com um hit internacional (a polêmica “Papa don´t preach”), mas não perde gás nos minutos restantes com canções de peso tais como “Open your heart”, “White heat”, “La isla bonita” (primeiro e belo flerte de Madonna com a música latina), “True blue” e “Live to tell”, até hoje uma das essenciais em qualquer show da diva. Esta última, por sinal, é o ponto alto do disco por sugerir um amadurecimento musical da cantora, mais cuidadosa nas oscilações vocais e arranjos que nunca. Se quiser conhecer a Madonna dos anos 1980, pegue este ou “Like a prayer” (1989).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Like a prayer (1989)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://circulador.files.wordpress.com/2008/08/madonna_likeaprayer.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 258px; CURSOR: hand; HEIGHT: 245px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://circulador.files.wordpress.com/2008/08/madonna_likeaprayer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Considerado por parte da crítica o melhor disco de Madonnaaté hoje, “Like a prayer” é, na verdade, uma sequência lógica em relação a seus lançamentos predecessores. À orientação pop de praxe, no entanto, a artista acrescentou em seu repertório referências de dance, soul, funk, música latina e até mesmo religiosa, fazendo do CD um de seus maiores sucessos comerciais e um dos mais tocados e lembrados em shows até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura, com a ultra-polêmica “Like a prayer”, logo sugere um distanciamento em relação à new wave sintética do início da carreira de Madonna, o que logo é comprovado com as dançantes e despretensiosas “Express yourself”, “Cherish” e “Keep it together”. Além dos hits radiofônicos, o disco também acerta nas inspiradas “Oh father” e “Promise to try” (baladinhas marcadas pelo uso do piano) e em “Spanish eyes” – cheia de referências à música hispânica –, o que faz dele um dos mais inspirados e ecléticos da cantora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I´m Breathless (1990)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.top41.com/images/forums/Maddona_I-am-Breathless.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.top41.com/images/forums/Maddona_I-am-Breathless.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Apesar de figurar entre as trilhas sonoras de Madonna, “I´m Breathless” pode ser considerado um álbum independente em relação a seu filme, a superprodução “Dick Tracy” (1990), em que a loira atuou ao lado de nomes como Dustin Hoffman e Al Pacino. Envolvida pelo clima mafioso-retrô da película, ambientada nos anos 1930 e 1940, Madonna criou um álbum conceitual que teve a colaboração de grandes compositores – entre eles, Stephen Sondheim, um dos nomes máximos da Broadway – e mostrou à crítica seu potencial para além do universo pop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vencedora do Oscar de Melhor Canção em seu ano de lançamento, a faixa “Sooner or later (i always get my man)” mostra Madonna em sua melhor forma, com vocalizações inspiradas e uma atmosfera de época marcante. Big bands, coros e pianinhos de cabaré também povoam outras canções, como “He´s a man”, “Hanky panky”, “More” e as duas partes de “Now i´m following you”, mas Madonna também abriu espaço ao seu pop de praxe nas belas “Something to remember” e “Vogue” – dois hits instantâneos alheios ao filme. Junto a “Like a prayer” (1989), “I´m Breathless” também orientou o repertório da megaturnê “Blond ambition” (1990), que eternizou Madonna como a mais bem produzida artista da atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Erotica (1992)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.madonna-forums.com/cd-covers/madonna-erotica-cd-album-cover.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 259px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.madonna-forums.com/cd-covers/madonna-erotica-cd-album-cover.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de lançar seu aclamado “Like a prayer”, Madonna vislumbrou grandes transformações no cenário pop mundial – a fórmula à qual estava apegada nos anos anteriores, se não enfraquecida em termos comerciais, estava começando a se esgotar. Com este “Erotica”, lançado em 1992 e recebido com desconfiança pela crítica, a artista promoveu sua primeira grande mudança de eixos e apostou numa sonoridade mais pop e sensual. O disco vendeu apenas 8 milhões de cópias e rendeu a polêmica turnê “The girlie show”, que passou pelo Brasil em 1993 para dois shows no Rio de Janeiro e em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faixa título, que abre o disco, traz uma Madonna influenciada pela música house e techno, com vocalizações longas orientadas à pista de dança – a canção, por sinal, ganharia uma versão melhorada para a turnê “Confessions tour”, de 2006. O climão 90´s se repete em “Fever”, “Deeper and deeper” (cuja letra é exatamente sobre o que o título sugere), “Thief of hearts” e “Words” – mas é no lado “romântico” que o CD realmente brilha, com faixas como “Rain”, “Bad girl” e “Secret garden”. Apesar de mal compreendido, “Erotica” é um trabalho acima da média, que em muito retrata o ecletismo camaleônico da cantora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bedtime Stories (1994)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.plong.com/MusicCatalog/M/Madonna%20-%20Bedtime%20Stories/Madonna%20-%20Bedtime%20Stories.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 265px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.plong.com/MusicCatalog/M/Madonna%20-%20Bedtime%20Stories/Madonna%20-%20Bedtime%20Stories.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Se “Erotica” representa a transição de Madonna rumo à década de 1990, “Bedtime stories” é o ponto em que ela fincou pés no pop contemporâneo de uma vez por todas. Depois da controvérsia do disco anterior – que foi lançado junto ao livro “Sex”, que coleta fotos de Madonna em situações fetichistas –, a loira resolveu apostar em uma sonoridade mais romântica e suave, ao lado de produtores de renome como Dallas Austin e Babyface (que, entre outros, já trabalhou com Celine Dion, Mariah Carey e Aretha Franklin).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado é um CD que em nada deve aos melhores de seu início de carreira. “Survival”, “Forbidden love”, “Secret” e o hit “Take a bow” (que bateu recorde ao passar mais de 30 semanas consecutivas nas paradas) estão entre as baladas mais inspiradas de Madonna, enquanto que faixas influenciadas pela black music, como “Human nature” e “Inside of me”, trazem de volta o eu-lírico polêmico da artista, com referências ao sexo e à implicância da crítica musical para com ela. “Bedtime story”, composta pela finlandesa Björk e cedida a Madonna pelo produtor Neele Hooper, é outra que chama a atenção por seus arranjos lounge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Ray of light” (1998)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://astralwicks.files.wordpress.com/2008/02/madonna-ray-of-light-cover-design.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 290px; CURSOR: hand; HEIGHT: 268px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://astralwicks.files.wordpress.com/2008/02/madonna-ray-of-light-cover-design.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de “Bedtime stories” – primeiro de estúdio da cantora a não ter uma turnê própria –, Madonna entrou numa fase de reclusão e só voltaria à cena quatro anos depois com este “Ray of light”. A espera valeu, e muito, a pena: influenciado por tudo, menos o decadente cenário pop da época, o disco é talvez o mais agradável de ouvir que a artista lançou em sua carreira, com boas incursões de pop, música eletrônica e referências místicas que não soam caricatas. Junto a “Bedtime stories” e “Music”, ele orientaria o repertório da turnê “Drowned world tour”, de 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a primeira faixa, a progressiva “Drowned world/ substitute for love”, Madonna se mostra uma cantora mais esmerada, segura nos vibratos e dona de boas oscilações – resultado, principalmente, da participação do produtor William Orbit no disco. O climão relax se repete nas belas “Swim”, “Nothing really matters”, “Little star” (uma doce homenagem a Lola, primeira filha da cantora) e “Frozen” – provavelmente, sua melhor composição até hoje, com arranjos de cordas e um refrão sensacional. Momentos orientados à pista de dança também podem ser conferidos em “Sky fits heaven” e “Skin”, enquanto que a sensualidade de praxe reaparece em “To have and not to hold” e “Candy perfurme girl”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Music (2000)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.freewebs.com/sarahj351/madonna%20music.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; CURSOR: hand; HEIGHT: 261px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.freewebs.com/sarahj351/madonna%20music.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desconsiderando os sucessos da década de 1980, a Madonna conhecida pelas novas gerações é a apresentada em “Music”, sua primeira incursão nos problemáticos anos 2000. Mais inquieta e megalômana que nunca, a loira contratou um time de produtores modernos e saiu do tom confessional de “Ray of light”, investindo em arranjos mais “secos” e uma mistura bizarra – mas divertida – de música eletrônica, folk e uma estética country. O disco foi muito bem recebido (vendeu mais de 16 milhões de cópias) e até hoje é peça essencial no repertório das turnês de Madonna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora a faixa-título, sucesso mundial que desbancou o reinado de “Frozen” nas rádios, o CD reúne uma série de hits, como “American pie” (canção de Don McLean que foi relançada na voz de Madonna em 1999), “Beautiful stranger” (presente na trilha sonora do filme “Austin Powers”) e “Don´t tell me” – mas, no geral, as demais faixas também fazem valer a audição. Mesclando rock e música eletrônica, “Amazing” e “Impressive instant” trazem a loira num clima moderno, assim como nas baladas “Paradise (not for me)” e “Gone”, que só não foram hits por falta de uma boa mixagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;American life (2003)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://algumolhar.files.wordpress.com/2007/12/madonna-american-life-del-2003-delantera.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 243px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://algumolhar.files.wordpress.com/2007/12/madonna-american-life-del-2003-delantera.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Você já deve ter ouvido falar por aí que “American life” foi o grande fracasso da carreira de Madonna. Não se sabe bem por que, mas ele vendeu “apenas” 5 milhões de cópias e só ganhou uma turnê – que, na verdade, nem é centrada nele – no ano seguinte, sob o título evasivo de “Re-invention tour”. A verdade é que, embora continue levando adiante a proposta arriscada de “Music”, mesclando música eletrônica e acústica, o álbum possui boas canções e marca por registrar a inquietação de Madonna com questões políticas do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica à Era Bush vira um “chute no saco” com a faixa-título, cujo clipe original trazia imagens da guerra no Oriente Médio e acabou sendo substituído. O clima politizado continua também na balada “Love profusion”, um dos sucessos pop do disco junto à despretensiosa “Hollywood”, enquanto canções de lírica pessoal aparecem em “Nobody knows me” e “Intervention”. O hit “Die another day”, presente na trilha sonora do filme homônimo, também dá as caras e enriquece o repertório do disco, hoje esquecido nos shows da loira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Confessions on a dance floor (2005)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cd24.ee/pildid/CD04174.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 297px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.cd24.ee/pildid/CD04174.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de um período turbulento, marcado por referências e fusões bizarras entre o pop, a música eletrônica e o rock, ficou claro que Madonna precisava se reencontrar e, mais uma vez, ditar seus próprios rumos no cenário pop. Mas, duas décadas de carreira passadas, o que faltava para ela? Talvez, um disco totalmente ligado às pistas de dança – feito que, como o título sugere, foi alcançado com este “Confessions on a dance floor”, considerado pela crítica seu melhor CD desde “True blue”. O álbum vendeu mais de 13 milhões de cópias só no ano de lançamento, além de render a turnê mais lucrativa de Madonna até hoje, a “Confessions tour” (2006), que arrecadou 170 milhões de dólares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mergulhando fundo na atmosfera dos sintetizadores e da música eletrônica dos anos 1980, Madonna traz no CD um punhado de canções de verve retrô, como se vê nas ótimas “Get together”, “Jump”, “Future lovers” e “Sorry”. O hit máximo do CD, “Hung up”, é uma releitura da era disco com samples da canção “Gimme gimme gimme”, do grupo ABBA, que tocou nas rádios de forma exaustiva e introduziu Madonna no universo jovem novamente. Fora isso, o disco também tem incursões de rock (“I Love New York”), synthpop (“Forbidden love”) e até mesmo música árabe (“Isaac”), o que o torna o mais completo e bem produzido da loira até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Hard candy (2008)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://rraurl.uol.com.br/files/posts/madonna_hard_candy_cover_7RE5.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 259px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://rraurl.uol.com.br/files/posts/madonna_hard_candy_cover_7RE5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Dando sequência ao sucesso de “Confessions on a dance floor”, o mais recente lançamento de Madonna toma outro direcionamento e mergulha fundo na música e estética do rhythm n´blues americano. Para isso, ela continuou a assinar todas as composições em parceria com grandes produtores e artistas do mundo pop, entre eles Timbaland, Kanye West e o cantor Justin Timberlake. Em menos de um ano, o álbum atravessou os ventos da crise fonográfica e vendeu cerca de 4 milhões de cópias nas lojas e em suas versões na internet, além de render a turnê “Sticky &amp;amp; sweet”, que passou pelo Brasil no final de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira faixa, “Candy shop”, pouco se importa com instrumentais e mostra uma Madonna simplista, segura nos vocais e cheia de referências líricas sensuais. O hit mundial “4 minutes” conta com participações de Justin Timberlake e Timbaland, que dividem os vocais com a loira numa forte e politizada canção R&amp;amp;B, cujo direcionamento se repete em “Beat goes on”. A sonoridade oitentista também ganha fortes ecos em “Heartbeat” e “She´s not me”, repletas de sintetizadores e sons sampleados, assim como o pop em “Miles away” (a “baladinha” do CD) e na dançante “Give it 2 me”, single que fechou os shows da turnê “Sticky &amp;amp; sweet”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Outros lançamentos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://version2.andrewkendall.com/images/photographs/livemusic/madonna_live8/main/madonna_live8_19.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 436px; CURSOR: hand; HEIGHT: 297px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://version2.andrewkendall.com/images/photographs/livemusic/madonna_live8/main/madonna_live8_19.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Além de seus CDs de estúdio, Madonna colaborou na trilha sonora de diversos filmes, sendo que algumas canções como “You must love me” – do oscarizado “Evita” (1996), estrelado pela cantora – acabaram não saindo nos discos “oficiais”, mesmo com o sucesso a nível mundial causado pelo cinema. Entre as várias coletâneas lançadas entre os anos 1980 e 2000, vale destacar “Immaculate collection”, de 1991, que traz uma seleção dos principais singles e sucessos da primeira metade da carreira da cantora, além de duas canções inéditas, “Justify my love” (em parceria com Lenny Kravitz) e “Rescue me”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1995, Madonna também lançou “Something to remember”, só com canções românticas lançadas e tornadas sucessos em seus CDs de estúdio. Outra coletânea interessante é “Who´s that girl” (1987), lançada com o mesmo nome do filme protagonizado por Madonna e que rendeu uma turnê mundial, também com o mesmo nome. Nela, são apresentadas duas composições inéditas, “Over and over” e “Spotlight”, além de remixes de canções de seus hits da época.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ter lançado DVDs de quase todas suas turnês, encontrar o áudio de Madonna ao vivo não é tarefa nada fácil nas lojas. O único disco oficial é o que vem junto do DVD “Confessions tour” (2006), com parte do repertório apresentado ao vivo. Destaque neste para as releituras em clima oitentista e disco de canções como “Erotica”, “Music” e “Like a virgin”, que, regra geral, ficaram superiores às originais de estúdio, sem playbacks e com a voz de Madonna em um de seus melhores momentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4267809612463252899?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4267809612463252899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4267809612463252899&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4267809612463252899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4267809612463252899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/madonna-discografia-analisada.html' title='Madonna - Discografia analisada'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5397108193574672832</id><published>2009-01-15T01:14:00.000-03:00</published><updated>2009-01-15T01:30:26.261-03:00</updated><title type='text'>Meus "melhores do ano" de 2008</title><content type='html'>Há quem diga que as listas de melhores do ano feitas por críticos não têm qualquer utilidade prática. Pois é, por discordar disso - e, acima de tudo, por ainda não ser um crítico - resolvi postar a minha listinha, feita à época do Natal para divulgá-la em uma ocasião que acabou não acontecendo. Ela se refere não somente aos lançamentos de 2008, mas sim aos que só passaram em Belém neste ano - por isso, nada de reclamar se "Piaf" é de 2007 ou etc. e tal. Enfim, aí vai ela para quem interessar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Os "dez mais" de 2008 em Belém&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW64-63vizI/AAAAAAAAATY/mhkm827P5jQ/s1600-h/piaf.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 206px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW64-63vizI/AAAAAAAAATY/mhkm827P5jQ/s320/piaf.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291370003301370674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 - Piaf – um hino ao amor&lt;br /&gt;02 - Vicky Cristina Barcelona&lt;br /&gt;03 - Império dos sonhos&lt;br /&gt;04 - Juno&lt;br /&gt;05 - Across the universe&lt;br /&gt;06 - Partículas elementares&lt;br /&gt;07 - O escafandro e a borboleta&lt;br /&gt;08 - Control&lt;br /&gt;09 - Ensaio sobre a Cegueira&lt;br /&gt;10 - Mamma Mia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;Melhores diretores&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW653Qv2ZoI/AAAAAAAAATg/_P6zNtEniFg/s1600-h/inland.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW653Qv2ZoI/AAAAAAAAATg/_P6zNtEniFg/s320/inland.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291370971246519938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 – David Lynch (Império dos sonhos)&lt;br /&gt;02 – Woody Allen (Vicky Cristina Barcelona)&lt;br /&gt;03 – Olivier Dahan (Piaf – um hino ao amor)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Melhores atores&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW66MFtQwuI/AAAAAAAAATo/6ciIC0h4tc8/s1600-h/control.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW66MFtQwuI/AAAAAAAAATo/6ciIC0h4tc8/s320/control.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291371329060127458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 – Sam Riley (Control)&lt;br /&gt;02 – Moritz Bleibtreu (Partículas elementares)&lt;br /&gt;03 – Viggo Mortensen (Senhores do crime)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Melhores atrizes&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW66dtCaijI/AAAAAAAAATw/sx1KWWjQ1sM/s1600-h/penelope.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 216px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW66dtCaijI/AAAAAAAAATw/sx1KWWjQ1sM/s320/penelope.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291371631675607602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 – Marion Cotillard (Piaf – um hino ao amor)&lt;br /&gt;02 – Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)&lt;br /&gt;03 – Meryl Streep (Mamma Mia!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Melhor animação/ infanto-juvenil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW665wGIxsI/AAAAAAAAAT4/RWUZa4tIbt0/s1600-h/persepolis.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 166px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW665wGIxsI/AAAAAAAAAT4/RWUZa4tIbt0/s320/persepolis.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291372113532864194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 – Persepolis&lt;br /&gt;02 – Wall-E&lt;br /&gt;03 – Meu monstro de estimação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Melhores brasileiros&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW67XM9d31I/AAAAAAAAAUA/YKodJU-UJ44/s1600-h/eraumavez.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 165px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW67XM9d31I/AAAAAAAAAUA/YKodJU-UJ44/s320/eraumavez.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291372619497332562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;01 – Era uma vez...&lt;br /&gt;02 – Ônibus 174&lt;br /&gt;03 – Chega de saudade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5397108193574672832?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5397108193574672832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5397108193574672832&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5397108193574672832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5397108193574672832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/meus-melhores-do-ano.html' title='Meus &quot;melhores do ano&quot; de 2008'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW64-63vizI/AAAAAAAAATY/mhkm827P5jQ/s72-c/piaf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-2418372576486016385</id><published>2009-01-13T19:59:00.000-03:00</published><updated>2009-01-13T20:23:18.505-03:00</updated><title type='text'>The Red Hot Chili Peppers - "One hot minute" (1995)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW0dDf4JTtI/AAAAAAAAATM/XX5CP5OT30I/s1600-h/redhot.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290917083164004050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW0dDf4JTtI/AAAAAAAAATM/XX5CP5OT30I/s320/redhot.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Embora seja conhecido no Brasil, principalmente, pelo estouro dos álbuns "Californication" (1999) e "By the way" (2002), o Red Hot Chili Peppers já vinha de uma trajetória de duas décadas pelo morno cenário musical dos Estados Unidos - trajetória que, diga-se de passagem, continha todos os elementos de um bom grupo de rock: drogas, mudanças na formação e fases "nebulosas", com discos abaixo da média. Depois do sucesso the "Blood sugar sex magik" (1991), passaram-se quatro anos até que este "One hot minute" saísse. Um disco tenso, inconstante até, mas repleto de momentos inspirados que anunciavam a volta com tudo no final dos anos 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a saída de John Frusciante (guitarra) - à época um junkie inveterado que havia substituído o guitarrista anterior, morto por overdose -, Anthony Kiedis (vocal), Flea (baixo) e Chad Smith (bateria) resolveram chamar à banda o talentoso Dave Navarro, ex-Jane´s Addiction. A mudança, em muito, dá os tons de "One hot minute", um CD de orientação pop e até mesmo psicodélica - tudo isso aliado ao funk vocal e às levadas virtuosas de baixo de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abertura do disco é poderosa: "Warped", uma porradeira de tons lisérgicos cuja lírica tem algo do caos que a banda vivia à época. Algumas faixas trazem isso nos minutos seguintes, como "One hot minute" (a melhor faixa-título depois de "By the way"), "Walkabout" e o hit "Aeroplane", mas a surpresa mesmo vem nas "baladas", ácidas e divertidas na medida certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com "My friends", "Tearjerker" (melosa, mas bonita) e "Transcending" - que fecha o disco com melodias elaboradas e um ar, enfim, &lt;em&gt;transcendente&lt;/em&gt; -, o Red Hot começou a se firmar na veia pop, só que sem perder as raízes - Kiedis continua cantando em estúdio como se subisse num palco, assim como Flea e Chad, talvez a melhor cozinha dos EUA atualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale destacar a performance de Navarro, que, polêmicas à parte, fez muito bonito: quase não se sente a lacuna de Frusciante, à exceção de um ou outro riff fora do lugar. Enfim, se quiser um CD "de transição" do Red Hot, que fuja das rádios e seja novo à primeira audição, corra atrás desse. Sem medo de ouvir barulho de roqueiro metido a doido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 8,5&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ouça:&lt;/strong&gt; "Warped", "My friends", "Tearjerker", "Transcending"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faixas:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;01 - "Warped" - 5:03&lt;br /&gt;02 - "Aeroplane" - 4:45&lt;br /&gt;03 - "Deep Kick" - 6:33&lt;br /&gt;04 - "My Friends" - 4:02&lt;br /&gt;05 - "Coffee Shop" - 3:08&lt;br /&gt;06 - "Pea" - 1:47&lt;br /&gt;07 - "One Big Mob" - 6:02&lt;br /&gt;08 - "Walkabout" - 5:07&lt;br /&gt;09 - "Tearjerker" - 4:19&lt;br /&gt;10 - "One Hot Minute" - 6:23&lt;br /&gt;11 - "Falling into Grace" - 3:48&lt;br /&gt;12 - "Shallow Be Thy Game" - 4:33&lt;br /&gt;13 - "Transcending" - 5:46 &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-2418372576486016385?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/2418372576486016385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=2418372576486016385&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2418372576486016385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2418372576486016385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/red-hot-chili-peppers-one-hot-minute.html' title='The Red Hot Chili Peppers - &quot;One hot minute&quot; (1995)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SW0dDf4JTtI/AAAAAAAAATM/XX5CP5OT30I/s72-c/redhot.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-2973198155686251637</id><published>2009-01-12T13:37:00.000-03:00</published><updated>2009-01-14T13:55:01.449-03:00</updated><title type='text'>Os vampiros também amam</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Adaptação para os cinemas do livro "Crepúsculo" aposta em referências distorcidas da figura clássica do vampiro &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://bloglog.globo.com/FCKeditor/UserFiles/Image/06(3).jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 403px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bloglog.globo.com/FCKeditor/UserFiles/Image/06(3).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não restam dúvidas de que o universo adolescente é fonte inesgotável de renda no segmento cultural. Agora, outra coisa é achar que tudo o que lhes é empurrado vai se tornar fenômeno de vendas. Desde o estouro da inteligente (e muitas vezes malvista) série literária “Harry Potter”, de J.K. Rowlings, ficou provado que os jovens compõem um público capaz de escolher paixões inteligentes para si – e, felizmente, isso também foi assimilado pela classe de artistas, que tem feito de tudo para conquistá-los, também, pela qualidade. Mais uma produção da Sétima Arte destinada à geração “under-18” que parece transmitir algum conteúdo é “Crepúsculo” (Twilight, EUA, 2008, 122 min.), direção de Catherine Hardwicke, adaptação do livro homônimo de Stephenie Meyer que está nas salas do circuito comercial do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história começa sem surpresas: após anos morando com a mãe em Phoenix, pelos Estados Unidos, a jovem Isabella Swan (Kristen Stewart), ou apenas Bella, decide se mudar para Forks, uma pequena, chuvosa e melancólica cidade no interior de Washington onde vive seu pai Charlie (Billy Burke). A idéia dela é deixar que sua mãe viaje com seu novo marido e, de quebra, se reaproximar do pai, com o qual não mantém contato há anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transição não dá muito certo. Introvertida e taciturna, Bella tem dificuldade para se divertir ao lado dos colegas e prefere passar horas em casa, no telefone ou lendo. Isso até ela se aproximar do charmoso e pálido Edward Cullen (Robert Pattinson), membro de uma família estranha que não se socializa com os demais alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentindo uma estranha atração por ele – e vice-versa –, Bella acaba por conquistar sua confiança aos poucos e descobre estar diante de um membro de uma linhagem de “bons vampiros”. Vampiros que não bebem sangue humano, tampouco praticam maldades por aí, e tentam viver socialmente como possível, alimentando-se de sangue animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edward sabe que Bella corre perigo ao seu lado; não apenas pelo receio de consumar seu amor e contaminá-la com a eterna “doença” dos vampiros, mas também pelo fato de ela estar em ambiente hostil. Por outro lado, Bella sente que precisa ficar ao lado do amado e aprender a viver a seu lado. É a partir desta tensão que os dois viverão uma história pura de amor, daquelas que há tempos não apareciam na literatura e no cinema mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;História de amor ganha tons de inocência no cinema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adaptado apenas três anos após o lançamento do livro original (2005), “Crepúsculo”, o filme, chama a atenção por trazer à tona a figura do vampiro, explorada na Sétima Arte por nomes do quilate de Coppola, Lang e Polanski. A diferença é que Edward e seus consangüíneos a encarnam sob um olhar “bonzinho”, com certo apelo pop... e muito menos glamour.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À atmosfera mística e de suspense dos sugadores de sangue, a americana Catherine Hardwicke acrescentou elementos típicos do universo adolescente, como paixão, coragem, luta e desejo, criando uma narrativa que, polêmicas à parte, sabe prender a atenção. É difícil ver o filme e não “entrar” na história da dupla Bella-Edward – que, justiça seja feita, foram bem interpretados por Kirsten Stewart e Robert Pattinson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donos de um amor puro e inocente, os dois pouco investem em cenas tórridas ou sensuais: preferem andar de mãos dadas e caminhar pelas matas inocentemente, mesmo diante do rebuliço hormonal da idade. E, mesmo quando Edward finalmente cede e tasca um beijo em sua amada, o medo de torná-la um “monstro” faz com que ele recue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isso a série tenha tamanho apelo junto aos jovens do século XXI, que, regra geral, não têm mais a verve transgressora da geração anterior. Do lado da crítica, o filme tem sido amplamente criticado, taxado como uma “ofensa” aos vampiros clássicos da Sétima Arte. Na verdade, o que parece é que sua mensagem original foi distorcida: Stephenie Meyer não quer homenagear mitos da literatura gótica ou algo do tipo. Quer apenas se apropriar deles para cativar um público ávido por misticismo e romance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não li o livro, mas arrisco dizer que “Crepúsculo”, o filme, tem o semblante de uma boa adaptação. Ao contrário da série “Harry Potter” – que, percebe-se, fica cheia de lacunas em suas versões para o cinema –, o best-seller de Stephenie Meyer virou um filme bem costurado, em que as coisas fazem sentido ao longo das duas horas de narrativa. Agora, gostar ou não de um vampiro pudico e adolescente, que chegou a ser chamado de “emo” pela crítica, é outra coisa. Só vendo (ou lendo) para saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-2973198155686251637?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/2973198155686251637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=2973198155686251637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2973198155686251637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/2973198155686251637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/os-vampiros-tambm-amam.html' title='Os vampiros também amam'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-844450429237511192</id><published>2009-01-05T12:00:00.000-03:00</published><updated>2009-01-05T12:06:16.177-03:00</updated><title type='text'>Muito além da Sessão da Tarde</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Estréia natalina de sucesso nos cinemas, “Marley e eu” adapta com sensibilidade best-seller que conta as lições de vida deixadas por um “cãozinho” em uma família&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.aceshowbiz.com/images/still/marley_me01.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 394px; CURSOR: hand; HEIGHT: 274px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.aceshowbiz.com/images/still/marley_me01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guto Lobato*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de vida do jornalista John Grogan é a mesma vivenciada por muitas famílias ao redor do mundo: recém-casados, ele e sua esposa resolveram comprar um cão para animar a casa e ganhar experiência para arriscar uma futura paternidade. Ao mesmo tempo em que agüentaram as travessuras do “bichinho” – um desastrado labrador de 50 kg –, no entanto, eles aprenderam uma coisa: tem lições que só os animais nos ensinam, entre elas, o companheirismo e amor incondicionais. Registrada no livro “Marley &amp;amp; eu”, lançado e tornado best-seller recentemente, a história de Grogan tem tudo para continuar nas listas com sua bela adaptação aos cinemas (Marley &amp;amp; me, EUA, 2008, 120 min.), direção de David Frankel, lançada neste Natal e que permanece em cartaz no circuito comercial do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encarnados na telona pela dupla Jennifer Aniston e Owen Wilson, os jornalistas Jennifer e John Grogan começam o filme em um ritmo intenso de mudanças. Assim que se casam, sob uma nevasca típica do Norte dos Estados Unidos, os dois resolvem fugir do frio, se mudar para West Palm Beach, na Flórida, e começar por lá uma nova carreira. Ambos logo conseguem seus empregos, compram uma casa simpática e vivem uma vida tranqüila, até que surge o bom e velho dilema dos recém-casados: está na hora de ter um filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com um colega de trabalho, John tem uma idéia “brilhante”: comprar um cãozinho para que o casal comece a se acostumar à idéia da paternidade, resguardada nos planos de vida de Jenny. Os dois, então, vão a uma loja e se apaixonam por um filhote de labrador, que é levado para casa em questão de minutos. O que eles não sabem é que o cão era vendido a preço promocional justamente por sua “energia” – fato constatado quando ele, com alguns poucos meses de idade, começa a destruir móveis e quebrar objetos da casa com a voracidade de um adulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme a família cresce (em escala vertiginosa) e as responsabilidades e estresses aumentam, John e Jenny vão descobrindo a dor e a delícia de ter um animal daqueles dentro de casa – e, ao sabor da narrativa do best-seller no qual o filme se baseia, uma lição de vida pertinente começa a se delinear aos olhos do espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Filme transpõe lição do best-seller às telas de forma apurada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao se ler a sinopse, dá até a impressão de que “Marley &amp;amp; eu” é mais um daqueles filmes bobinhos de cachorro que passam na Sessão da Tarde, mas é melhor esquecer os pré-conceitos: destes últimos, só se pegou a essência. Com uma fórmula que traz de uma só vez humor, drama familiar e ludicismo, o filme vai muito além do esperado e emociona ao contar a história do cão Marley, verdadeira estrela do livro de John Grogan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começar, o diretor David Frankel escolheu bem o elenco da adaptação – não só Jennifer Aniston, a eterna Rachel de “Friends”, como Owen Wilson (de “Os excêntricos Tenembaums”) estão demais no papel do atrapalhado casal de jovens yuppies, assim como o elenco “secundário”, que não faz feio com nomes do peso de Alan Arkin e Eric Dane. Outro detalhe é Marley foi “interpretado” por nada menos que 22 cães labradores de várias idades. Com todo este cuidado, o animal não só desperta reações “fofinhas” na platéia como tem sua vida retratada com perfeição, do nascimento à velhice – tudo com um adestramento excelente, que quase não deixa latidos sonorizados fora do lugar ou movimentos forçados diante das câmeras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aspectos técnicos à parte, o que mais fascina em “Marley &amp;amp; eu” é justamente sua capacidade de emocionar. Todo mundo sabe que um cachorro, independentemente da raça ou do gênio, é fonte inesgotável de carinho, companheirismo e apoio emocional; mas no filme, isto é provado com o papel que o “cãozinho” ganha na família de John. Quando Marley já está bem velho e seus donos percebem que, na verdade, ele foi quem os amou de forma mais verdadeira, isto fica bem claro – a cena de seu falecimento é bela, do tipo que desafia o espectador a não se emocionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma bilheteria acumulada de mais de US$ 37 milhões até a semana passada, “Marley &amp;amp; eu” é a opção perfeita para quem quer curtir bom cinema com a família e integrar os lucros de Hollywood sem culpa. Sem querer desmerecer “Crepúsculo”, mas best-seller precisa de mais que uma fórmula de sucesso para cativar o espectador crítico – e acréscimos a isto a adaptação da obra de John Grogan tem de sobra, com uma lição de vida que foi transposta às telonas de forma sensível e apurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-844450429237511192?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/844450429237511192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=844450429237511192&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/844450429237511192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/844450429237511192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/muito-alm-da-sesso-da-tarde.html' title='Muito além da Sessão da Tarde'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4899720956505295456</id><published>2008-12-31T17:41:00.001-03:00</published><updated>2010-10-28T17:51:37.359-03:00</updated><title type='text'>Tears for Fears - "The hurting" (1983)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SVvZPS04W7I/AAAAAAAAAS0/GIZbnl7ioD0/s1600-h/tears.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5286057444424309682" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SVvZPS04W7I/AAAAAAAAAS0/GIZbnl7ioD0/s320/tears.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Tears for Fears, dupla composta pelos ingleses Roland Orzabal (voz e guitarra) e Curt Smith (voz e baixo), além de referência internacional de world music e pop, teve papel fundamental na consolidação da new wave entre os artistas do cenário de rock inglês. Com a dissolução do projeto de sonoridade 60´s e mod Graduate, a banda estreou na década de 1980 com este belo disco conceitual, "The hurting" (1983).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com letras de viés psicanalítico, basicamente concentradas em sentimentos e memórias de Roland, principal compositor da banda, "The hurting" possui uma sonoridade sombria, introspectiva e sintética, que em pouco se assemelha à verve pop do famoso "Songs from the big chair" (1985).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faixa título, que abre o disco, traz instrumentais de forte cunho experimental, seguida de duas canções com maior apelo pop, "Mad world" e "Pale shelter", que rapidamente se tornaram sucessos na Inglaterra, onde o CD figurou por 65 semanas nas listas de vendagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, o Tears for Fears alterna referências musicais diversas. A balada "Memories fade" tem pinceladas de Alphaville, enquanto "Watch me bleed" mescla arranjos acústicos e eletrônicos que seriam emulados pelo synthpop dos anos seguintes (qualquer semelhança dela com "Que país é esse?", da Legião Urbana, não é coincidência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A world music, que transpareceria nos próximos anos do grupo, já dava as caras em faixas tais quais "Change" e "Suffer the children". Já o lado new wave figura com maior força nas bizarras "Start of the breakdown" e "Ideas as opiates" - esta, a mais fraca do CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 8,5&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ouça:&lt;/strong&gt; "Mad world", "Memories fade", "Pale shelter"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tracklist:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. The Hurting&lt;br /&gt;2. Mad World&lt;br /&gt;3. Pale Shelter&lt;br /&gt;4. Ideas as Opiates&lt;br /&gt;5. Memories Fade&lt;br /&gt;6. Suffer the Children&lt;br /&gt;7. Watch Me Bleed&lt;br /&gt;8. Change&lt;br /&gt;9. The Prisoner&lt;br /&gt;10. Start of the Breakdown&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4899720956505295456?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4899720956505295456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4899720956505295456&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4899720956505295456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4899720956505295456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/12/tears-for-fears-hurting-1983.html' title='Tears for Fears - &quot;The hurting&quot; (1983)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SVvZPS04W7I/AAAAAAAAAS0/GIZbnl7ioD0/s72-c/tears.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-5603918179746657934</id><published>2008-12-25T02:25:00.000-03:00</published><updated>2009-01-02T02:29:15.138-03:00</updated><title type='text'>Às voltas com o drama da superação</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em "Clean", diretor francês Olivier Assayas foge dos clichês e busca referências no existencialismo europeu&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.offoffoff.com/film/2004/images/clean.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 430px; CURSOR: hand; HEIGHT: 284px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.offoffoff.com/film/2004/images/clean.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Às vezes abordada de forma equivocada no audiovisual, a transformação do ser humano pode ser muito mais que uma sucessão de surtos melodramáticos captados pelas lentes das câmeras. Há de se convir que, sim, toda mudança - seja de pensamento, atitude ou mesmo caráter - demanda certa carga emocional, mas a melhor opção para quem procura transmiti-la de forma inteligente ao público é economizar no chororô e saber emocionar na dose certa. Com todos os elementos que um bom filme do gênero exige, "Clean" (França/Inglaterra, 2004, 110 min.), direção de Olivier Assayas, que foi exibido em Belém na semana passada no projeto Cineclube Aliança Francesa, é uma boa opção para quem quer observar a psyché humana num ângulo bem próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início do filme logo mostra quem deve mudar: mantendo uma relação problemática com seu namorado, o músico decadente Lee Hauser (James Johnston), a viciada em drogas Emily Wang (Maggie Cheung) tenta a todo custo reinseri-lo na complicada indústria fonográfica, o que a faz ser malvista pelos amigos, produtores e pela imprensa. Tudo corre relativamente na mesma, até que um belo dia o casal tem uma briga no Canadá e se separa; Emily sai em seu carro e Lee fica em casa. Nervosa, ela usa heroína para relaxar e dorme dentro do veículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar para conversar com o namorado na manhã seguinte, ela se depara com uma comitiva de policiais à porta do hotel - Lee foi encontrado morto por conta de uma overdose. Detida e investigada pela polícia, Emily acaba tendo de passar seis meses na prisão mesmo após ser constatado que não havia envolvimento direto com o crime, já que a droga que vitimou o músico havia sido comprada por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sair da prisão, Emily decide em comum acordo com os pais de Lee deixar seu filho com os avós e voltar para a Europa, para reconstruir sua vida em Paris, na França - e é a partir do desejo de rever e conquistar de uma vez por todas a criança que a mulher buscará se livrar das drogas e arrumar um emprego, mesmo que isso demande uma transformação traumática e que nem sempre atende a seus projetos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma narrativa que mescla dois enredos por si só intensos e pesados - a busca de uma mãe por seu filho e o enfrentamento do vício das drogas -, "Clean" é talvez um dos mais densos trabalhos de Olivier Assayas - diretor e roteirista por vezes subestimado e responsável por obras inspiradas como "Paris, eu te amo" (2006) e "Demonlover" (2002). De forma cadenciada (e às vezes tediosa, para o espectador mais crítico), o cineasta traça um sensível retrato das fraquezas e anseios humanos - sem, no entanto, recair na pieguice tão encontrada em filmes similares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro - e, talvez, mais importante - elemento desta equação de Assayas é a atriz Maggie Cheung, que imprime uma emoção singular a sua personagem. Ao lado do sempre bom Nick Nolte (que interpreta o pai de Lee Hauser) - cujo personagem lhe presta apoio e também sofre em segredo pela iminência da morte de sua mulher -, ela é a prova concreta de que o bom ator não precisa se expressar de forma primitiva ao espectador. Angustiada pela solidão e pela vontade de reconquistar o filho, ela trava uma luta emocionante para reajustar hábitos e se adequar a um mundo de fortes, no melhor gênero anti-heróico do audiovisual subversivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma, a trilha sonora - encabeçada por Brian Eno, produtor, entre outros, dos melhores álbuns do grupo U2 - ajuda a transmitir a aura melancólica e inflexiva da obra, que bebe - e muito - das fontes do cinema existencialista francês. Aliás, o que não falta em "Clean" são boas artimanhas para afastar o espectador desinteressado: da técnica de filmagem aos diálogos e à concepção de roteiro, nada aqui parece fácil de absorver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por isto, o filme não seja propriamente um "clássico do cinema". Sem medo de ser mal compreendido - mas com medo de ser óbvio -, Assayas fez um filme difícil - mas que nem por isso deixa de ser fascinante e válido. Se você se interessa por histórias de superação que passam longe dos livros de auto-ajuda e exigem certo esforço mental, alugue e divirta-se. Caso prefira algo para deixar as emoções à flor da pele, passe longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia - edição de 24/12/2008&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-5603918179746657934?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/5603918179746657934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=5603918179746657934&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5603918179746657934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/5603918179746657934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2009/01/s-voltas-com-o-drama-da-superao.html' title='Às voltas com o drama da superação'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3422873717902137612</id><published>2008-12-17T15:36:00.000-03:00</published><updated>2008-12-17T16:01:53.545-03:00</updated><title type='text'>De volta às raízes</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Oasis desponta de vez no século XXI com o espontâneo e promissor “Dig out your soul”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SUlK0CZV5JI/AAAAAAAAASg/Wr5e5Twaf80/s1600-h/Oasis.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280834295925433490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SUlK0CZV5JI/AAAAAAAAASg/Wr5e5Twaf80/s320/Oasis.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Guto Lobato*&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o guitarrista e principal compositor do Oasis, Noel Gallagher, afirmou em entrevista à revista NME que queria voltar a “fazer barulho”, muita gente não sabia mais o que esperar. Desde a virada do milênio, com o elaborado “Standing on the shoulder of giants” (2000), ficou evidente que se distanciar ao máximo da sujeira instrumental e do britpop despretensioso do início de carreira era uma necessidade para o quinteto inglês. Em “Don´t believe the truth” (2005), no entanto, o caminho de volta tornou a ser anunciado com um som menos “certinho” – mas nada que se compare com “Dig out your soul” (2008), novo disco do Oasis lançado em outubro passado nos Estados Unidos e, provavelmente, o mais espontâneo e criativo da banda nos últimos oito anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gravado no Abbey Road Studios, em Londres, e Mixado em Los Angeles (EUA) na virada do ano passado, “Dig out your soul” mostra a que veio logo na faixa de abertura, “Bag it up”, um rock despretensioso e pesado que deve funcionar bem ao vivo. O primeiro detalhe que chama a atenção é a performance de Liam (vocal), que voltou a ter aquela força juvenil dos tempos de “Rock n´roll star”, além, é claro, de Noel e seus arranjos distorcidos de praxe. “The turning”, em seguida, traz o ouvinte de volta a 2008 com arranjos bem elaborados de teclado e um refrão poderoso que tem a cara atual do grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante, mais nove faixas deixam bem evidente que a oscilação entre o Oasis experimental e o clássico talvez consiga atrair novos fãs à banda, que desde o fim dos anos 1990 vive longe dos holofotes ingleses. O primeiro single do CD, “Shock of the lightning”, não economiza na semelhança com “The hindu times”, do “Heathen chemistry” (2002), mas nada que remova seu brilho. Noel contribui com a maioria das faixas, mas Liam, Gem Archer (guitarra) e Andy Bell (baixo) também têm seus momentos inspirados, como se vê em “Soldier on” – rock psicodélico de autoria do cantor que cola à mente com facilidade e fecha o álbum – e na pesada “The nature of reality”, outra surpresa do disco composta por Bell, cheia de riffs distorcidos e uma levada meio hard rock.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alternância entre os vocais dos irmãos Gallagher resulta em três canções embaladas por Noel. Desta vez, nenhuma delas é hit imediato: “(Get off your) high horse lady” é um rock meio bluesy com toques de música psicodélica e guitarras distorcidas que passa despercebido à primeira audição, mas depois cativa. Já “Falling down” – provável futuro single do CD – reaviva a chama sessentista da banda com referências místicas a la Beatles do final de carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a alma pop do Oasis é reavivada com a bonita “I´m outta time”, balada de Liam que demorou nove anos para ser gravada e surpreende pela semelhança com o Keane – filhote do britpop que, ultimamente, tem estado mais na mídia que seus precursores. A música já foi anunciada para virar single agora, em dezembro, e traz o vocalista num momento inspirado como compositor, com arranjos instrumentais e uma atmosfera geral que evoluíram em relação ao pop nu e cru dos anos anteriores. O videoclipe dela, disponível no site Youtube, pode ser apreciado como uma obra à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantos elogios, dava até para pensar que “Dig out your soul” não possui falhas. Bem, há algumas, a começar pelas letras, que continuam toscas, e por alguns excessos de distorção que deixam as canções meio “sujas”. Mas, se não fosse por isso, não seria Oasis, certo? É aqui que a tal da espontaneidade fala mais alto: álbuns como “Standing on the shoulder of giants” e “Heathen Chemistry” podem até ser mais bem gravados, mas, definitivamente, não têm aquela peculiaridade barulhenta que consagrou o Oasis mundialmente. Aqui, a banda, de fato, retorna às raízes. Só que com mais maturidade e respaldo para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Nota:&lt;/strong&gt; 9,0&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ouça:&lt;/strong&gt; “I´m outta time”, “Soldier on”, “The turning”, “Shock of the lightning”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Onde comprar:&lt;/strong&gt; OasisiNet (£ 9,99) Amazon.com (US$ 12,99), E-Bay (£ 6), Yahoo Shopping (US$ 12,99)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cópias vendidas (até novembro): &lt;/strong&gt;708 mil&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais informações:&lt;/strong&gt; www.oasisinet.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado na revista Via Pará - edição de Dezembro/2009&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3422873717902137612?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3422873717902137612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3422873717902137612&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3422873717902137612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3422873717902137612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/12/de-volta-s-razes.html' title='De volta às raízes'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SUlK0CZV5JI/AAAAAAAAASg/Wr5e5Twaf80/s72-c/Oasis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-38599018075819807</id><published>2008-12-07T02:52:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T02:57:40.395-03:00</updated><title type='text'>Cenas tragicômicas e sensuais</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;"Vicky Cristina Barcelona", novo filme de Woody Allen, volta a investir no humor ácido em narrativa passada na Espanha catalã&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://image.toutlecine.com/photos/v/i/c/vicky-cristina-barcelona-vicky-cristina-barcelona-05-09-2008-2-g.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 326px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://image.toutlecine.com/photos/v/i/c/vicky-cristina-barcelona-vicky-cristina-barcelona-05-09-2008-2-g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Guto Lobato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio ao seletíssimo rol de cineastas que conseguem produzir novos filmes como quem troca de roupa, a figura de Woody Allen certamente é uma das que mais desperta fascínio. Desde 1970 lançando ao menos uma fita no mercado em escala anual - salvo 1981, 1974 e 1970 -, o diretor, roteirista, escritor, ator e faz-tudo norte-americano de 78 anos é dono de uma linguagem que ou você ama ou odeia – daquelas bem únicas, que dá para reconhecer só de olhar o letreiro e a seqüência de abertura do filme. Quando as luzes se apagam e a tragicomédia “Vicky Cristina Barcelona” (EUA/ Espanha, 96 min., 2008) começa a rodar nas telonas, logo o espectador sente aquela pontada e constata: cá está o bom e velho Allen. Franzino, resmungão, espontâneo e reflexivo na medida certa, mas com um toque muito peculiar de mundialismo. Por sorte – ou melhor, por esforço, muito esforço – a fita chegou a Belém nas salas do Moviecom Belém Shopping Iguatemi 4, com sessões às 16h e 19h50, e é a melhor pedida em meses do circuito comercial da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer a sinopse de “Vicky Cristina Barcelona” é fácil, contanto que se frise a primeira metade da história. Tudo começa com a chegada de Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson), duas norte-americanas que se conhecem desde a infância, à fascinante cidade de Barcelona. Vicky faz um mestrado em cultura catalã, está noiva de um típico yuppie nova-iorquinho e possui uma visão racional da vida a dois, enquanto que Cristina já foi atriz, diretora, roteirista e agora vive em permanente inquietação para procurar a artista (e a mulher) dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que chegam a Barcelona, elas conhecem Juan António (Javier Bardem), pintor conhecido no mundo das artes por nutrir uma relação passional e violenta com a ex-mulher e também pintora María Elena (Penélope Cruz). Ao ver as duas moças sozinhas num restaurante, ele decide não enrolar: vai à mesa delas e as convida para um final de semana no interior, regado a vinho, bom papo e sexo. Para o desespero de Vicky, Cristina aceita a proposta na hora – e é nesta viagem, o divisor de águas da narrativa, que elas, Juan e María Elena passarão a conhecer mais a fundo as nuances do amor, da paixão e do desejo, tudo ao mesmo tempo em que repensando suas escolhas e modos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Narrativa aposta no bom e velho humor ácido&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pelo menos quatro anos – e quatro filmes – rodando na Europa, onde se instalou para fugir do impiedoso mercado norte-americano, Allen volta a lançar olhares sobre o Velho Continente em “Vicky Cristina Barcelona” – mas, diferentemente dos recentes (e ótimos) “Match point” (2005) e “O sonho de Cassandra” (2007), cujas narrativas mais sérias e densas evidenciaram o lado “sombrio” do diretor, a nova obra é dona de uma leveza e humor singulares. Não o humor lúdico e pop de “Scoop – o grande furo” (2006), mas sim aquele com quê de ácido, tão freqüente nas melhores obras do cinema latino e que, pelo visto, chegou para ficar nas obras de Woody.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe-se que um dos principais argumentos de seus roteiros é o paralelo tragicômico que pode existir entre a neurose e o amor – desde seus clássicos “Noivo neurótico, noiva nervosa” (1977) e “Manhattan” (1979), o recurso é evidente. Em “Vicky Cristina Barcelona”, o caos afetivo novamente encarna nas figuras de Juan António, María Elena, Cristina e Vicky; todos loucos e errantes, amantes e inimigos entre si ao mesmo tempo, que vêem na inconstância e nos devaneios um caminho para encontrar a própria identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elenco do filme é, por si só, digno de atenção: de onde pôde, Allen coletou astros de renome do cinema e deu-lhes total liberdade em cena, incluindo aí diálogos bilíngües e interpretações próprias. Além de Scarlett Johansson – a nova musa do diretor, que a cada filme muda completamente sua desenvoltura em cena –, Rebecca Hall e a genial Penélope Cruz (cujo papel foi feito sob medida por Allen), o filme ainda conta com Javier Bardem, badalado astro do cinema que interpreta no filme um dos homens mais complexos e perturbados que já pisaram na terrinha de Gaudí e Miró.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dividido entre o desejo carnal pela ex-mulher e a afetividade febril das duas moças, Juan António vive em conflito consigo mesmo – coisa que o ator, pouco experiente em comédias dramáticas, retratou e muito bem em suas caras e bocas, para a surpresa da crítica. No mais, o público pode esperar pelo melhor do diretor neste filme – takes sensacionais de Barcelona e redondezas, trilha sonora adequada e uma narrativa curta, porém divertida, sensual, tresloucada e cheia de reviravoltas. Para quem está aprovando a temporada européia de Allen, é um prato cheio. Aos críticos, mais um desafio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*&lt;span style="font-family:arial;color:#cc0000;"&gt;&lt;em&gt; Originalmente publicado nos jornais Amazônia e O Liberal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-38599018075819807?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/38599018075819807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=38599018075819807&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/38599018075819807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/38599018075819807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/12/cenas-tragicmicas-e-sensuais.html' title='Cenas tragicômicas e sensuais'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3113938651612253614</id><published>2008-12-07T02:44:00.000-03:00</published><updated>2008-12-07T02:58:22.923-03:00</updated><title type='text'>"Ensaio sobre a cegueira" leva obra literárias às telas com perfeição</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Clima de superprodução não engana: adaptação de livro homônimo de José Saramago é pura arte visual e técnica&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.terror24horas.com.br/fichas/ensaio_sobre_a_cegueira/fotos/foto2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 351px; CURSOR: hand; HEIGHT: 236px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.terror24horas.com.br/fichas/ensaio_sobre_a_cegueira/fotos/foto2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Guto Lobato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ler "Ensaio sobre a cegueira", o clássico literário nova (e subita)mente tornado best-seller de José Saramago, duas sensações inevitavelmente devem tomar conta de você: a agonia, por conta da perda do sentido primordial, a visão, entre os personagens da obra; e o nojo da sujeira e da bagunça que tomam conta da humanidade conforme a ordem social é destruída. Apesar de um tanto profética - e exagerada, definitivamente -, a ficção do escritor português é elucidativa o suficiente para nos fazer repensar certos aspectos da vida cotidiana. A partir da mesmíssima fórmula, o longa "Ensaio sobre a cegueira" (Blindness, Brasil/Canadá /Japão, 2008, 120 min.), direção do brasileiro Fernando Meirelles, consegue ter êxito ao adaptar a obra ao cinema e despertar as mesmas impressões deixadas pelo texto original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história inicia da mesma maneira: subitamente, um homem de traços orientais (Yusuke Iseya) perde a visão enquanto enfrenta o trânsito caótico de uma grande metrópole. Ajudado por um estranho (Don McKellar) - que rouba seu carro num rompante de esperteza -, o homem chega em casa e vai ao consultório de um oftalmologista (Mark Ruffalo), que não consegue encontrar razões próprias para a "cegueira branca" que lhe atingiu. De volta para casa, o médico conta a história à sua esposa (Julianne Moore) e vai dormir, intrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, ele também descobre estar cego - o que começa a acontecer por toda a cidade, enquanto que sua esposa permanece saudável. Uma prostituta (Alice Braga), um contador (Maury Chaykin) e até mesmo a ministra da saúde (Sandra Oh) repentinamente são acometidos pela "cegueira branca", o que faz com que o Governo crie uma política emergencial para evitar que a epidemia se alastre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os infectados são, então, deixados em quarentena num hospital abandonado. Junto às centenas de cegos, o médico e sua esposa terão de aprender a conviver com os instintos mais primários do ser humano, tudo ao mesmo tempo em que se adaptando à perda da visão com os sentidos que restam - o problema é que, em meio a tudo isso, mal eles sabem o que se passa no resto do mundo. Mal eles sabem o que os espera quando as portas para a rua estiverem abertas novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Diretor soube dialogar com produção de vários países &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Investindo em sua fórmula tradicional - sonorização sutil, apuro estético e uma direção de cena meticulosa, quase doentia -, Fernando Meirelles (de "O jardineiro fiel" e "Cidade de Deus") chegou ao máximo de sua expressão perfeccionista em "Ensaio sobre a cegueira". Mesmo Saramago, ao assistir em primeira mão ao filme, declarou ter ficado "emocionado" ao perceber que tudo o que ele imaginava ao escrever a obra original foi transferido com perfeição às telonas. Ou seja: mesmo o crítico mais importante já baixou a guarda para a adaptação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, o diretor brasileiro recorreu aos mais diversos meios. Do casting de atores à ficha técnica - e até mesmo aos sets de filmagem e recursos arrecadados -, o filme apropriou o modus operandi dos cinemas brasileiro, canadense e até mesmo japonês, o que faz dele um reflexo da globalização no audiovisual. Tudo isso sem perder a identidade da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dos astros Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover e Sandra Oh - todos excelentes em seus papéis -, o elenco conta com boas surpresas, como a brasileira Alice Braga - que brilha com seu inglês impecável e firmeza na pele da prostituta que fica cega enquanto transa com um cliente - e o mexicano Gael García Bernal, que aparece meio que do nada na pele de um "vilão" (na verdade, um cego sem senso de coletividade) e acaba roubando a cena para si, até ser morto sem dó algum pela mulher do médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quesito visual, o espectador também pode aguardar por tudo que uma superprodução de US$ 25 milhões deve ter: filmagens externas exuberantes (aguarde para ver o centro de São Paulo destruído na segunda metade do filme!), efeitos visuais de primeira e, claro, um treinamento de figurantes impecável - ao ver os cegos conversando entre si com olhares confusos e perdidos, a sensação é de que eles jamais viram um vulto na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já circulam os boatos de que "Ensaio sobre a cegueira" concorrerá ao Oscar 2009 em várias categorias; empolgações à parte, parece ser uma decisão sensata. Mesmo com todo o clima de superprodução sob os holofotes hollywoodianos, com toda a divulgação massiva e apelo comercial da obra, o longa de Fernando Meirelles é uma ficção com toques dramáticos instigante, um verdadeiro filme de arte. E arte das melhores, do tipo que há tempos não aparecia no rol de adaptações literárias ao cinema. Sem dúvidas, o melhor "quase-brasileiro" do ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-3113938651612253614?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/3113938651612253614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=3113938651612253614&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3113938651612253614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/3113938651612253614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/12/ensaio-sobre-cegueira-leva-obra.html' title='&quot;Ensaio sobre a cegueira&quot; leva obra literárias às telas com perfeição'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6079189233424643092</id><published>2008-11-10T00:43:00.000-03:00</published><updated>2008-11-10T01:00:46.697-03:00</updated><title type='text'>Inovação e polêmica no novo longa sobre o 174</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Com abordagem dramática e linguagem ficcional, "Última parada 174" lança novos olhares sobre seqüestro polêmico ocorrido em 2000 no Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SRexiltgTwI/AAAAAAAAASQ/i216tWIUH_0/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266873497029725954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 235px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SRexiltgTwI/AAAAAAAAASQ/i216tWIUH_0/s320/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O pano de fundo da trama é, talvez, a inspiração ideal para qualquer cineasta fascinado por contrastes sociais brasileiros: a cidade do Rio de Janeiro. O cenário do desfecho, o interior de um ônibus cercado de policiais. Dentro, um jovem descontrolado ameaça "matar geral" e impõe o terror a reféns da linha 174 (Centro-Gávea) do transporte urbano carioca. Numa negociação frustrada, a vida de uma refém é tirada e o seqüestrador é morto por asfixia numa viatura policial. Este episódio real, que aconteceu em 2000 e marcou a história urbana da cidade "maravilhosa", já rendeu um documentário premiado ("Ônibus 174", de José Padilha, lançado em 2002), mas agora volta às telonas do cinema – desta vez, sob a roupagem da ficção – com "Última parada 174" (Brasil, 2008, 110 min.), longa dirigido por Bruno Barreto, que continua em cartaz em Belém no Moviecom Belém Shopping, sala 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manobra inusitada (ao menos para o assunto), "Última parada 174" começa passando longe do fato que o inspirou, num barraco sujo do Rio de Janeiro onde vivem Alessandro (interpretado criança por Hyago Silva e adulto, por Marcello Melo Jr.), então um bebê, e sua mãe, Marisa (Cris Vianna), uma viciada em drogas. Expulsa do local por um traficante, a mãe é forçada a deixar o filho com o traficante Meleca (Rafael Logan), que o cria às voltas com a criminalidade e a violência locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, não muito longe dali, no interior carioca, Sandro (interpretado criança por Vítor Carvalho e adulto por Michel Gomes) encontra sua mãe morta a facadas no chão de um bar e decide fugir ao Rio de Janeiro para realizar um sonho que alimentava junto a ela: morar em Copacabana. Por motivos óbvios, nada dá certo e ele acaba se unindo a um grupo de crianças de rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos se passam. Pouco a pouco, os destinos de Alê e Sandro se cruzam no Rio e eles se tornam amigos. Enquanto o primeiro já é figura conhecida da marginalidade e convive com traficantes do morro, o segundo comete pequenos delitos, sobrevive à Chacina da Candelária, outro evento sombrio da história policial carioca, e é acolhido por uma ONG que presta assistência a meninos de rua. Ao mesmo tempo, Marisa, recuperada e obcecada com a idéia de reencontrar seu filho, acaba esbarrando com um deles. Daí para o trágico incidente do ônibus 174 – protagonizado por Sandro –, se passam apenas mais alguns minutos de filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Narrativa desenvolve visão humana sobre seqüestrador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando um pouco de lado o viés "policial" da história do seqüestro – que foi exaustivamente trabalhado na mídia à época, e no próprio documentário de Padilha, mais recentemente –, Bruno Barreto decidiu optar por uma linguagem mais humanizada para contar a história de Sandro do Nascimento, o criminoso, e de Alê, seu melhor amigo. O resultado é uma espécie de releitura do incidente, com mudanças intencionais no enredo e certo apelo ao drama que acabam mostrando um possível "outro lado" da história original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isto, o diretor apostou em alguns recursos típicos do cinema brasileiro contemporâneo. Dentre eles, atuações viscerais e espontâneas (o destaque vai para a dupla Marcello Melo Jr. e Michel Gomes), o excesso de sangue e palavrões – que, às vezes, soam desnecessários –, e, vá lá, os olhares sempre desconfiados sobre a polícia, a igreja evangélica e outros grupos que cruzam o caminho de Alê e Sandro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, no final das contas, para quem está acostumado a "socos no estômago" como "Cidade baixa", "Baixio das bestas" e, claro, "Tropa de elite", o que aparece por aqui é brincadeira – a agressividade de "Última parada 174" está mais em sua narrativa de base que em sua execução diante das câmeras. Talvez a ótica "penosa" em relação à história de vida do seqüestrador – que fica bastante evidente ao longo do filme – irrite uns, mas a verdade é que, ao que tudo indica, Barreto quis apenas mostrar o outro lado da moeda, e não concorrer com a genialidade do documentário "Ônibus 174" de Padilha. O resultado é um filme humano, que tem seus méritos e suas falhas, mas vale uma olhada por seu ar desmistificador. Afinal de contas, em se tratando de dramas policiais brasileiros, toda polêmica levantada é válida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6079189233424643092?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6079189233424643092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6079189233424643092&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6079189233424643092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6079189233424643092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/11/inovao-e-polmica-no-novo-longa-sobre-o.html' title='Inovação e polêmica no novo longa sobre o 174'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SRexiltgTwI/AAAAAAAAASQ/i216tWIUH_0/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-7556796284830871329</id><published>2008-10-28T21:57:00.000-03:00</published><updated>2008-10-28T22:50:55.488-03:00</updated><title type='text'>Transamazoniennes reaviva a cultura amazônica</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Festival realizado na comuna de Saint Laurent du Maroni, na Guiana Francesa, chega a sua quinta edição com público recorde, mais de 60 atrações e a proposta de atravessar as fronteiras da região&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Por Guto Lobato*&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;De Saint Laurent Du Maroni - Guiana Francesa&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fotos de William Farrington (Africa Sound - EUA)/ Divulgação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe40A4vy2I/AAAAAAAAARY/nVAV03ONIQY/s1600-h/foto7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262377893336435554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe40A4vy2I/AAAAAAAAARY/nVAV03ONIQY/s400/foto7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comuna de Saint Laurent du Maroni, situada a 260 km de Caiena, no extremo Oeste da Guiana Francesa, foi originalmente utilizada pela França para transportar, instalar e promover políticas de trabalho forçado em presos do além-mar; hoje, no entanto, é uma espécie de reduto cultural, um dos locais em que a tradição, o calor humano e os ideais de liberdade de expressão do país mais se mantêm vivos. Em seus pouco mais de 19 mil habitantes, convivem as tradições afro-descendentes, européias e, claro, da Amazônia - região que acolheu e unificou etnias, culturas e povos dos quatro cantos do planeta. Para quem esteve em Saint Laurent neste final de semana, uma boa oportunidade de analisar os rumos da música, da dança e das artes visuais locais foi oferecida com a quinta edição do &lt;span style="color:#000000;"&gt;Festival International des Cultures d'Amazonie (Transamazoniennes)&lt;/span&gt;, evento que transcorreu de sexta, 24, até este domingo, 26, no Camp de La Transportation, reunindo performances de dezenas de artistas locais e convidados de outras regiões tradicionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto do lado de fora, o Camp de la Transportation parece ser tudo, menos uma arena de festivais. Construído às margens do Rio Maroni - que circunda a cidade e é a fronteira natural entre a Guiana e o Suriname -, o forte penitenciário tem aspecto austero e remete à arquitetura que predominou nos tempos coloniais do agora departamento francês. Na noite de sexta-feira, no entanto, tudo parecia diferente - no lugar das paredes cinzentas e grades, luzes e cartazes coloridos; no lugar de ruínas e silêncio, música e dezenas de milhares de espectadores. O mesma movimentação que se havia registrado horas antes no Aeroporto Internacional Rochambaud, em Caiena, tomou forma no festival: não apenas guianeses, mas franceses, espanhóis e até mesmo brasileiros começaram a chegar e se concentrar diante do palco por volta das 18h, quando a primeira parte do festival iniciou, com a apresentação de jovens grupos e artistas locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai em diante, foram mais de 30 horas de musica ao vivo em Saint Laurent, com pausas apenas entre o amanhecer e o inicio da tarde. Cada dia obedeceu a uma linha temática: na sexta, o line-up &lt;span style="color:#000000;"&gt;"Youth and underground" reuniu performances de musicos das novas gerações da francofonia, com ênfase na cena reggae local; no sabado, "Voyages et culture", com os principais artistas convidados; e "Passionés et specialistes"&lt;/span&gt;, no domingo, com atrações de musica romântica e experimental. Todas as atrações foram intercaladas por performances folclóricas de dança e musica regional. Somando os três dias, foram mais de 15 mil espectadores e 60 grupos de paises como Guiana Francesa e Inglesa, Marrocos, Jamaica, Republica do Congo e Haiti, da mesma forma que nas edições anteriores do festival, organizadas em escala bienal em Saint Laurent desde o ano de 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Reggae dominou programação musical de sexta-feira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na abertura da sexta-feira, cinco grupos de jovens musicos se apresentaram na parte competitiva do Transamazoniennes, que a organização convenientemente intitulou "Les tremplins" ("os trampolins"). O que deu para perceber, de cara, é que o reggae e o ragga (vertente mais cadenciada do gênero jamaicano) são verdadeiras febres que querem ser "alavancadas" no país: um dos maiores sinais da herança da musica jamaicana no local são os jovens cantores-compositores, que se espelham em grandes ídolos do gênero como Bob Marley, Jimmy Cliff e Peter Tosh, fazendo um som que tem a cara do roots, mas com melodias contemporâneas e letras na língua francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe5hT34laI/AAAAAAAAARg/tC4Df8yeM70/s1600-h/foto8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262378671527204258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe5hT34laI/AAAAAAAAARg/tC4Df8yeM70/s400/foto8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos cantores a se apresentar no "Tremplins", o jovem Maldone M'Say, de 25 anos (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;foto acima&lt;/span&gt;), fechou o primeiro dia dos "Tremplins" com três composições autorais repletas de arranjos bem elaborados e mensagens positivas - o resultado foi a aprovação dele pelo júri para se reapresentar na noite final do evento e, futuramente, receber o apoio da Prefeitura de Saint Laurent para divulgar sua música pelo país e, quem sabe, até registrá-la em CD. "Já estou há cinco anos no cenário. A partir de agora, minha intenção é viajar cada vez mais por países da região, como o Suriname, a Guiana Inglesa e o Brasil, que ainda não tive a oportunidade de conhecer", disse o jovem à reportagem, após ser agraciado com a premiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, por volta das 22h, o Camp de La Transportation ja estava lotado; ao som de aplausos de um publico que, aos poucos, perdia a timidez, começaram a subir ao palco principal as atrações convidadas. Novamente, provou-se que a paixão pelo reggae é mundial: depois da performance dos grupos locais Lil'G, Genobri e Gavin Jacobs - que apostam em bem sacados flertes entre o reggae roots e a musica pop, na linha de grupos brasileiros como o Cidade Negra -, uma das atrações mais esperadas da noite, o Momo Roots, do Marrocos, trouxe ao publico uma mistura impressionante de reggae e música folclórica e medio-oriental. Outro destaque da noite foi o cantor Koloni, prodigio do Suriname que levou ao publico uma seqüência de canções cantadas em diversas linguas, desde o francês, o inglês e o holandês até o português e o dialeto Takitaki, tipico das comunidades afro-descendentes da Guiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe57NXYiNI/AAAAAAAAARo/sZzZvstw3JY/s1600-h/foto5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262379116456872146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe57NXYiNI/AAAAAAAAARo/sZzZvstw3JY/s400/foto5.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a surpresa mesmo veio por volta de 1h da madrugada, quando o calor do público já pedia algo de maior intensidade. Após uma performance empolgante do grupo de dança Tamango (acompanhado, no instrumental, por dois musicos do projeto brasileiro África La Em Casa), subiram ao palco os nove integrantes do Boukman Eksperyans (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;foto acima&lt;/span&gt;), grupo natural do Haiti que completa 20 anos de estrada no ano que vem e possui diversas premiações no currículo, entre elas um Grammy com o album "Vaudou Adjae". Com influências musicais que percorrem desde a musica folclórica até o rock, os artistas entraram no palco sem muitos aplausos, mas bastaram alguns segundos para que a platéia (em especial, os franceses que foram ao Transamazoniennes para fugir do outono parisiense) entrasse numa espécie de transe musical e de dança, algo semelhante ao que se vê, aqui no Brasil, nas grandes festas de axé music. Interagindo bastante com a platéia, os musicos criticaram a guerra, a violência na terra natal e parabenizaram a reação calorosa da plateia, que ao final até ensaiava alguns coros em dialeto crioulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Nos demais dias, diversidade de sons e apenas um representante do Brasil&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe63zVs_RI/AAAAAAAAARw/4Vi8m_XLESg/s1600-h/africa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262380157442522386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe63zVs_RI/AAAAAAAAARw/4Vi8m_XLESg/s400/africa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se no primeiro dia de festival o reggae foi o ritmo que evidenciou a paixão dos jovens nas mostras competitivas intituladas "Les tremplins", os dois últimos dias representaram a abertura de um leque ainda mais rico de influências. Para quem vinha chegando ao Camp de la Transportation por volta das 17h de sábado, a recepção foi regada aos sons tribais e percussivos típicos das comunidades quilombolas e indígenas próximas a Saint Laurent. Nas categorias de Música e Dança Tradicional, foram nove grupos inscritos e dois classificados - a System Tranga Noto e Ite Daya, respectivamente. Passada a fase competitiva, as atrações internacionais começaram com a performance dos brasileiros do Africa Lá em Casa (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;foto acima&lt;/span&gt;), que já têm três anos de estrada no projeto e investem em uma sonoridade experimental e dissonante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo destoando das atrações anteriores, os jovens Arnaldo Duarte (bateria), Guilherme Chiapetta (baixo), Rafael Borges (guitarra) e Leandro Manrique (trombone) fizeram bonito em um show curto com pinceladas de rock, blues e até mesmo jazz, chamando a atenção da pequena platéia que se concentrava diante do palco. Quando o show parecia estar chegando ao fim, eis que sobe ao palco o superstar da dança Tamango, que novamente impressionou o público com a velocidade e musicalidade de seus passos. Após a performance, os veteranos do Boukman Eksperyans (Haiti) também voltaram ao palco e convidaram o público a dançar, num fusion muito bem sacado com o Africa Lá Em Casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua primeira participação no Transamazoniennes, o grupo paulista se sentiu lisonjeado de representar o Brasil em meio a tantas atrações internacionais de peso (também convidados, os paraenses do Trio Manari não puderam vir à Guiana Francesa por problemas com a chegada do visto a Belém). Para eles, o festival foi uma oportunidade única de conhecer os sons produzidos ao redor do mundo. "Logo que a gente chegou, já houve uma recepção positiva. Ontem (sexta), tocamos no meio da rua com o Tamango, que é um artista impressionante, em frente ao cinema de Saint Laurent, só para 'esquentar', e hoje teve estes dois 'fusions' improvisados. Para nós é uma oportunidade especial de mostrar o que tocamos em nosso país, além de conhecer a música de outras regiões", afirmou o baixista Guilherme Chiapetta, em entrevista à reportagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi com a chegada da madrugada que o público, de fato, gastou todas as energias no sábado. Natural da própria Guiana, o violonista e cantor Chris Combette trouxe ao público uma seleção de canções de sonoridade acústica, transitando entre gêneros como rock, reggae, folk, a música caribenha e até mesmo o samba brasileiro. Em seguida, Daby Toure (Mauritânia) manteve o tom acústico com um show suave, em que o público e ele interagiram de forma intensa - o destaque foi para os momentos "virtuose", em que o músico ensaiou uma percussão elétrica tamborilando na própria guitarra. Aclamado pela crítica e por um público que transcende gêneros ou nacionalidades, o jamaicano Gregory Isaacs foi o grande superstar da noite e manteve a tônica do reggae, trazendo ao Transamazoniennes sua fórmula de sempre: romantismo, belas melodias e uma voz rouca e suave. A noite só encerrou por volta das 4h, ao som do guitar hero vindo diretamente do Congo, Diblo Dibala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe8Ed5_Y2I/AAAAAAAAAR4/XsjHsFTj7us/s1600-h/foto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262381474539070306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 339px; CURSOR: hand; HEIGHT: 257px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe8Ed5_Y2I/AAAAAAAAAR4/XsjHsFTj7us/s400/foto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No domingo, o público pôde conferir, desde as 14h, os "Tremplins" das categorias Dança Amazônica, DJ/MC e Dança Moderna, com performances de 13 grupos das comunas guianesas. Entre as atrações que mereceram destaque, estão o prodígio do Suriname, Damaru - cantor que, aos 20 anos de idade, já possui 4 CDs gravados e uma carreira consolidada no eixo regional -, que trouxe ao festival um toque de lirismo romântico com pitadas de música pop e bigi pokoe (estilo tradicional do país), e os veteranos do ASWAD, da Inglaterra (&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;foto acima&lt;/span&gt;), que fecharam o Transamazoniennes com reggae e dub de primeira linha, com base em um repertório que já percorre o cenário musical europeu há mais de três décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Proposta é trazer festival ao Brasil em 2009 por meio de convênios e patrocínios&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe80cQc-XI/AAAAAAAAASA/iGdbmB5jE6c/s1600-h/foto1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262382298730133874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe80cQc-XI/AAAAAAAAASA/iGdbmB5jE6c/s400/foto1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contabilizar um público de pelo menos 10 mil pessoas - levando em conta os três dias -, 30 horas de música ao vivo e a participação de pelo menos 630 artistas para 60 grupos, os principais organizadores do Transamazoniennes demonstraram satisfação com a visibilidade que o evento, em sua quinta edição, tomou não na Guiana, mas nos dez países que são representados por meio de seus artistas. Segundo o coordenador de produção do festival, Daniel Ho Kong King, a presença de convidados de todo o mundo chama a atenção para a intenção futura do Festival Transamazoniennes de chegar aos países vizinhos da Guiana e incentivar, por lá, a atividade cultural. "Nosso objetivo não é apenas fazer um festival de música; a prova disso são os 'Tremplins', a programação paralela aos shows, com oficinas e mostras audiovisuais que fizemos aqui, em Saint Laurent. Nossa idéia é, também, incentivar os grupos locais e alavancá-los ao sucesso. Por isso mesmo, temos planos de sair da Guiana e organizar eventos como o Transamazoniennes em outros países e regiões próximas", explicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ano que vem, por exemplo, há planos de se organizar um festival em escala semelhante no Brasil, além de enviar alguns grupos do festival a uma turnê por casas noturnas e espaços culturais na região Sudeste. Para isso, no entanto, são necessários apoios interinstitucionais. "Queremos levar artistas do Suriname, do Haiti e das Guianas Francesa e Inglesa, entre outros, à nossos países vizinhos, como o Brasil. Dá para ver que nós estamos diante de um cenário rico, que envolve grupos tradicionais e contemporâneos dos mais variados estilos, mas é preciso que haja certa cooperação entre os países para viabilizar o projeto", concluiu Ho Kong King.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Transamazoniennes é um evento promovido com o apoio da Prefeitura de Saint Laurent du Maroni e de órgãos estatais e privados da Guiana Francesa. Os interessados em conhecer mais sobre o projeto, além de ter notícias atualizadas sobre o andamento do festival, podem obter informações no endereço &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;a href="http://www.transamazoniennes.net/"&gt;http://www.transamazoniennes.net/&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#ff6600;"&gt;* O dono deste blog viajou à Guiana a convite do festival, para realizar cobertura para os jornais O Liberal e Amazônia, das Organizações Romulo Maiorana (ORM). Parte do material que está aqui no Cera de Ouvido foi, também, publicada nos respectivos periódicos. Os textos podem ser encontrados nos arquivos de www.orm.com.br/oliberal e www.orm.com.br/amazonia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-7556796284830871329?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/7556796284830871329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=7556796284830871329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7556796284830871329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7556796284830871329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/10/transamazoniennes-reaviva-cultura.html' title='Transamazoniennes reaviva a cultura amazônica'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SQe40A4vy2I/AAAAAAAAARY/nVAV03ONIQY/s72-c/foto7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-9167378281383169267</id><published>2008-10-17T00:18:00.000-03:00</published><updated>2008-10-17T00:28:15.626-03:00</updated><title type='text'>De volta à zona</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SPgFXXIcuXI/AAAAAAAAARA/SOtyEmIhTh8/s1600-h/karine.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257958463859636594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SPgFXXIcuXI/AAAAAAAAARA/SOtyEmIhTh8/s320/karine.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Espetáculo "Quando a sorte te solta um cisne na noite", do Grupo Cuíra, entra em cartaz nesta sexta-feira com a promessa de resgatar o universo gay do centro decadente de Belém&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por Guto Lobato&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem passa à noite pelas ruas dos bairros do Reduto e da Campina, no centro de Belém, inevitavelmente se depara com figuras típicas da noite de qualquer grande capital - travestis, transexuais, prostitutas, bêbados, boêmios e notívagos que vivem nas chamadas "zonas decadentes", longe de olhares puritanos e preconceituosos do elitismo conservador. É aludindo a este universo noturno, mas buscando nele as referências da homoafetividade masculina de alguns de seus personagens, que o Grupo Cuíra de Teatro apresenta em seu espaço, em temporada que inicia hoje (17) e segue até 16 de novembro, o espetáculo "Quando a sorte te solta um cisne na noite", com direção de Wlad Lima e Karine Jansen e roteiro de Edyr Proença. O espetáculo transcorre de sexta a domingo, às 21h na sexta e sábado e às 20h no domingo, com ingressos a R$ 20 (com meia-entrada para estudantes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro espetáculo no "território" - como quem nele trabalha costuma chamar - Espaço Cuíra, que fica localizado em plena zona belenense, no bairro da Campina, "Quando a sorte..." resulta de um projeto de Edyr Proença junto à dupla Wlad Lima e Karine Jansen que foi contemplado recentemente pela Funarte com o Prêmio Myriam Muniz. Dando seqüência à idéia de espetáculos como "Laquê" (que mostrava as mudanças na região central de Belém com o passar dos anos 1900) e "PRC5" (homenagem à rádio mais antiga e tradicional do Estado), as diretoras conceberam um trabalho que volta à zona para evidenciá-la - mas, desta vez, com um enfoque moderno e contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A proposta do Grupo Cuíra é a de fazer um 'teatro da zona', algo que permeia cada um de nossos trabalhos apresentados nos últimos anos. Mas, com 'Quando a sorte te solta um cisne na noite', quisemos ir além e mostrar como vivem os personagens locais hoje em dia, em tempos atuais. Então, a peça é basicamente uma seqüência de estórias urbanas, que mostram o contraste entre o centro decadente da Campina, do Reduto, e a profusão de arranha-céus e riqueza que temos 'do outro lado' da cidade", explica a diretora de teatro Wlad Lima, que em breve comemorará 30 anos de carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário em que a trama se passa é simples, quase monocromático - todo criado a partir de tonalidades de cinza, preto e branco, conforme explica Wlad. Em cerca de 1h10, o público assiste à apresentação e desdobramento da história de dezenas de arquétipos humanos típicos da zona - a "grande mãe", o homem batalhador e bem-sucedido , o homem preconceituoso, o gay da terceira idade, o gay enrustido. Com foco na homossexualidade masculina, a trama passa então a discutir de forma bem humorada diversos sentimentos e assuntos polêmicos do mundo gay, como a homofobia, o desejo carnal, a velhice e a decadência humanas. Tudo numa seqüência dinâmica e repleta de momentos cômicos que a dupla de diretoras concebeu aos poucos, junto ao roteirista Edyr Proença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A lógica da interação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia, segundo Wlad, novamente eu certo. "Nossa lógica de preparação com o Edyr é bem interativa, ou seja, houve vezes em que ele chegou com o texto e a gente foi construindo as falas em cima da peça, vezes em que o texto concebeu as cenas, enfim... Ele vinha para cá com caneta, papel e a gente ia bolando tudo ao sabor de nosso elenco e das idéias construídas de forma coletiva, meio que prevendo que o resultado final sairia com a cara de todos nós, com a cara da nossa cidade", explica Wlad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram cerca de dois meses de ensaios e preparativos, tudo à base de 14 atores-técnicos (sim, boa parte do elenco da pela também colabora com cenografia e iluminação) pertencentes ao Grupo Cuíra e interessados em reconstruir a estética urbana de Belém, de suas esquinas e becos característicos. Mas, indo além da mera retratação, a obra possui todo um viés documental, político e de questionamento, como faz questão de reforçar Wlad Lima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Novamente, a gente toca nessa coisa da zona, mas discutindo o universo do gay, do transexual, do travesti, mostrando ao público o que eles vivenciam, o que há de glorioso e dolorido em participar do segmento. Veja só, o centro é o tipo de local de passagem que está no caminho de todo mundo, está sempre presente, muito embora muitos não percebam - ou não queiram perceber. Tem sua glória, sua riqueza cultural, mas ao mesmo tempo é um local de abuso, pobreza, violência, medo, preconceito. É a partir desta duplicidade que convidamos o público a sentir o sabor da diversão e do humorístico, mas com toques amargos, que caracterizam a zona de Belém", conclui a diretora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Serviço: &lt;/strong&gt;Entra em cartaz hoje (17), às 21h, no Espaço Cuíra (esquina das travessas Primeiro de Março e Riachuelo, bairro da Campina), o espetáculo "Quando a sorte te solta um cisne na noite", do Grupo Cuíra. A obra fica em cartaz até o dia 16 de novembro, com apresentações às sextas e sábados às 21h e domingos às 20h. Ingressos à venda na bilheteria do espaço a R$ 20 (quem se declarar gay paga meia-entrada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FICHA TÉCNICA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Quando a sorte te solta um cisne na noite"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Texto original&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Edyr Augusto Proença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Direção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Karine Jansen e Wlad Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Elenco&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Paulo Marat, Rafael Cabral, Ícaro Gaya, Michel Amorim, Maurício Franco, Ronald Bergman, Wanderley Lima, Lucas Gouvêa, Fábio Tavares, Nelson Borges, Olinda Charone, Roma Muniz e Thiago Ferradaes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cenário&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Paulo Santana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Figurinos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Maurício Franco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Trilha sonora&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nilson Chaves, Marco Monteiro e Walter Bandeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Produção executiva&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Zê Charone&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-9167378281383169267?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/9167378281383169267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=9167378281383169267&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/9167378281383169267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/9167378281383169267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/10/de-volta-zona.html' title='De volta à zona'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dGvQQp4JT-o/SPgFXXIcuXI/AAAAAAAAARA/SOtyEmIhTh8/s72-c/karine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8481005818127521566</id><published>2008-09-21T13:10:00.001-03:00</published><updated>2008-09-21T13:12:26.066-03:00</updated><title type='text'>Biografia real e honesta</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Filme 'Control' desmistifica a curta e intensa trajetória de um dos ícones do rock inglês dos anos 70&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.adorocinema.com.br/filmes/controle/controle01.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.adorocinema.com.br/filmes/controle/controle01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente costuma associar a figura de Ian Curtis a de um mito. De fato, o cantor, letrista e leadman do grupo inglês Joy Division passou longe de ser um personagem comum do mundo da música - com seu jeito nada peculiar de encarnar um astro do rock nos palcos, olhar lânguido e poética densa e reflexiva, ele conseguiu transformar, em plena Inglaterra dos anos 1970, a forma com que toda uma geração encarava a música ao vivo. O que nem sempre fica tão evidente, porém, é que, por trás daquela figura virtuosa, havia um homem repleto de fraquezas: um jovem de apenas 23 anos, que viu no suicídio a única saída para expurgar seus demônios internos. Uma reconstrução detalhada e algo desmistificadora deste universo é proposta, com sucesso, no longa-metragem 'Control' (Control, 2007, EUA/Inglaterra, 121 min.), direção de Anton Corbjin, que fica em cartaz no Cine Líbero Luxardo, do Centur, até o próximo dia 28, com sessões às 19h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de Curtis (interpretado por Sam Riley) começa na cinzenta Manchester, às voltas com a efervescência musical da Inglaterra nos anos 1970. Estudante fracassado, adolescente solitário e taciturno, Curtis vive imerso em um mundo de papéis rabiscados, cigarros e vinis de rock - e, meio que por acaso, esta rotina sofre uma reviravolta quando ele se envolve com a jovem Deborah (Samantha Morton), que saía com um grande amigo seu. No auge da juventude, aos 19 anos, Curtis acaba pedindo a mão de Deborah em casamento e os dois vão morar juntos. Para sustentar a casa, ele arruma um trabalho medíocre em uma agência de empregos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado algum tempo, o jovem conhece os músicos Bernard Summer (James Anthony Pearson), Stephen Morris (Harry Treadaway) e Peter Hook (Joe Anderson), que estão à procura de um vocalista para emplacar um grupo na mídia local: assim é fundado o Warsaw, logo renomeado Joy Division e tornado um fenômeno em todo o país. Em meio ao ritmo intenso de shows e turnês, no entanto, Ian perde o ânimo pelo emprego, envolve-se com outra mulher, descobre ser epiléptico e começa a tomar uma série de remédios controlados para não se descontrolar em palco - junto ao distanciamento da família e à pressão da grande mídia, estes problemas farão com que Curtis mergulhe cada vez mais em um forte quadro depressivo, que resulta em seu suicídio às vésperas da primeira turnê do grupo pelos Estados Unidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Atuações firmes dão o tom da narrativa sobre Ian Curtis&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cara, é bom deixar um aviso aos que esperam conhecer a história do Joy Division em 'Control': o grupo aparece, sim, mas não é o mote central da narrativa. No intuito de fugir dos clichês das biografias de bandas de rock, Corbjin optou por se basear na biografia 'Touching from a distance', de Deborah Curtis, para compor o enredo do longa-metragem. O resultado é um drama que, embora minimalista, consegue tocar mesmo quem não conhece e/ou admira o som do grupo inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, toda uma ambientação foi construída, a começar pelo uso da fotografia em preto-e-branco, que produz um efeito visual impressionante com os cenários urbanos da Inglaterra pós-industrial. Na hora das performances ao vivo de clássicos como 'Transmission', 'She’s lost control' e 'Disorder', Corbjin teve a ousadia de evitar os samplers - à exceção de 'Love will tear us apart', reproduzida em um momento oportuno à história, tudo foi tocado pelos próprios atores, sem o auxílio das originais. Com isso, o filme ganhou um ar espontâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o grande destaque mesmo fica por conta das atuações firmes, tanto dos coadjuvantes da história quanto dos membros do Joy Division. Além dos experientes Joe Anderson (de 'Across the universe') e Samantha Morton (de 'Elizabeth - a era de ouro'), o filme ainda conta com a presença do novato Sam Riley, que encarna a figura sombria de Ian Curtis de forma impressionante. Vê-lo nos palcos, cantando e dançando da mesma maneira que seu problemático personagem, chega a dar arrepios - isso sem contar os momentos íntimos, em que sua atuação transparece angústia e fraqueza emocional sem qualquer afetação. Por essas e outras, 'Control' é uma das mais honestas e desmistificadoras produções que já se fez sobre um artista. Assista sem medo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia - 21/09/2008&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8481005818127521566?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8481005818127521566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8481005818127521566&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8481005818127521566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8481005818127521566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/09/biografia-real-e-honesta.html' title='Biografia real e honesta'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-1172454013441979101</id><published>2008-09-07T13:13:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:17:57.585-03:00</updated><title type='text'>Romance acesso a clichês</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em 'Um beijo roubado', espectador é surpreendido com a condução inusitada de história de amor batida&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/04/09/09_MHG_cult_beijo04.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://oglobo.globo.com/fotos/2008/04/09/09_MHG_cult_beijo04.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quando ouvimos histórias mirabolantes sobre os primeiros encontros de um par romântico, a tendência é ficar com um pé atrás e desconfiar de tudo – afinal, uma das características do locutor apaixonado é o exagero, seja lá qual for a ocasião. Por exemplo: você acreditaria na história de um casal que se conheceu e se separou antes mesmo de consumar um único beijo, mas, um ano depois, continua apaixonado na mesma intensidade? Para o chinês Wong Kar-Wai, diretor do longa &lt;strong&gt;"Um beijo roubado" (My blueberry nights, Hong Kong/ China/ França, 2007, 90 min.)&lt;/strong&gt;, a resposta é sim – e a mensagem, por incrível que pareça, não depende de quaisquer recursos hollywoodianos. A fita ficou em cartaz até o dia 14/9, no Cine Líbero Luxardo, do Centur, com sessões às 19h30, e é uma das melhores que passaram pelo circuito alternativo neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O início de tudo se dá no pequeno café Klyuch ("chave", em russo), na cidade de Nova Iorque. Jeremy (Jude Law), um homem introvertido e solitário, vive para administrar o local, e acaba estabelecendo amizade com seus clientes mais assíduos na falta do que fazer. Com o tempo, uma jovem chamada Elizabeth (Norah Jones) começa a freqüentar o café, desiludida com a aparente traição do namorado. Depois de descobrir que Jeremy tem o hábito nada convencional de colecionar chaves em um pote, Lizzie entrega as de sua antiga casa para ele e começa a se sentir atraída - e é em uma noite regada a muito álcool e choradeira que Jeremy beija Lizzie enquanto ela dorme. Um sorriso inconsciente (será?) é insinuado em sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, decidida a refazer sua vida em outros ares, a jovem toma a decisão de deixar Nova Iorque para trás. Viaja de ônibus, vai procurar emprego em outros cantos dos Estados Unidos. Jeremy, desolado, tenta manter contato com ela, mas tudo o que recebe em troca são postais sem endereço fixo. Em suas andanças pelo sul do País, Lizzie conhece e vivencia momentos turbulentos com gente desconhecida - mas não tira da cabeça nem deixa desinformado seu possível amante, que a espera pacientemente na metrópole americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa fórmula, há de se convir que "Um beijo roubado" não é lá um exemplo de originalidade narrativa: ao menos no que se refere ao roteiro, fica difícil explicar quais virtudes o tornariam merecedor de atenção especial. Apesar de sua origem geográfica, o filme é todo narrado em inglês - é a primeira vez em que Wong Kar-Wai, consagrado por seu "2046" (2004), experimenta a língua do Tio Sam em seus filmes -, e, ainda por cima, estrelado pelo astro Jude Law e pela jovem cantora e compositora Norah Jones, com o orçamento pífio de US$ 10 milhões. O que esperar, então? Uma estética tipicamente americana ou atrelada aos chavões do cinema oriental?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, ambas as opções caem por terra. A partir do momento em que Jeremy "rouba" o beijo de Lizzie, a narrativa dá uma guinada e passa a ser centrada nas andanças da jovem pelo sul americano. Aos poucos, personagens como o policial Arnie Copeland (David Strathairn), alcóolatra e apaixonado por sua ex-mulher Sue Lynne (Rachel Weisz), e a jogadora inveterada Leslie (Natalie Portman), com quem Lizzie trava uma ousada união de forças, passam a enriquecer a história e os diálogos estabelecidos pela jovem - e, assim, o espectador entra numa atmosfera meio &lt;em&gt;road movie&lt;/em&gt;, meio romântica, poucas vezes construída em filmes do gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as atuações estão muito acima da média, valendo destacar as de Norah Jones - que faz bonito, muito bonito, em sua primeira protagonista -, Jude Law (como sempre conferindo personalidade própria um personagem fraco) e da dupla Rachel Weisz e Natalie Portman, que, apesar de não estar nos holofotes do grande circuito, também dá um show de interpretação a duas personagens extremamente densas e complicadas. Com o cuidado de deixá-los brilhar no filme, cada qual à sua maneira, Kar-Wai fez o possível para evitar o protagonismo e o drama desnecessário neste filme - e o resultado é uma narrativa simples, mas doce e poética na medida certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-1172454013441979101?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/1172454013441979101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=1172454013441979101&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1172454013441979101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/1172454013441979101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/09/romance-acesso-clichs.html' title='Romance acesso a clichês'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-8468788790476918232</id><published>2008-09-05T13:40:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:44:29.021-03:00</updated><title type='text'>Uma lenda do hard rock, em Belém</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Quarteto alemão com mais de 30 anos de carreira apresenta novos trabalhos e antigos clássicos no show "Humanity World Tour Acoustica"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://farm3.static.flickr.com/2194/2085741513_a4a4962631_o.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://farm3.static.flickr.com/2194/2085741513_a4a4962631_o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Atravessar três décadas de modismos e novas tendências do mundo da música sem perder o fio da meada é um desafio para qualquer um. Despertar o mesmo fascínio sobre a platéia depois de tanto tempo, então... para isso, é preciso mais do que ensaios e um punhado de boas canções na bagagem: é preciso ter personalidade e carisma. Nestes quesitos, o quarteto alemão Scorpions ainda mostra competência para desafiar a agressividade da indústria fonográfica com uma mistura tradicionalíssima de hard rock e pop – e o que se viu à noite de ontem em Belém, com a passagem da banda pela capital em sua turnê "Humanity World Tour Acoustica", foi a prova viva disso. Em pouco menos de duas horas de show, dezenas de milhares de pessoas lotaram o Cidade Folia para cantar e curtir junto à banda uma das mais ecléticas turnês por ela já feitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a surpresa do público de Belém, a banda subiu ao palco com pontualidade. Por volta de 22h, quando as filas de entrada ainda começavam a engrossar, o riff agressivo e batida metálica de "Hour I", canção que abre seu novo disco "Humanity Hour – Vol. 1" (2007), começaram a ressoar – e a correria rumo às pistas foi intensa, para que nem um segundo fosse perdido. Esbanjando técnica vocal e presença de palco, o leadman Klaus Meine (vocal), acompanhado pelos membros Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra) e James Kottak (bateria), levantou a platéia crescente com uma seqüência agressiva, composta pelas pegajosas "Coast to coast", "Bad boys running wild" e "Coming home". Tudo isso, é claro, sem se esquecer dos "obrigados" arranhados em um sotaque alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A concepção da "Humanity World Tour" é um destaque à parte na passagem da banda pelo Brasil. Dividida em três partes, a apresentação começa elétrica, depois retoma o formato suave e percussivo do disco "Acoustica" (2001), para, enfim, terminar ainda mais pesada com uma terceira parte, na qual predominam os hits que fizeram época no início de carreira. Para completar, o quarteto ainda veio acompanhado de uma trupe de convidados 100% brasileira – nela, a presença que levou a platéia ao delírio mesmo foi o guitarrista Andreas Kisser (Sepultura), que fez as bases em diversas músicas cuja influência ressoa, mesmo que timidamente, nos discos do afamado grupo brasileiro de death metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;"ACOUSTICA"&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminada a primeira parte, o público já começava a fazer seus primeiros elogios. O estudante de Direito Luã Lima estava impressionado com a criatividade do show em sua parte mais cadenciada. "Essa idéia de misturar a parte acústica da fase mais recente ao início de carreira é muito boa! Eu, que nunca esperava ver o Scorpions em Belém, acabei tendo a oportunidade de ter contato com estas duas vertentes da banda ao vivo de uma só vez", comentou Luã, fã da banda desde o início da adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estudante Felipe Barbosa, de 13 anos, era outro espectador que se mostrava satisfeito com a fusão de sons. Ao lado dos tios – fãs de carteirinha da banda –, o jovem registrava cada momento em uma máquina fotográfica, cantando na íntegra cada uma das músicas apresentadas pelo grupo alemão. "Somos todos fãs do Scorpions, e este show parece ter sido feito para agradar a todo mundo mesmo. Tem a parte mais leve, dos hits, e outras duas com as músicas mais antigas, pesadas. A banda está muito boa, a voz do Klaus não envelhece", avaliou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o que não faltava em palco era química. Com um total de 12 músicos em palco, entre percussionistas, backing vocals e tecladista, os Scorpions entraram na parte acústica do show com toda a energia. Quem gosta da veia mais pop da banda vibrou ao som de clássicos como "Loving you Sunday morning", "Rhythm of love", "Holiday" e as clássicas "Dust in the wind" e "Wind of change" (cantada em coro, com um belíssimo arranjo percussivo no refrão). Além dos solos de violão inconfundíveis da dupla Rudolf Schenker e Matthias Jabs, também tiveram destaque os músicos de apoio e o baterista James Kottak, que conferiram às canções um toque todo especial com levadas levemente caribenhas e até mesmo um momento solo com batuques "abrasileirados". Em meio à interação, por sinal, Klaus Meine ainda brindou o público com a canção "Aquarela do Brasil", cantada em inglês por alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;ENCERRAMENTO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi na terceira parte que o Cidade Folia realmente pegou fogo. De volta ao formato original, o Scorpions entrou em palco com os riffs de guitarra em baixa afinação de "321", outra do pesado "Humanity", seqüenciando-a com "Blackout", "Big city nights" e a balada "Still loving you", enriquecida por um belíssimo solo de guitarra. Com a faixa-título "Humanity", eles fingiram se despedir – esta, por sinal, um dos melhores momentos recentes da banda, começou com pouca reação da platéia e acabou sendo cantada em coro –, mas depois voltam ao palco para o megahit "Rock you like a hurricane" (com Andreas Kisser completando o trio de guitarras) e para a balada "A moment in a million years", do experimental "Eye II Eye" (1999), cuja interpretação inspirada de Klaus Meine fez a despedida da banda com ares de melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantando os versos "The lights are slowly fading down/ There's no one else, just you and me/ Nothing ever changed/ I see your faces in the crowd/ It seems I know each one of you/ For all my life" ("As luzes estão enfraquecendo lentamente abaixo/ Não há ninguém mais, só você e eu/ Nada mudou /Eu vejo suas faces na multidão/ Parece que eu conheço cada um de vocês/ Por toda minha vida"), o Scorpions deixou os palcos de Belém sob aplausos e gritos – e, já que a capital paraense é a terceira pela qual a "Humanity World Tour" passa, o termômetro da platéia já dá uma idéia do que virá por aí nos próximos shows pelo Brasil. Maduros, entrosados, criativos e carismáticos, os cinqüentões do hard rock alemão provaram estar com todo o gás. As várias gerações de fãs e admiradores do grupo aqui presentes, idem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-8468788790476918232?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/8468788790476918232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=8468788790476918232&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8468788790476918232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/8468788790476918232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/09/uma-lenda-do-hard-rock-em-belm.html' title='Uma lenda do hard rock, em Belém'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-403059920087415178</id><published>2008-08-31T13:18:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:24:10.652-03:00</updated><title type='text'>Amor puro e verdadeiro</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Em 'Era uma vez...', dois jovens cariocas de níveis sociais distintos enfrentam preconceitos de classe&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.redebrazucah.com.br/wp-content/uploads/2008/05/era-uma-vez.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.redebrazucah.com.br/wp-content/uploads/2008/05/era-uma-vez.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se morando num dos metros quadrados mais caros da América Latina, em frente à Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro. Agora, pense em sua única filha, uma jovem inteligente e saudável, que vive cercada de “boas companhias”: se, por acaso, ela se apaixonasse por um jovem favelado, qual seria sua reação? Desprezo, nojo? Medo do que os outros pensariam? Nesse encontro de contrastes, o limiar entre tolerância e preconceito é tênue – e certamente pode levar cada um a repensar os abismos sociais que separam dois, três, infinitos Brasis bem diferentes que convivem fisicamente bem aqui, ao nosso lado. Neste sentido, o diretor brasiliense Breno Silveira faz um convite sentimental na medida certa à reflexão em seu longa “Era uma vez...” (2008, 123 min.), que está em cartaz nas salas do Moviecom Castanheira e Belém Shopping.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De cara, o filme começa a ser narrado e apresentado pelo personagem Dé (Thiago Martins), que sintetiza bem a famosa figura do jovem sofrido em meio à massa da pobreza carioca. Ele mora junto com os irmãos Beto (Fernando Brito), Carlão (Rocco Pitanga) e com a mãe, Bernadete (Cyria Coentro), no morro do Cantagalo, em plena Zona Sul, mas convive diariamente com a violência absurda da favela dominada pelo tráfico. Ainda criança, vê Beto ser morto e Carlão, preso de forma injusta. Cresce levando uma vida pacata e digna junto à mãe, no entanto, aturando todo tipo de provocação dos criminosos da região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa e Dé consegue uma barraquinha na Praia de Ipanema, na qual vende cachorros-quentes e faz amizade com alguns de seus clientes mais assíduos. Do local, ele começa a ver o movimento no apartamento onde vive Nina (Vitória Frate), filha única de um homem abastado, nutrindo uma espécie de amor platônico pela garota. Com o tempo, porém, o destino (e a influência direta de alguns colegas em comum) trata de aproximar os dois – e uma paixão intensa, capaz de ignorar quaisquer freios sociais ou pré-concepções, fará com que as duas mais conflitantes realidades do Rio de Janeiro se entrelacem na figura de dois jovens, propondo uma possível, mas combatida por ambos os “lados”, união.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Personagens centrais são metáfora das mazelas sociais do Rio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda experiência de Breno Silveira na direção – a primeira foi com o tocante “2 filhos de Francisco” (2005) –, “Era uma vez...” engana o espectador da mesma forma que seu antecessor: com um enredo de traços piegas e simplistas, a história de Dé e Nina parece se resumir aos devaneios típicos de dois adolescentes que resolveram se juntar em um contexto específico, até que algo os separasse – esta impressão, no entanto, fica na porta da sala de cinema. Após alguns poucos minutos, o espectador começa a entrar no clima e se impressionar com o fundo metafórico do romance urbano carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vários elementos técnicos e estruturais favorecem esta opção de Silveira. Sem medo de destilar doses de violência por entre as cenas, o diretor faz com que a trama reunisse takes de tiroteios no Cantagalo e encontros românticos à beira da praia enquanto elementos de um mesmo universo – o que, de fato, faz sentido. A importância pontual de cada personagem é outro elemento-chave: numa tentativa de não fechar o cerco na dupla de protagonistas, “Era uma vez...” dá vazão à riqueza psicológica de personagens como Carlão, que era um exemplo de irmão para Dé e se torna chefe da criminalidade no morro, ou mesmo o pai de Nina, Evandro, que dá sinais de ser um homem à beira da corrupção em diálogos com colegas de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo este realismo também fica claro na atuação da dupla de protagonistas Thiago Mendonça e Vitória Frate, que, além de convencer como um belo e corajoso par romântico, também sabe expor as dúvidas e anseios íntimos de seus personagens sem ofuscar o lado questionador do enredo. Querendo ou não, ambos fizeram o dever de casa: como Silveira queria, acabaram sendo não apenas duas imagens em que o espectador se projeta e pelas quais se emociona, mas também retratos vivos da intolerância enfrentada por indivíduos comuns do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo, em sua busca incessante por um amor puro e livre de presilhas. O resultado é surpreendente, e faz deste um dos melhores filmes produzidos em solo nacional neste ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-403059920087415178?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/403059920087415178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=403059920087415178&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/403059920087415178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/403059920087415178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/08/amor-puro-e-verdadeiro.html' title='Amor puro e verdadeiro'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-7236595107902110290</id><published>2008-08-24T13:25:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:27:52.450-03:00</updated><title type='text'>Experiência perturbadora</title><content type='html'>Em “O escafandro e a borboleta”, cenas psicodélicas oferecem ao público um verdadeiro espetáculo visual &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.telegraph.co.uk/arts/graphics/filmslide/thedivingbell/a6.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://www.telegraph.co.uk/arts/graphics/filmslide/thedivingbell/a6.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes medos do homem moderno é, algum dia, se deparar com uma situação na qual perca por completo o controle sobre as coisas que se passam ao seu redor. Invalidez, deficiência, debilidade, transtorno, enfermidade – os termos são muitos, mas inevitavelmente conduzem ao maior inimigo da vida moderna: a dependência do próximo para legitimar sua existência. Por isso mesmo, viajar pelos sentidos dos que vivem afundados nos leitos de hospitais pode ser, até certo ponto, uma experiência perturbadora, agressiva às mentes e corações mais sensíveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando no sentido inverso, "O escafandro e a borboleta" (Le scaphandre et le papillon, França/ EUA, 2007, 112 min.), longa-metragem baseado em fatos reais dirigido por Julian Schnabel, prova que é possível emocionar sem exageros – basta, literalmente, ver a situação através dos olhos de quem a vive, com sensibilidade e bom gosto. A fita está em cartaz nas salas do Moviecom Castanheira por meio do projeto Moviecom Arte, que promete dar novo gás ao circuito com sessões de filmes tradicionalmente alijados das grandes telas de Belém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo de cara, um antigo truque do drama psicológico: o espectador é levado aos olhos de um homem atordoado, deitado em uma cama de hospital sem a chance de se mover. Cercado de médicos, ele passa a ouvir o que se fala ao seu redor, ajustar a retina e tentar focalizar melhor o espaço no qual está, mas não – tudo permanece confuso, extremamente confuso para ele e para o público. Aos poucos, elucida-se a tragédia o que o levou ali: um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que lhe removeu todos os movimentos do corpo, exceto o do olho esquerdo, num distúrbio raro chamado locked-up syndrome (síndrome do encarceramento). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jean-Dominique Bauby (Mathieu Amalric), autor do livro a partir do qual se criou o filme, tem 43 anos, era redator da revista Elle e um bom-vivant, no sentido mais puro da coisa; agora, não pode falar ou mesmo se mover da forma convencional. Com a ajuda da equipe liderada pelo doutor Lepage (Patrick Chesnais) e de seus amigos, ex-mulher e filhos, Bauby terá que se adaptar à situação e reaprender a observar o mundo – com isso, anseios, erros e virtudes voltarão à tona e o transformarão num expectador ativo (e crítico) da própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essa fórmula narrativa, podia até se esperar que "O escafandro e a borboleta" tomasse um rumo algo melancólico – e, de fato, isto acontece. Afinal de contas, Bauby está sozinho dentro de si, e, salvo o método comunicativo que aprende com o piscar dos olhos, deve falar consigo mesmo para manter a lucidez e o bom senso. Mas, numa jogada inteligente, Julian Schnabel (o mesmo de "Antes do anoitecer") conduziu as cenas de forma que, junto ao drama e à lentidão inerentes à narrativa, o protagonista tivesse suas "viagens" internas. O resultado são cenas psicodélicas, que fazem com que o espectador engula o choro e contemple um verdadeiro espetáculo visual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto outros filmes do gênero – vale fazer, aqui, um paralelo narrativo com o belíssimo "Johnny vai à guerra" (1971), de Dalton Trumbo – apostam em narrativas lineares, num esforço para se aproximar da realidade, "O escafandro e a borboleta" mescla o factível ao surreal; sem dúvidas, uma ousadia que ficou muito bem sacada quando materializada na telona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A metáfora presente no título do filme bem explica isso: o escafandro (para quem não sabe, aquela armadura de ferro e borracha usada por mergulhadores) aparece na tela às vezes, imerso na água do mar, representando a solidão do protagonista. A borboleta, por sua vez, representa a liberdade e aparece de forma tímida, como que restrita a momentos de memória e ilusão. Junte tudo isso a figuras medievais caminhando pelos corredores, delírios sexuais com as belas enfermeiras de Bauby e você terá uma salada visual estonteante, que só escapou do exagero estético graças à direção firme de Schnabel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apoiado, também, em atuações firmes – o papel principal, antes destinado a Johnny Depp, ficou perfeito em Mathieu Amalric – e na fotografia e na edição competentes, que valeram duas das quatro indicações ao Oscar do filme, a viagem interna de Bauby tomou ares de obra-prima com este longa-metragem. Não é à toa que ele recebeu tantas indicações e prêmios em Cannes, no César e no Oscar supracitado. Para o público de Belém, é uma honra receber, mesmo que atrasado, um dos destaques do cinema europeu neste ano. Parabéns ao Moviecom pela iniciativa. Ao leitor, fica o convite de prestigiá-la sempre que possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia - 24/08/08&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-7236595107902110290?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/7236595107902110290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=7236595107902110290&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7236595107902110290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/7236595107902110290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/08/experincia-perturbadora.html' title='Experiência perturbadora'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-6845758413214149114</id><published>2008-08-14T13:28:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:31:13.283-03:00</updated><title type='text'>Somente para fãs</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Martin Scorcese investe em parte musical, mas não na história dos Rolling Stones em “Shine a light”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.pracadarepublicaembeja.net/wp-content/uploads/2008/01/shine-a-light-the-rolling-stones-official-movie-site.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.pracadarepublicaembeja.net/wp-content/uploads/2008/01/shine-a-light-the-rolling-stones-official-movie-site.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Muita gente questiona, mas é preciso admitir: os cinqüentões (e sessentões) do grupo The Rolling Stones ainda são o maior grupo de rock em plena atividade até hoje. Passadas mais de quatro décadas desde sua concepção, em meio à ebulição cultural na Inglaterra dos anos 1960, o atual quarteto conseguiu se renovar de verdade em seus últimos discos – qualquer dúvida, consulte “A bigger bang” (2005) – e cativar platéias com uma turnê nostálgica, mas com certa visão de futuro, ao longo dos últimos três anos. E é a partir dessas andanças do grupo, repletas de velhos clássicos, melodias pegajosas e obras inovadoras, que o cineasta Martin Scorcese preparou a base narrativa do documentário “Shine a light” (Shine a light, EUA/Inglaterra, 2008, 122 min.), uma das recentes aquisições do catálogo das grandes locadoras de Belém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao anunciar a produção de “Shine a light”, Scorcese levou adiante um projeto pessoal – e ele, amante dos Stones desde os anos de glória do rock n´roll inglês, fez questão de transparecer isso em cada minuto de filme. Obcecado pela idéia de desvelar ao público o backstage e as relações internas de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts durante a turnê de “A bigger bang” – provavelmente, uma das mais megalômanas e completas que os Stones já fizeram pelo mundo, passando, inclusive, aqui pelo Brasil em 2006 – , Scorcese mergulhou fundo num acompanhamento quase etnográfico de dois shows da banda no pequeno Beacon Theatre, em Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seqüência do documentário, basicamente, se resume a isso: além da filmagem integral das apresentações, há cenas de diálogos entre os membros da banda, encontros ocasionais com figuras públicas e imagens históricas que traçam paralelos entre o grupo dos anos 1960 e o dos tempos atuais. Em meio a um repertório bastante variado de canções, no qual os primeiros 20 anos de carreira são claramente enfatizados com clássicos como “Jumping jack flash”, “Brown sugar”, “Shattered” e “Sympathy for the devil”, os Stones mostram a que vieram nos palcos, tudo registrado pelas lentes duplamente cuidadosas do diretor, gênio da Sétima Arte e fã ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Material erra feio ao abordar trajetória dos Stones com superficialidade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos entusiastas da genialidade histórica de Scorcese, fica logo um aviso: “Shine a light” é, de fato, um material para fãs de longa data. Ao contrário do que se espera do filme, os shows da turnê recente dos Stones não servem como mote para resgatar a história do grupo, muito pelo contrário; eles são, em si mesmos, condutores narrativos. Se isso, por um lado, permite que tanto diretor quanto banda mostrem toda sua técnica e familiaridade com as câmeras, com performances inspiradas de Jagger e Cia. e takes estonteantes da performance ao vivo, por outro faz com que o vídeo se afaste de sua proposta original e seja mais um show comentado que um documentário propriamente dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não conhecer – e gostar – da musicalidade bluesy e rock n´roll dos Rolling Stones não vai conseguir aprender muita coisa em “Shine a light”; numa decisão pessoal que não cabe, aqui, discutir, Scorcese optou por falar pouco do passado e enfatizar o presente, lembrando dos escândalos com drogas, prisões e polêmicas históricas da banda com ares de superficialidade. Talvez a intenção fosse mesmo essa, mas a sensação do espectador atento após as duas horas de filme é a de que algo ficou faltando. Mesmo com o primor técnico do show (falem o que quiser, mas Jagger e Richards ainda são a melhor dupla vocalista-guitarrista em atividade) e a riqueza fotográfica que Scorcese conseguiu imprimir em suas filmagens, “Shine a light” não deixa de ser um registro repleto de lacunas e fragilidades narrativas – portanto, se a intenção for ouvir boa música e assistir a belas imagens, o filme está valendo. Se quiser uma biografia aprofundada e minuciosa, melhor passar longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-6845758413214149114?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/6845758413214149114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=6845758413214149114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6845758413214149114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/6845758413214149114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/09/somente-para-fs.html' title='Somente para fãs'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4091896415340502157</id><published>2008-08-05T13:31:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:35:12.117-03:00</updated><title type='text'>Paixão intensa na telona</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;“Fôlego”, em exibição até hoje no Líbero Luxardo, surpreende com caso de amor entre mulher e prisioneiro&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.estacaovirtual.com.br/arquivo/mat2008/folego/folego06.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.estacaovirtual.com.br/arquivo/mat2008/folego/folego06.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O cinema oriental sempre reservou boas surpresas às telonas do além-mar. Verdadeiros mestres na arte de retratar os contrastes e elementos cotidianos de sua terra – os quais, diga-se de passagem, quase sempre ganham as lentes ocidentais sob um viés pasteurizado –, cineastas como Akira Kurosawa, Nagisa Oshima, Kenji Mizoguchi e, mais recentemente, Hayao Miyazaki (de “A viagem de chihiro”), souberam exportar modos de vida e produzir clássicos intocáveis da Sétima Arte. Um dos “novatos” nessa área é o sul-coreano Ki-Duk Kim, que, desde 2003, tem chamado a atenção da crítica com dramas concisos – e seu recente “Fôlego” (Soom/Breath, Coréia do Sul, 2007, 84 min.), em cartaz até hoje (3) no Cine Líbero Luxardo, do Centur, com sessões às 19h, é a prova de que o Oriente ainda tem muito a nos oferecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suas demais narrativas, Ki-Duk Kim debruçou-se sobre personagens repletos de angústias e anseios, como o monge de “Primavera, verão, outono, inverno e... primavera” (2003) e o casal improvável de “O arco” (2005). Em “Fôlego”, a mesma concepção ganha face com Yeon (Park Ji-a), uma artista plástica e escultora que se dedica exaustivamente à arte e à filha pequena. Casada com um músico (interpretado por Ha Jung-Woo) que a trata com total desprezo, Yeon decide dar uma reviravolta na tediosa rotina procurando pessoas com as quais se envolver – e é em meio a essa obstinação que ela descobre, assistindo a um noticiário televisivo, Jang Jin (Chen Chang), um presidiário condenado à morte que tentou suicídio às vésperas da execução de sua pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez por vingança do marido, que a traía sem quaisquer pudores ou medos de fazer ruir a família, talvez por pena do criminoso, cuja acusação de homicídio da esposa e filhos afastava-o de qualquer contato social, Yeon decide visitá-lo e buscar uma aproximação; o problema é que, com o tempo, o flerte que não deveria passar de uma experiência sensorial acaba criando uma paixão intensa, cujas presilhas sociais e temporais impedem sua continuidade – mas, nem por isso, evitam sua consumação efêmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montado esse cenário, o espectador poderia até esperar um filme levemente piegas, mas não: além de fugir de diálogos óbvios e reviravoltas trágicas, Ki-Duk Kim optou por abordar a paixão sob um olhar profundo e poético. Em míseros 84 minutos de narrativa, a história de Yeon caminha por entre o drama, o humor leve e o romance, tudo isso com pouquíssimas trilhas de fundo ou sons de ambiente. A densidade dramática da protagonista, seu amante e sua família são enfatizadas por diálogos ocasionais, nos quais poucas frases são responsáveis por situar o público na narrativa sem, de forma alguma, explicá-la de forma fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seu favor, o longa dispõe de belíssimos cenários – frutos da paixão do diretor pela pintura –, com destaque para as cenas de cárcere, que alternam entre divertidas composições visuais coloridas que Yeon leva à prisão para entreter Jang Jin, simulando as estações do ano, e para a ambientação das ruas de uma cidade pequena em pleno inverno, na qual faltam cores e sobram galhos secos e estradas cinzentas. Além disso, os diálogos repletos de poesia e lirismo ganham força especial com a atuação da protagonista, que Park Ji-a soube conduzir sem apelar para erotismos excessivos (há sexo e nudez em cena, sim, mas de forma sucinta) ou endeusar e vilanizar suas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este caráter dúbio dos personagens, por sinal, é a grande sacada do filme: nem Yeon e seu marido, tampouco o assassino Jang Jin, têm a aparência de mocinho ou bandido. Cada qual, a seu modo, mostra seus desejos e defeitos e sensibiliza positivamente o espectador ao longo da narrativa, que encerra de forma emocionante com uma canção que resume tudo pelo que o triângulo passou em alguns poucos versos bobinhos. Essa “simplicidade dentro da complexidade”, quando aplicada a pessoas movidas unicamente pela paixão, é um dos instrumentos que fizeram a obra de Ki-Duk ser indicada à Palma de Ouro em Cannes, à época de seu lançamento – e certamente fará mesmo os mais exigentes se curvarem diante do sul-coreano, um verdadeiro criador de novas roupagens para velhas histórias de homens e mulheres à procura de um par. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4091896415340502157?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4091896415340502157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4091896415340502157&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4091896415340502157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4091896415340502157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/08/paixo-intensa-na-telona.html' title='Paixão intensa na telona'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4082997116315182445</id><published>2008-08-02T00:48:00.000-03:00</published><updated>2008-08-02T02:45:12.598-03:00</updated><title type='text'>Amy Winehouse - Frank (2003)</title><content type='html'>&lt;a href="http://i98.photobucket.com/albums/l254/elcriss/Caratulas/Frank.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://i98.photobucket.com/albums/l254/elcriss/Caratulas/Frank.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Bem antes que a fama de prodígio &lt;em&gt;junkie&lt;/em&gt; do mundo pop levasse Amy Winehouse às capas de jornais mundo afora, muita coisa de boa já se passava nos estúdios e pubs ingleses pelos quais a jovem passava. Ao longo de sua infância musical, a cantora natural de Londres soube percorrer várias correntes do rico cenário musical europeu para montar uma improvável identidade própria - e, seja no &lt;em&gt;hip-hop&lt;/em&gt; e na &lt;em&gt;black music&lt;/em&gt; dos primeiros anos, seja no pop com ares cinquentistas que a lançou no mercado timidamente neste primeiro disco, "Frank" (2003), tudo parece fluir naturalmente e criá-la com relativa facilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intitulado em homenagem a Frank Sinatra, um dos ídolos da maturidade musical de Amy, "Frank" parece apostar pesado em reviver o auge da música americana, com influências bem explícitas de &lt;em&gt;black music&lt;/em&gt;, jazz, &lt;em&gt;fusion &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;blues&lt;/em&gt;. Logo na abertura do disco, "Stronger than me" atrai o ouvinte menos atento com um pop luxuoso e contemporâneo, e a tática se repete na segunda faixa, "You sent me flying", na qual Amy faz uma interpretação efusiva em cima de bases de piano que remontam aos tempos áureos das divas da música &lt;em&gt;soul&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí em diante, alternam-se momentos de cinquentismo puro - "I heard love is blind", "Help yourself" e "There´s no greater love", as mais belas do disco -, baladas radiofônicas - os &lt;em&gt;singles&lt;/em&gt; "In my bed" e "Take the box" -, e até mesmo algo de pop 90´s, como se vê nas descoladas "Fuck me pumps" e "What is it about men?". Seja lá qual for a faixa, o cuidado com a parte instrumental é visivelmente intenso - arranjos de cordas e timbres de guitarra e bateria pesquisados são percebidos mesmo pelos menos exigentes -, assim como a performance de Amy, com seu vozeirão sexy e algo melancólico que impressiona à primeira audição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que dá para o ouvinte perceber é que, aqui, Amy ainda modelava sua sonoridade para o que viria a ser apresentado no megasucesso fonográfico "Back to black" (2007): ou seja, apesar de muito legal, "Frank" ainda não ostenta uma artista segura de si, como em seu sucessor. Mesmo assim, possui momentos muito inspirados que valem o preço e o esforço para encontrar uma cópia - a prova disso é que, sem qualquer divulgação massiva, o CD ganhou dupla platina, além de indicações ao Mercury Prize. Nada mal para uma (então) anônima artista de boteco da sempre criativa e artística Londres...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;8,5&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Destaques:&lt;/strong&gt; "Stronger than me", "There´s no greater love", "In my bed"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Faixas:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;1. Intro / Stronger Than Me&lt;br /&gt;2. You Sent Me Flying / Cherry&lt;br /&gt;3. Fuck Me Pumps&lt;br /&gt;4. I Heard Love Is Blind / Teo Licks&lt;br /&gt;5. (There Is) No Greater Love&lt;br /&gt;6. In My Bed&lt;br /&gt;7. Take The Box&lt;br /&gt;8. October Song&lt;br /&gt;9. What Is It About Men&lt;br /&gt;10. Help Yourself&lt;br /&gt;11. Amy Amy Amy / Outro / Moody's Mood For Love / Know You Now &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4082997116315182445?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4082997116315182445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4082997116315182445&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4082997116315182445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4082997116315182445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/08/amy-winehouse-frank-2003.html' title='Amy Winehouse - Frank (2003)'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://i98.photobucket.com/albums/l254/elcriss/Caratulas/th_Frank.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-4480641717895749782</id><published>2008-07-27T13:36:00.000-03:00</published><updated>2008-09-21T13:38:28.512-03:00</updated><title type='text'>Com ares de obra-prima</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;'O som do coração' conta história de jovem músico, criado em orfanato, que consegue encontrar os pais&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.cinemacafri.com/img/cena/pequeno/August-Rush-2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www.cinemacafri.com/img/cena/pequeno/August-Rush-2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes considerada mero pano de fundo para histórias, narrativas e fatos do cotidiano (e da ficção também), a música significa uma forma de existência especial para quem a ouve, pratica, estuda e dela vive. Certamente, muita coisa boa já foi criada no cinema para abordar a vida de artistas, gênios e criadores profílicos dessa arte secular - mas transferi-la à figura de três pessoas separadas pelo acaso, torná-la o caminho para um reencontro e, ainda assim, fugir da pieguice e do romantismo hollywoodianos, nunca pareceu tão fácil e natural quanto em 'O som do coração' (August Rush, EUA, 117 min., 2007), longa de Kirsten Sheridan indicado ao Oscar 2008 e, desde o último dia 10, presente nas locadoras de todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Produzida por um time de três roteiristas renomados - entre eles Nick Castle Jr., de 'Fuga de Los Angeles' -, a história do filme é toda centrada na figura de Evan (Freddie Highmore), órfão criado até os 11 anos em um orfanato no interior dos Estados Unidos. Desde os primeiros anos de vida, o jovem tinha um talento musical único, a partir do qual acreditava ser possível se comunicar de forma misteriosa com seus pais. Obcecado pela idéia de encontrá-los de uma vez por todas, Evan foge para Nova Iorque e acaba nas mãos do estranho Wizard (Robin Williams), que acolhe crianças musicistas em um teatro abandonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o apoio de Wizard, Evan aprende a tocar violão e, pouco a pouco, ganha as ruas da metrópole e constrói suas primeiras amizades - o que o pequeno talento não sabe é que seus pais, a violoncelista Lyla Novacek (Keri Russell) e o guitarrista de rock Louis Connelly (Jonathan Rhys Meyers), não se encontram desde a noite em que ele foi concebido, se amam intensamente e, para completar, não sabem da existência do filho. A partir deste trio, ligado e separado pela mesma sucessão de maus acasos, o longa começa a entrelaçar histórias, cruzar personagens e, entre coincidências e desencontros, sugerir um final feliz para a família que jamais se conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao assumir a direção de 'O som do coração', Kirsten Sheridan - a mesma do belo 'Terra dos sonhos' (2002) - provavelmente já sabia ter em mãos um roteiro com ares de obra-prima - para isso, bastava saber brincar com os clichês naturais do gênero e agregar neles algo de drama e romance. No final das contas, a diretora conseguiu se superar. Não apenas para críticos e especialistas da Sétima Arte, mas também para o público em geral, 'O som do coração' pode representar um dos mais tocantes filmes lançados recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a trilha sonora, composta por ritmos, arranjos sonoros e canções bem elaboradas (uma delas, 'Raise it up', foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original), quanto as atuações de gente experiente como Robin Williams (que se inspirou em Bono Vox, do U2, para compor um dos personagens mais controversos do filme), Keri Russell e Jonathan Rhys Meyers, já fariam do longa uma obra especial, mas o destaque mesmo fica por conta de Freddie Highmore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protagonizando a trama com segurança e capacidade dramática incomuns à idade, o jovem conseguiu construir sua história junto ao romance mal-resolvido de Lyla e Louis e ir além do estereótipo de criança talentosa e sofrida. Seria injusto afirmar em qual dos dois eixos o filme cativa mais o espectador, mas, como se vê na cena final, a luta do jovem em ser um músico reconhecido e, de quebra, encontrar os pais, acaba roubando cena e tornando-se o grande mote da narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma série de lições pertinentes e uma seqüência de fatos muitíssimo bem engendrada, 'O som do coração' é um dos melhores dramas familiares já produzidos no circuito comercial desde 'À procura da felicidade'. E uma ótima opção para quem quer curtir o final das férias de julho sentado em frente à telinha. Não perca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Originalmente publicado no Jornal Amazônia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19739329-4480641717895749782?l=ceradeouvido1.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/feeds/4480641717895749782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=19739329&amp;postID=4480641717895749782&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4480641717895749782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/19739329/posts/default/4480641717895749782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ceradeouvido1.blogspot.com/2008/07/com-ares-de-obra-prima.html' title='Com ares de obra-prima'/><author><name>Guto Lobato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04701153580953539877</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='19' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/-Ucibp82tjfk/TwW7Nm0tKII/AAAAAAAAAhM/cdyiPnF9L0k/s220/eueu.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-19739329.post-3768617433428880237</id><published>2008-07-25T22:03:00.001-03:00</published><updated>2008-07-25T23:00:10.218-03:00</updated><title type='text'>Coldplay - Viva la vida (2008)</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_dGvQQp4JT-o/SIqEUmGQnSI/AAAAAAAAAMU/DW3kTX0ldkw/s1600-h/coldplay.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_522713580687593398
